O que candidatos ao governo de MG propõem para filas na saúde | G1
O g1 analisou os planos de governo de todos os candidatos e levantou as propostas apresentadas.
A fila de espera por exames, consultas especializadas e cirurgias é um dos principais desafios da saúde pública em Minas Gerais.
O tamanho desse problema, no entanto, é desconhecido – o próprio estado não dispõe de informações de quantos pacientes estão na fila por procedimentos eletivos atualmente.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a organização da espera é responsabilidade dos municípios, e cabe à pasta atuar "no apoio técnico, na coordenação e no planejamento das políticas públicas de saúde".
Quem assumir o governo em 2027 ainda terá de enfrentar outra questão: a desigualdade de acesso a serviços de saúde entre diferentes regiões de MG. Em muitos casos, pacientes do interior precisam encarar longos deslocamentos para fazer tratamento na capital mineira (veja relatos no vídeo acima) .
Os candidatos ao Palácio Tiradentes propõem abordagens distintas para reduzir a fila da saúde e enfrentar o chamado "turismo de ambulância" ( leia cada proposta mais abaixo ). O g1 apurou o que cada um deles propõe nos planos apresentados à Justiça Eleitoral.
Nas próximas semanas, o g1 também publica, sempre aos sábados, reportagens sobre as propostas dos candidatos para temas relacionados a meio ambiente e mobilidade. A primeira reportagem da série tratou sobre combate a feminicídios e facções criminosas . A segunda, sobre dívida pública e isenções fiscais .
Ambulância do SAMU de Santa Catarina — Foto: Jonatã Rocha/Secom/Divulgação
Veja abaixo o plano de cada candidato, por ordem alfabética:
Alexandre Kalil (PDT) — Foto: Amira Hissä
O plano de governo de Alexandre Kalil (PDT) defende planejamento regional e ampliação da capacidade de atendimento para enfrentar as filas na saúde. Entre as propostas, estão a reorganização dos Centros Estaduais de Atenção Especializada (CEAE) e parcerias com hospitais filantrópicos e universitários.
O documento propõe a estruturação de "linhas regionais" para consultas, exames e procedimentos de maior demanda, com indicadores de fila, tempo de espera e capacidade instalada. A telessaúde também será usada para facilitar o acesso a especialistas.
Para reduzir os gargalos ao acesso à saúde no interior, Kalil propõe uma organização regional da saúde. A ideia é que cada macrorregião possua planejamento integrado, com "definição clara" dos serviços que precisam estar disponíveis. A localização das bases de ambulâncias deve ser permanentemente avaliada.
O candidato reconhece que regionalizar os serviços não eliminará a necessidade de deslocamento de pacientes e, por isso, propõe o fortalecimento da política estadual de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), considerando transporte, necessidade de acompanhante e outras situações.
Ben Mendes (Missão) defende que os pacientes sejam necessariamente acompanhados pela atenção primária para terem acesso a serviços especializados.
O candidato propõe o uso de telemedicina para casos de urgência e também para consultas com especialistas. Ele sugere que todos as solicitações de internação sejam analisadas por esses profissionais, para evitar a formação de "longas filas".
Ben Mendes defende a criação de polos de especialidades. A ideia é que cada regional do estado seja incentivada, por meio de hospitais públicos ou particulares conveniados, a resolver situações de média e alta complexidades localmente, evitando, assim, longos deslocamentos.
O candidato ainda apresenta como metas a otimização da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a construção de hospitais regionais no Norte do estado e no Jequitinhonha.
Cleitinho (Republicanos-MG) — Foto: Agência Senado/Reprodução
Cleitinho Azevedo (Republicanos) propõe uma "tabela mineira de procedimentos estratégicos" com o objetivo de complementar o financiamento federal para a realização de exames, consultas especializadas e cirurgias eletivas e, assim, reduzir o tempo de espera dos pacientes.
O candidato também defende o fortalecimento da atenção primária à saúde, por meio de apoio aos municípios para a construção, ampliação e modernização de Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Para evitar o deslocamento de pacientes, o plano de governo fala em implementação de protocolos clínicos atualizados e exames rápidos, além de expansão da telessaúde.
Flávio Roscoe (PL) — Foto: Elizabete Guimarães
O plano de governo de Flávio Roscoe (PL) diz que o primeiro passo para combater a desigualdade de acesso à saúde é a publicação, por macrorregião, do tempo médio de espera por cirurgias eletivas e exames.
O documento fala também em ampliar a cobertura da atenção primária à saúde no Norte de Minas, no Jequitinhonha e no Vale do Mucuri.
