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Secretário morto no RJ: o passo a passo da ação da PM na Av. Brasil | G1

Segundo depoimentos dos policiais, Jefferson Dias da Silva furou dois bloqueios durante a fuga. Imagens mostram o carro rodando na pista antes de seguir viagem; um dos PMs afirmou ter feito sete disparos de fuzil.

· 795 words

Imagens de câmeras de segurança e os depoimentos dos policiais envolvidos na ação ajudam a reconstruir o passo a passo da perseguição que terminou com a morte do secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados, Jefferson Dias da Silva , de 51 anos, na Avenida Brasil.

O caso aconteceu na noite de segunda-feira (19). Jefferson foi perseguido por policiais militares ao longo da Avenida Brasil.

Durante o trajeto, de acordo com os relatos dos agentes, ele furou dois pontos de bloqueio. Em um dos momentos registrados em vídeo, o carro do secretário é interceptado por uma viatura, perde o controle e roda na pista . Mesmo assim, ele consegue seguir.

Mais à frente, Jefferson é alcançado novamente. Imagens mostram a continuação da perseguição e registram tiros disparados pelos policiais contra o carro.

A Delegacia de Homicídios fez uma perícia no local da abordagem e ouviu os agentes envolvidos. As armas dos policiais também foram recolhidas para análise. Pelo menos três fuzis estão entre o material apreendido.

Segundo os depoimentos prestados pelos policiais, a ocorrência começou depois que as equipes receberam pelo rádio informações sobre um veículo que trafegava em "atitude suspeita", em alta velocidade e com uma das rodas aparentemente em chamas .

Os PMs afirmaram à polícia que tentaram abordar o motorista e deram ordem para que ele desligasse o motor e desembarcasse do veículo. Segundo os agentes, Jefferson não obedeceu.

Ainda de acordo com a versão apresentada pelos policiais, nesse momento foram ouvidos disparos de arma de fogo . Um dos agentes afirmou que, diante da situação, atirou contra uma das rodas traseiras do carro.

Jefferson, então, seguiu com o veículo, e os policiais iniciaram o que classificaram como um "acompanhamento tático" .

A perseguição continuou pela Avenida Brasil. Nos depoimentos, os agentes disseram que o carro conduzido pelo secretário passou por dois pontos de bloqueio policial sem parar .

Quando a perseguição chegou às proximidades da comunidade da Nova Holanda, segundo os policiais, teriam sido ouvidos novos disparos de arma de fogo. Os agentes afirmaram que houve então uma " reação armada por parte da guarnição ", ou seja, que os policiais também atiraram.

Carro é interceptado, roda na pista e bate em mureta

A perseguição continuou até as proximidades da Passarela 14 da Avenida Brasil. Foi nesse trecho que uma viatura conseguiu interceptar o carro conduzido por Jefferson.

Com a interceptação, o secretário perdeu o controle da direção. O veículo rodou na pista e bateu contra uma mureta de proteção.

O momento foi registrado por uma câmera de segurança. As imagens mostram o carro rodando após a interceptação.

De acordo com os policiais, mesmo depois da colisão Jefferson tentou manobrar o veículo em marcha a ré para continuar a fuga.

Os agentes disseram que, diante da tentativa de seguir, fizeram novos disparos contra os pneus do carro.

Ex-vereador de Queimados morre baleado no RJ. — Foto: Reprodução

Depois que o carro finalmente ficou imobilizado, os PMs se aproximaram do veículo. Foi então que, segundo os depoimentos, constataram que Jefferson havia sido atingido por disparos de arma de fogo.

Um dos relatos dos agentes registra que um policial efetuou sete disparos com um fuzil calibre 7,62 mm , alegando "percepção de perigo iminente".

Cinco policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das ruas. As armas utilizadas por eles foram recolhidas para perícia. Entre elas, há pelo menos três fuzis.

A Delegacia de Homicídios também analisa as imagens das câmeras corporais usadas pelos PMs. A perícia foi feita no local onde terminou a abordagem.

Essas imagens podem ajudar os investigadores a confrontar a dinâmica registrada pelas câmeras externas com os depoimentos apresentados pelos agentes.

Jefferson Dias da Silva era secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados e ex-vereador — Foto: Reprodução

A mulher de Jefferson, Cíntia Belchior, também prestou depoimento.

Ela contou à polícia que o marido havia ingerido bebida alcoólica durante a tarde. Segundo Cíntia, horas antes de pegar o carro, Jefferson telefonou para ela e afirmou que algumas pessoas estavam brigando com ele.

O material apresentado no RJ2 não informa quem eram essas pessoas nem detalha as circunstâncias dessa suposta briga.

Em nota, o Governo do Estado afirmou que "a gravidade do episódio exige uma apuração rigorosa, célere e transparente" e disse que acompanhará de perto a investigação.

Jefferson Dias da Silva tinha 51 anos, era secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados e havia sido eleito vereador do município três vezes. Também atuava como empresário nos setores imobiliário e de transportes.

O corpo foi enterrado na tarde desta terça-feira (20), em Nova Iguaçu. Familiares, amigos e colegas participaram da despedida.

O prefeito de Queimados, Glauco Kaiser (União Brasil), afirmou que Jefferson era um homem tranquilo e um bom servidor público e cobrou uma investigação clara, eficiente e rápida sobre as circunstâncias da morte.

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Wednesday, October 21, 2026

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