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Idosos acima de 70 anos contam o que os levarão às urnas no domingo | G1

Número de eleitores com 70 anos ou mais que votaram aumentou 43% de 2022 para 2026, segundo o TSE. No primeiro turno, mais de oito milhões de idosos nessa faixa etária foram votar.

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Mais de oito milhões de eleitores com 70 anos ou mais foram às urnas votar no primeiro turno das Eleições 2026, um aumento de quase dois milhões em relação às Eleições de 2022, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

🔎 O voto no Brasil é obrigatório para brasileiros com mais de 18 anos, mas é facultativo para os analfabetos, maiores de 70 e jovens de 16 e 17 anos.

A taxa de abstenção, que mede o percentual dos eleitores que não foram votar, nessa faixa etária passou de 58,86% em 2022 para 49,19% em 2026, uma redução de 9,67 pontos percentuais.

“Seu voto é tão importante que pode decidir o rumo dessa eleição. Vote.” É com essa mensagem que Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+, incentiva os idosos a participarem das eleições, mesmo quando o voto deixa de ser obrigatório.

O g1 ouviu idosos que apontam a defesa da democracia, a preocupação com o futuro dos filhos e netos e a expectativa de melhorias em áreas como saúde e educação estão entre os motivos que os levam às urnas mesmo sem a obrigatoriedade legal.

“Eu pude votar somente aos 38 anos porque tinha ditadura. E vocês imaginam o quanto é difícil você não poder fazer as suas escolhas”, explica Nídia Motta, de 75 anos.

Mesmo depois dos 70, Nídia continua exercendo o direito ao voto e diz que deseja ajudar na construção de um futuro melhor para os netos e bisnetos. Para ela, votar significa contribuir com o país em que vive, com as políticas públicas e com a justiça social.

Ir às urnas é também um ato de participação, orgulho e resistência. Cláudia de Pinho, de 75 anos, votou pela primeira vez em 1989, primeira eleição direta para presidente após o fim da ditadura militar. Desde então, só faltou a um turno eleitoral.

“Sempre votei, nunca faltei, menos no segundo turno de 2022, porque meu marido faleceu neste dia. Eu voto, eu adoro, eu acho um ato cívico maravilhoso”, conta.

O número de eleitores aptos com 70 anos ou mais aumentou 15,8% de 2022 para 2026. Isso significa que cerca de 17,2 milhões de idosos podem votar para presidente no segundo turno, no próximo domingo (25), disputado por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Cléa Klouri contou que atua na mobilização desse eleitorado. Depois de identificar barreiras que dificultavam a participação de idosos nas eleições, ela criou um ambiente digital para facilitar a regularização do título eleitoral e o acesso a informações sobre os locais de votação.

“Criamos um perfil nas redes, um site e fizemos um tutorial para ajudar as pessoas a regularizar o título, achar um lugar de votação próximo de casa, mais acessível. Isso para que elas pudessem ter a segurança de votar sem ter que passar por momentos de dificuldade”, relata.

Segundo Cléa, algumas pessoas acreditam que já passaram da idade de votar ou que sua participação não fará diferença no resultado. Barreiras como a distância até os locais de votação e o desânimo com a política também podem contribuir para a abstenção.

Para ela, a participação desse público continua sendo importante para a democracia.

“É muito importante ter a participação desse público porque é um público que tá ativo, que já passou por muitas situações aqui do Brasil. São pessoas que vão, provavelmente, com essa expectativa de vida, viver mais 20 anos, aproximadamente, e que têm muito ainda a contribuir para a democracia desse país”, afirma.

Eleições 2026: número de eleitores idosos sobe e o de jovens cai em Araraquara, Rio Claro e São Carlos — Foto: EPTV/Reprodução

Cléa identificou que a decisão de deixar de votar pode estar relacionada à influência da família, principalmente entre as mulheres. Por isso, criou o movimento “Vovó Vota”, que incentiva netos e outros familiares a acompanharem as avós no dia da votação.

“Às vezes as filhas diziam: ‘Ah, mas não precisa mais votar, não é mais obrigatório’. E a família pensava que estava contribuindo, mas não. Divulgamos que tem que ter o envolvimento da família como um todo para tornar esse dia especial, um dia em que a família se reúne, pode votar junto”, explica.

Goretti Fernandes, de 72 anos, é avó de oito jovens e defende que o voto continua sendo uma forma de contribuir para o futuro do país, mesmo depois dos 70 anos, quando deixa de ser obrigatório.

“Continuo votando, apesar de não ser mais obrigatório, porque eu acho que votar é o momento mais importante para a nossa democracia. Eu voto para que todas as próximas gerações possam continuar usufruindo de um país livre, democrático e feliz”, afirma.

Aos 74 anos, Madalena Rodrigues também considera importante participar das eleições. Estudante novamente, ela diz que gostaria de ter um dos netos ao seu lado no dia da votação, embora reconheça que as escolhas políticas da família são diferentes.

Para Madalena, a idade não diminui a importância de participar das decisões políticas. Ela afirma que o voto permite expressar suas opiniões sobre os candidatos e sobre o país que deseja para as próximas gerações.

“Não importa que eu tenha 74 anos, eu continuo considerando muito importante que eu participe, que eu entregue para a sociedade, para o sistema eleitoral, a minha opinião sobre por que eu escolho um candidato ou outro, o que eu quero para o país, o que eu identifico com um candidato e não identifico com outro”, completa.

Aos 83 anos, Ramires Barreto também continua votando por considerar que a participação nas eleições é uma forma de exercer a cidadania. Ele diz que analisa a trajetória política dos candidatos para escolher em quem votar e espera que a participação eleitoral ajude a preservar a democracia e as liberdades no país.

“Um país livre, democrático, organizado, com a imprensa livre, a expressão e a liberdade respeitadas pelos governantes. E isso só se vai adquirir escolhendo um bom candidato”, conclui.

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Saturday, October 24, 2026

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