Debate ao Governo de MS tem ataques e troca de acusações | G1
Candidatos fizeram perguntas diretas, trocaram críticas e apresentaram propostas para áreas como saúde, segurança, educação, infraestrutura, meio ambiente e habitação.
Candidatos ao governo de MS participam do debate promovido pelo Midiamax. — Foto: Reprodução/Youtube
O debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul, realizado na noite desta segunda-feira (21) pelo Jornal Midiamax, foi marcado por ataques e críticas à atual gestão, cobranças sobre saúde, segurança, educação e infraestrutura, além de propostas para diferentes áreas.
Os candidatos Eduardo Riedel (PP), Delcídio Amaral (PRD), Fábio Trad (PT), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL), Jeferson Bezerra (Agir), Daniel Lemes (PCO) e Renato Gomes (DC) participaram do debate.
O debate começou às 20h e foi dividido em quatro blocos. O primeiro dedicado a perguntas de tema livre. No segundo e no terceiro bloco, foram sorteados nove temas preestabelecidos, englobando áreas prioritárias, como Saúde, Educação e Segurança Pública.
O sistema de rodadas estipulou 30 segundos para a formulação da pergunta, 1 minuto e 30 segundos para a resposta, além de 45 segundos destinados a réplicas e tréplicas.
O quarto e último bloco foi reservado para as considerações finais, com três minutos de fala para cada participante e a proibição expressa de ataques nominais aos adversários.
A primeira pergunta foi feita por Renato Gomes (DC) a Fábio Trad (PT). O candidato questionou Trad sobre problemas relacionados à segurança pública e citou prisões de servidores, apreensão de cocaína em Dourados e a saída de presos de unidades penitenciárias.
Trad respondeu com críticas ao governo de Eduardo Riedel e acusou a gestão de enfrentar problemas relacionados à corrupção.
“A questão a saber não é onde tem corrupção no governo Riedel, é onde não tem corrupção.”
O candidato citou ainda supostas irregularidades na Sanesul, Secretaria de Educação, Casa Civil, Secretaria de Saúde e em prefeituras.
Na segunda rodada, Jeferson Bezerra (Agir) perguntou a Eduardo Riedel (PP) por que o governo, apesar de anunciar investimentos de mais de R$ 1 bilhão em reformas de escolas, não teria priorizado a valorização salarial de professores concursados e convocados.
Riedel afirmou que buscou equiparar os salários dos convocados aos dos concursados e citou a realização de concurso público.
“Nós vamos avançar para ter os professores todos concursados. São 2.772 vagas que estão em processo de edital.”
O governador também relacionou a formação profissional ao baixo índice de desemprego no Estado.
Na terceira rodada, Eduardo Riedel questionou Jeferson Bezerra sobre propostas para combater o tráfico de drogas e o crime organizado na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.
Jeferson defendeu a valorização dos policiais e a realização de novos concursos.
“Precisamos olhar para a segurança pública do nosso Estado com qualidade, com carinho, porque ele sai de casa e não sabe se volta.”
O candidato também citou o fortalecimento das delegacias, do SIG de Dourados, da Polícia Civil e da Polícia da Mulher.
Na quarta rodada, Delcídio Amaral (PRD) perguntou a Renato Gomes (DC) quais seriam suas propostas para as áreas de cultura, lazer, esporte e turismo.
Renato criticou o uso de recursos públicos para contratação de artistas de fora do Estado e citou o pagamento de R$ 500 mil ao cantor Seu Jorge.
“A gente entrega quinhentos mil reais e não prestigiamos as pratas da casa.”
Renato também defendeu o fim dos chamados supersalários e afirmou que quase 3 mil servidores receberiam valores superiores ao salário do governador.
Na quinta rodada, João Henrique Catan (Novo) perguntou a Daniel Lemes (PCO) como reduzir o custo do asfalto em Mato Grosso do Sul e melhorar as condições das ruas.
Lemes criticou a situação das vias de Campo Grande e acusou o governo estadual de desvio de recursos.
“A gente pode perceber os buracos que ficaram legados desse governo.”
O candidato também afirmou que haveria “desvio de verba” na administração estadual, sem apresentar documentos sobre a acusação durante a resposta.
