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Monday, September 28, 2026

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Suíça quer se manter neutra, mas não a qualquer preço | G1

Referendo rejeita proposta da extrema direita e mantém margem de manobra do país para adaptar sua tradicional neutralidade aos novos riscos à segurança europeia.

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Cartaz na cidade de Epagny, na Suíça, pede voto a favor da neutralidade suíça durante referendo no país em 27 de setembro de 2026. — Foto: Jean-Christophe Bott/Keystone via AP

Com a guerra da Ucrânia cada dia mais próxima da Europa, os suíços não querem ser tão neutros , conforme reza a tradição do país há mais de 200 anos. A conclusão veio por meio de um referendo, no domingo (27), na qual os eleitores repudiaram veementemente, com 70% dos votos, uma iniciativa da extrema direita, que imporia rigorosos limites à neutralidade .

Se fosse aprovada, a Suíça teria sido proibida de cooperar com alianças militares e de impor sanções a países hostis — como já ocorre contra a Rússia desde 2022, após a invasão da Ucrânia. Tanto o governo quanto o Parlamento rejeitaram a iniciativa: prevaleceu a ideia da flexibilidade da neutralidade, prevista desde 1848 na Constituição .

“Este resultado não é um voto contra a neutralidade . A Suíça foi neutra ontem, será neutra hoje e permanecerá neutra”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis.

Pesquisas mostram que 82% dos suíços apoiam a neutralidade, mas não a qualquer preço . Os eleitores disseram não à proposta elaborada pelo bilionário e ex-ministro Christoph Blocher , com respaldo do grupo soberanista Pro Switzerland, e do Partido Popular Suíço (SVP), o único a endossar a iniciativa.

Este partido de extrema direita e anti-imigração , que tem a maior bancada no Parlamento , liderou em fevereiro o referendo para limitar a população suíça em 10 milhões de habitantes . Foi igualmente rejeitado pelos eleitores .

A Suíça está fora da União Europeia e da Otan , embora mantenha acordos de cooperação com os dois blocos. Somente em 2002 aderiu às Nações Unidas, decisão tomada por meio de outro plebiscito.

O status da neutralidade preservou o país das guerras mundiais, mas os riscos atuais à segurança europeia reacenderam o debate sobre os limites dessa política.

A adesão do país às sanções contra a Rússia, há quatro anos, irritou os populistas, que evocaram o enfraquecimento da neutralidade, e recolheram as assinaturas necessárias para a convocação do referendo deste domingo.

A iniciativa contou com o apoio do Kremlin , mas foi rechaçada pelos 26 cantões suíços. Apenas 30% respaldaram a noção da neutralidade absoluta, que restringiria a liberdade do governo para decidir o que ser neutro representa para o país no contexto atual.

Militares suíços operam drone durante exercícios em Elm, na Suíça, em maio de 2026. — Foto: Stefan Wermuth/ Reuters

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