Além disso, o candidato propõe criar um painel público, acessível por aplicativo, para a consulta à fila de cirurgia eletiva por hospital em tempo real.
Gabriel Azevedo (MDB) — Foto: Karoline Barreto/ CMBH
O candidato Gabriel (MDB) propõe a realização de forças-tarefa regionais, com critérios clínicos e territoriais, para a redução de filas de espera por procedimentos especializados e de média complexidade. Ele defende mais transparência sobre as informações.
O plano de governo fala em investir em atenção primária e também em telemedicina como instrumento de acesso, não de "substituição indiscriminada" do atendimento presencial.
O documento prevê priorizar a organização regional do atendimento antes de criar novas estruturas físicas. A ideia é fortalecer a regionalização e os consórcios de saúde, com coordenação estadual dos fluxos e do acesso.
Henrique Áreas (PCO) propõe mais verbas para a saúde pública, sem limite de gastos, e a implantação de um plano de emergência para a construção de hospitais e postos de saúde.
O candidato também defende o programa Mais Médicos e a validação imediata dos diplomas de todos os médicos estrangeiros residentes no país, além da abertura de cursos de medicina sem vestibular nas universidades públicas para suprir a falta de profissionais.
Indira Xavier (UP) — Foto: Foto: Divulgação
A candidata Indira Xavier (UP) defende investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e o fortalecimento da atenção primária a partir de apoio técnico e aportes financeiros por parte do estado.
Ela fala também em garantir o funcionamento da saúde pública em todo o estado, de forma que o atendimento inclua povos indígenas e comunidades quilombolas, em zonas rurais e áreas urbanas.
Atual governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD) — Foto: Divulgação
O governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), reconhece no plano de governo que o estado ainda enfrenta desigualdade regional no acesso à atenção especializada, dificuldade de fixação de profissionais no interior e demanda represada por procedimentos eletivos.
Ele fala em acelerar e expandir a redução do tempo de espera por cirurgias e exames, mas não detalha como pretende alcançar esse resultado.
O documento defende o fortalecimento da atenção primária como principal instrumento de promoção da saúde e prevenção de doenças, em articulação com os municípios.
Propõe, ainda, recursos como telessaúde e diagnóstico remoto para ampliação ao acesso da população a serviços de saúde.
Deputado Patrus Ananias (PT - MG) — Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos deputados
O plano de governo de Patrus Ananias (PT) propõe fortalecer a atenção primária como eixo estruturante do SUS, por meio, por exemplo, da ampliação da cobertura da estratégia de Saúde da Família e da integração da atenção básica com saúde mental, assistência farmacêutica e redes especializadas.
O documento defende ampliar a capacidade regional de atendimento especializado, por meio de investimentos nos hospitais regionais e nos consórcios intermunicipais de saúde, para a redução do tempo de espera por consultas, exames e cirurgias.
Patrus propõe a reestruturação da Fhemig e a ampliação da atuação da entidade no interior, além do aprimoramento da Central de Operações para Regulação Estadual (Core). Ele defende que a regulação seja regionalizada, integrada e transparente, com participação dos municípios e serviços de saúde, critérios públicos de prioridade e informações atualizadas sobre filas e disponibilidade de leitos.
O candidato ainda fala em recuperar a capacidade de decisão das regiões de saúde, de forma a fortalecer a gestão regional do SUS e evitar a concentração da regulação de consultas, exames e internações em Belo Horizonte.
Rafael Duda (PSTU) — Foto: Reprodução/Redes sociais
O candidato Rafael Duda (PSTU) propõe melhorias na estrutura da Fhemig, incluindo a contratação de profissionais por meio de concurso público, e a ampliação das unidades de urgência e emergência.
Ele defende a expansão das políticas de combate às doenças crônicas e de saúde para idosos, além da implementação de conselhos populares, para que trabalhadores e usuários controlem a prestação dos serviços de saúde do estado.
O plano de governo de Rafael Duda ainda fala em ampliação da rede física do SUS em Minas Gerais.
Túlio Lopes (PCB) defende a ampliação da atenção básica, por meio da abertura de postos, do fortalecimento da Saúde da Família e da formação de agentes comunitários.
Ele propõe a reorganização das regionais de saúde com base no "fluxo real" da população e transporte intermunicipal gratuito para a realização de procedimentos e tratamentos.
O plano de governo fala na criação de um plano estadual de tecnologia em saúde e prevê a expansão da capacidade diagnóstica nos hospitais regionais.
O candidato também defende o fortalecimento dos conselhos de saúde como órgãos deliberativos, com poder sobre o orçamento e a definição de prioridades.
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