Na sexta rodada, Daniel Lemes perguntou a João Henrique Catan sobre violência contra a população indígena e questionou se um eventual governo do candidato daria continuidade à política adotada pela atual administração estadual.
Catan defendeu que indígenas tenham acesso a incentivos, serviços públicos e condições para administrar e produzir em seus territórios.
“Eu acredito que o povo indígena quer ser libertado, quer gerir, quer ter orçamento, quer ter condições, quer ter dignidade.”
Catan também criticou as condições de segurança pública e defendeu mudanças na administração estadual.
Na sétima rodada, Fábio Trad perguntou a Lucien Rezende (PSOL) sobre a distribuição da riqueza produzida em Mato Grosso do Sul.
Lucien criticou a atuação de partidos que participaram de governos anteriores e defendeu uma discussão sobre agricultura familiar, educação, saúde e segurança.
“Nós queremos fazer o debate da agricultura familiar, nós queremos fazer o debate da equiparação salarial dos professores.”
Na oitava e última rodada do primeiro bloco, Lucien Rezende questionou Delcídio Amaral sobre propostas para os pequenos produtores de Mato Grosso do Sul.
Delcídio defendeu crédito, melhoria na comercialização da produção e investimentos em infraestrutura para o campo.
“A agricultura familiar precisa ser incentivada para buscar financiamento.”
O candidato também citou as patrulhas mecanizadas e o uso do FCO como mecanismo de financiamento para pequenos e médios produtores.
O segundo bloco do debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul teve perguntas sobre segurança pública, educação, infraestrutura, meio ambiente, impostos, servidores públicos, combate à corrupção e saúde.
Seguindo a ordem contrária do sorteio na primeira rodada, o segundo bloco começou com a pergunta de Lucien Rezende sobre o tema sorteado "segurança pública".
Lucien Rezende perguntou a Eduardo Riedel se considerava justo o salário pago atualmente aos policiais militares e civis.
Riedel respondeu destacando investimentos feitos pelo governo na segurança pública e citou equipamentos, viaturas e treinamento dos policiais.
“Foram mais de R$ 600 milhões investidos agora, 500 viaturas. Todos os nossos agentes de segurança têm o que há de mais moderno.”
O candidato também destacou a integração das forças de segurança diante da localização de Mato Grosso do Sul e da extensão das fronteiras.
Fábio Trad perguntou a Riedel sobre o compromisso de equiparar os salários dos professores contratados aos dos concursados.
Riedel afirmou que o governo precisa respeitar os limites fiscais e citou a realização de concursos como alternativa para ampliar o número de professores efetivos.
“A partir do momento que a gente não conseguiu equiparar, nós estamos abrindo concursos para poder inserir novos professores dentro dos concursados.”
O candidato também destacou investimentos realizados em escolas estaduais.
Daniel Lemes perguntou quais seriam as propostas de Trad para comunidades indígenas e trabalhadores de diferentes regiões do Estado.
Trad criticou uma promessa atribuída ao atual governo relacionada ao asfaltamento de acesso a uma aldeia e afirmou que pretende tratar os indígenas como sujeitos de direitos.
“Nós vamos tratar os indígenas como sujeito de direitos, aliás, de direitos constitucionais.”
Trad também defendeu diálogo com produtores rurais e afirmou que seu eventual governo não admitiria invasões de propriedades.
João Henrique Catan questionou Delcídio Amaral sobre o que estaria faltando na política ambiental de Mato Grosso do Sul.
Delcídio destacou a necessidade de ações permanentes contra queimadas e citou o Pantanal como uma das prioridades.
“Faltam uma política consistente. Primeiro com relação às queimadas. Esse é um episódio que acontece praticamente todo ano.”
O candidato também defendeu ações relacionadas ao sequestro de carbono, preservação ambiental e turismo.
Delcídio perguntou a Renato Gomes sobre incentivos fiscais e financiamento para pequenos e médios produtores.
Renato criticou a carga tributária e defendeu medidas para reduzir custos de energia, gás de cozinha, cesta básica e combustíveis.
“O nosso povo precisa de uma energia elétrica mais barata, de um gás de cozinha mais barato. Isso é possível.”
Durante a resposta, Renato também fez acusações contra integrantes do governo estadual e mencionou supostos casos de corrupção.
