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Thursday, August 27, 2026

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Casal do Amapá viaja de moto até o Peru e encara frio nos Andes | G1

Gilberto Araújo e a esposa superaram altitude de 5 mil metros e estradas de terra até o Oceano Pacífico, no Peru. 'Dizia que não faria mais viagens longas, mas conheci homens mais velhos na estrada e me inspirei', relata.

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O técnico em edificações Gilberto Araújo, de 59 anos e a esposa dele, a historiadora Regiane Araújo, de 55 anos, encararam um desafio sobre duas rodas: cruzaram a América do Sul de moto, saindo da Praia do Goiabal, em Macapá , até alcançar a costa do Oceano Pacífico, no Peru .

A ideia de atravessar o continente pelo ponto mais difícil — a Cordilheira dos Andes — surgiu após o incentivo de um colega de trabalho de Goiás.

"Quando cheguei do Peru em 2025, já comecei a organizar a próxima viagem. Foi um ano inteiro de programação. A intenção era ir pelo trecho mais desafiador", relata Gilberto.

Gilberto e a esposa durante expedição. — Foto: Gilberto Araújo/Arquivo Pessoal

Inicialmente, a expedição seria realizada de forma solo. No entanto, seis meses antes da partida, Regiane decidiu acompanhar o marido na aventura. A mudança exigiu uma revisão completa no planejamento para ajustar o itinerário ao período de 30 dias de férias de Gilberto.

"A dona Regiane não estava nos planos no começo. Quando ela decidiu ir, tive que revisar toda a rota porque não dava tempo. No fim, foram 22 dias de estrada. Ela foi muito guerreira, nenhuma mulher da idade dela teria conseguido superar o que ela superou", destaca o motociclista.

O trajeto exigiu milhares de quilômetros de navegação por estradas de terra no Pará, travessias de balsa e rodovias no Amazonas, Rondônia e Acre, até a entrada no Peru pela alfândega de Assis Brasil (AC).

No território peruano, o casal seguiu por cidades como Porto Maldonado e Arequipa, onde enfrentou o relevo acentuado e as baixas temperaturas da Cordilheira dos Andes.

Durante a travessia a quase 5 mil metros de altitude, os dois sentiram os efeitos do "mal da montanha", caracterizado por fortes dores de cabeça e enjoo, além de temperaturas congelantes.

"Passamos dificuldade a aproximadamente 5 mil metros de altitude e a água congelou nos recipientes . Foi muito frio, precisamos de cinco cobertores para nos aquecer. Mas conseguimos vencer essa etapa", relembra Gilberto.

Casal encarou o frio dos Andes durante a viagem. — Foto: Gilberto Araújo/Arquivo Pessoal

Acidente na Transamazônica e o sentido da estrada

Apesar das complicações com a altitude nos Andes, o casal ressalta que o momento de maior sufoco ocorreu no retorno ao Brasil, na Rodovia Transamazônica (BR-230). Entre Itaituba (PA) e Humaitá (AM), o excesso de poeira e os buracos resultaram em um acidente de moto, exigindo uma mudança rápida de estratégia para concluir o percurso.

"É mais difícil passar pela Transamazônica do que pelas Cordilheiras. É tudo chão, terra e muito buraco. Tivemos um acidente na volta, caímos de moto e precisamos mudar a estratégia, mas conseguimos chegar. Não gosto de romantizar, o sacrifício faz parte da travessia", afirma.

Excesso de poeira e os buracos resultaram em um acidente de moto durante a viagem. — Foto: Gilberto Araújo/Arquivo Pessoal

Mesmo após o susto e com a promessa inicial de que aquela seria a última grande expedição, o técnico em edificações já não descarta novos destinos sobre duas rodas.

"Eu disse que não faria mais viagens longas, porém não sei se vou parar. Na viagem, conheci homens com mais idade do que eu rodando por aí e isso me motivou. No fim, o aprendizado e a conversa com as pessoas que a gente encontra pelo caminho fazem tudo valer a pena", concluiu Gilberto.

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