Ministros do TSE avaliam que pedido de Flávio para anular segundo turno não deve prosperar | G1
Campanha de Flávio Bolsonaro também pediu para TSE prorrogar votação. Presidente da Corte Eleitoral, Nunes Marques reconheceu a vitória de Lula em coletiva após o pleito.
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam, de forma reservada, que um eventual pedido de Flávio Bolsonaro para anular o segundo turno da eleição não deve prosperar. O senador, que disputava a presidência pelo PL, foi derrotado por Lula (PT) neste domingo (25).
Segundo esses integrantes da Corte, a decisão inédita do ministro Cristiano Zanin , do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a prorrogação do horário de votação por duas horas criou um ambiente para questionamentos do resultado, mas a Justiça Eleitoral entende que a medida não trouxe nenhuma alteração para o pleito.
A diferença expressiva de votos registrada entre os dois candidatos também é apontada por ministros como mais um motivo contra esse questionamento.
➡️Levantamento do g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que 35.521 votos foram registrados após as 17 horas de domingo (25), no horário de Brasília. A vantagem de Lula foi de 4,4 milhões de votos: teve 64,2 milhões, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro .
Outro argumento que pesaria contra a anulação é que a própria campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE pedindo a extensão do horário para municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Nos bastidores, ministros do TSE e do STF afirmam que há erros das duas Cortes no episódio.
A decisão de Zanin provocou críticas no TSE, conversas de emergência entre ministros para tentar encontrar um meio-termo para o cumprimento da determinação, além de debates sobre possíveis questionamentos que as campanhas fariam dos resultados.
13h22: Um pedido da campanha do PT é distribuído por sorteio no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O partido solicita a apuração de problemas na oferta de transporte público coletivo em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. O caso chega ao gabinete do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, às 13h54.
13h37: O PT também aciona a Corregedoria-Geral Eleitoral sobre os problemas no transporte público nos três municípios baianos. Às 14h31, o corregedor, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determina que as presidências do TSE e do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) sejam comunicadas e solicita informações ao tribunal regional sobre a situação.
Por volta das 15h: Advogados do PT solicitam a prorrogação do horário de votação em todo o país.
15h27: Um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para ampliar o horário de votação é distribuído por sorteio no TSE. O partido aponta dificuldades enfrentadas por eleitores em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina devido a chuvas, alagamentos, deslizamentos e falta de energia. Minutos depois, o processo é encaminhado à presidência da Corte, ocupada por Nunes Marques.
15h46: O PT aciona o Supremo Tribunal Federal (STF) e pede a prorrogação da votação até as 19h em seções eleitorais de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, sob o argumento de que problemas no transporte público prejudicavam o deslocamento dos eleitores.
16h29: O PT apresenta ao STF um novo pedido para estender a prorrogação do horário de votação a todo o território nacional.
16h33: O caso é distribuído ao ministro Cristiano Zanin, do STF.
Pouco depois das 17h: É divulgada a decisão de Zanin que determina a prorrogação do horário de votação até as 19h em todo o país.
17h49: O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, assina um ofício orientando as seções eleitorais que ainda estavam abertas a permanecer em funcionamento até as 19h.
Por volta das 18h: Uma segunda decisão de Zanin é divulgada. O ministro esclarece que a prorrogação vale apenas para as seções eleitorais cujas urnas ainda estavam abertas no momento da primeira determinação.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) após o resultado do segundo turno das eleições — Foto: Montagem/g1
A decisão de Zanin foi vista por aliados de Kassio no TSE como um atropelo. Ministros alinhados a Zanin apontam, por outro lado, que Kassio demorou a resolver um problema que estava posto há horas e que a Justiça não poderia se omitir diante da gravidade.
O presidente do TSE fez uma reunião de emergência com colegas do tribunal para discutir cenários, enquanto os TREs informavam que seria inviável cumprir a determinação do STF: urnas já haviam sido fechadas e não seria possível reabri-las.
Nunes Marques, então, telefonou para Zanin e acertaram um ajuste na decisão para que ela se aplicasse somente às seções que ainda estivessem abertas.
Lula (PT) foi reeleito com uma virada inédita ao obter 51,79% dos votos e derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL), que ficou com 48,21%.
As duas campanhas haviam solicitado ao TSE mais tempo para votar.
➡️A de Lula relatou problemas no transporte público, como falta de ônibus, redução de frotas e cobrança indevida de passagens.
➡️A de Flávio Bolsonaro pediu a extensão em municípios de cinco estados atingidos por fortes chuvas. A campanha de Lula recorreu também ao STF, de onde partiu a decisão mandando estender o horário de votação.
Após a confirmação dos resultados, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula e afirmou ter "toda a segurança no processo eleitoral".
Já o candidato Flávio Bolsonaro não quis reconhecer a derrota, questionou a decisão de Zanin e disse que vai pedir a anulação da eleição.
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