Riedel questionou Delcídio sobre o espaço fiscal para reajustes salariais diante dos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Delcídio respondeu que pretende utilizar, entre outras medidas, os recursos relacionados aos incentivos fiscais para ampliar investimentos e valorizar servidores.
“Nós temos uma margem para incentivar os servidores públicos, especialmente os de carreira.”
O candidato também defendeu a valorização de servidores efetivos e o uso de critérios de mérito para ocupação de posições estratégicas.
Jeferson Bezerra perguntou a Fábio Trad quais medidas adotaria para combater a corrupção caso fosse eleito governador.
Trad afirmou que pretende criar uma estrutura específica dentro da Controladoria-Geral do Estado para investigar e prevenir irregularidades.
“Nós vamos criar, no âmbito da Controladoria-Geral do Estado, uma coordenadoria de combate à corrupção.”
Segundo Trad, a estrutura reuniria profissionais com experiência em órgãos como Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Civil.
Renato Gomes perguntou a João Henrique Catan sobre propostas para a saúde e citou denúncias envolvendo supostas irregularidades na área.
Catan respondeu com críticas à atual gestão e mencionou diversas operações policiais que, segundo ele, teriam relação com órgãos públicos estaduais.
“Eu levaria o gabinete do governador para dentro do hospital regional, para ele ouvir e sentir o que eu senti.”
Catan também criticou a situação de pacientes que aguardam atendimento e defendeu uma gestão da saúde mais próxima da população.
No terceiro bloco, um sorteio define quem pergunta, quem responde e quem comenta cada rodada. As perguntas devem abordar um dos nove temas oficiais do debate, anunciado pelo candidato no início da fala. Cada participante terá tempo determinado para pergunta, resposta e comentário.
Daniel questionou Catan sobre a atuação do governo estadual em conflitos envolvendo comunidades indígenas e ações policiais. Catan respondeu abordando a distribuição de recursos aos municípios e criticou a política de incentivos fiscais do governo Riedel.
“Nós vamos criar um fundo de compensação pra esse absurdo. Esse dinheiro deveria ir pra Mambai, deveria ir pra todos os municípios e dar condições.”
Lucien comentou defendendo políticas públicas para os povos indígenas e citou problemas relacionados à falta de água potável, saúde e infraestrutura nas aldeias.
“Nós estamos no ano de 2026 e nós não temos água potável dentro das aldeias.”
Renato questionou Delcídio sobre a gestão da Prefeitura de Campo Grande e problemas apontados nas áreas de infraestrutura e saúde. Delcídio criticou as condições das ruas e da rede de atendimento.
“O que a gente presencia em Campo Grande é uma coisa lamentável.”
Daniel afirmou que, segundo sua avaliação, problemas se estendem para diferentes áreas da administração estadual e defendeu mudanças na gestão.
“Não existe projeto desse governo Riedel para Mato Grosso do Sul.”
Catan questionou Jeferson sobre a situação fiscal do Estado, o crescimento das despesas com pessoal e medidas para equilibrar as contas. Jeferson defendeu a redução de gastos e uma revisão da estrutura administrativa.
“Pra governar precisa cortar gasto, precisa enxugar a máquina.”
Renato defendeu a revisão do orçamento e fez críticas à estrutura administrativa e ao sistema de multas. “Vamos revisar o orçamento.”
Delcídio pediu que Trad apresentasse suas propostas para infraestrutura. Trad criticou obras realizadas sem planejamento adequado de drenagem e saneamento e defendeu que essas etapas sejam feitas antes da pavimentação.
“Nós vamos fazer o esgoto e vamos fazer o asfalto.”
Jeferson aproveitou o tema para questionar as condições das rodovias estaduais e defendeu mudanças na aplicação dos recursos do Fundersul.
“Nós precisamos primeiro abrir o Fundersul, o Fundersul hoje é uma verdadeira caixa-preta.”
Trad questionou Lucien sobre a política ambiental do governo Riedel e mencionou posições atribuídas ao grupo político do governador sobre o Ministério do Meio Ambiente. Lucien defendeu a manutenção de políticas ambientais e criticou práticas que, segundo ele, prejudicam rios e biomas do Estado.
“Mato Grosso do Sul, pelos biomas que tem, do Cerrado, do Pantanal, nós temos que ter uma secretaria, nós temos que ter o Ministério do Meio Ambiente.”
Catan defendeu a conciliação entre produção agropecuária e preservação ambiental e citou propostas como o pagamento por serviços ambientais.
“Eu sou apenas contra essa política de colocar um contra o outro.”
Lucien questionou Riedel sobre políticas habitacionais para a população idosa e afirmou que pretende zerar a fila de idosos sem casa própria. Riedel citou programas habitacionais e diferentes modalidades de atendimento conforme a faixa de renda.
“A habitação, sem dúvida nenhuma, no estado de Mato Grosso do Sul, é um desafio importante.”
Trad comentou sobre indicadores de pobreza e endividamento e questionou a distribuição da riqueza no Estado.
“Essa riqueza não chegou no povo, Riedel. Você precisa admitir isso.”
Jeferson perguntou como Renato pretende administrar a saúde pública caso seja eleito. Renato defendeu auditorias e criticou problemas de gestão, além de apresentar uma proposta de crédito para servidores e a população.
“Precisamos de uma auditoria, precisamos de um verdadeiro administrador.”
Delcídio defendeu um projeto de desenvolvimento econômico e social e destacou a necessidade de discutir carga tributária e políticas públicas.
“Nós precisamos tomar atitudes corajosas e ousadas.”
Riedel questionou Daniel sobre suas propostas para políticas públicas voltadas aos povos indígenas de Mato Grosso do Sul. Daniel respondeu cobrando ações relacionadas aos direitos humanos e à situação das comunidades indígenas.
“Eu quero que você me dê essa satisfação aos direitos humanos.”
No comentário, Riedel afirmou que a questão indígena envolve tanto conflitos fundiários quanto políticas públicas e citou ações voltadas à aquisição de áreas e ao atendimento das comunidades.
“A questão indígena tem duas vertentes muito distintas: uma é o conflito fundiário e a segunda questão é política pública para os povos indígenas.”
Nas considerações finais, Daniel Lemes pediu votos de jovens, mulheres, população LGBTQIA+, trabalhadores, indígenas e idosos. Ele defendeu maior participação desses grupos na política e afirmou que pretende combater a violência e o feminicídio.
Renato Gomes pediu votos aos eleitores indecisos e aos que pretendiam votar em branco ou anular. O candidato se apresentou como cidadão comum e economista e criticou impostos, supersalários e o que classificou como problemas de gestão e corrupção no Estado.
Lucien Rezende pediu que os eleitores refletissem sobre as mudanças na própria vida nos últimos anos antes de escolher o voto. Ele criticou a concentração política no Estado e afirmou que a riqueza de Mato Grosso do Sul não chega à população, defendendo mudanças nas áreas de saúde, educação e emprego.
João Henrique Catan afirmou ter escolhido enfrentar a estrutura política tradicional e pediu que os eleitores avaliassem as condições do Estado nos últimos anos. Ele criticou aumentos de impostos e defendeu mudanças na política tributária, valorização dos servidores e investimentos em segurança pública.
Jeferson Bezerra pediu um voto de confiança e afirmou que decidiu entrar na disputa por considerar necessárias mudanças na administração pública. Ele destacou problemas na saúde e se apresentou como uma alternativa para Dourados e para o Estado.
Eduardo Riedel criticou o tom do debate e afirmou que houve ataques pessoais em vez de propostas. Na sequência, destacou resultados econômicos e programas sociais de sua gestão e pediu a confiança dos eleitores para continuar o trabalho à frente do Estado.
Fábio Trad agradeceu a oportunidade de participar do debate e criticou a comunicação do governo, afirmando que há diferença entre a propaganda oficial e a realidade encontrada pela população. Ele defendeu um Estado que priorize a distribuição da riqueza e afirmou que é possível promover mudanças.
Delcídio Amaral citou prioridades para um eventual governo, como educação técnica, tecnologia aplicada à saúde, integração das forças de segurança, desenvolvimento das regiões de fronteira, turismo e incentivo ao esporte. Ao final, defendeu um Estado com mais oportunidades e criticou o grupo político ligado ao ex-governador Reinaldo Azambuja.
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