Europa sob pressão: 'guerra de drones' entre Rússia e Ucrânia já afetou mais de 20 países; MAPA | G1
Casa vez mais drones têm escapado das linhas de frente e penetrado o espaço aéreo da Otan, alimentando acusações de que Moscou trava uma 'guerra híbrida' contra a Europa para provocar e testar reação da aliança.
Após mais de quatro anos de guerra na Ucrânia , a Europa e a Rússia travam nos últimos meses uma escalada de tensões sem precedentes, com incidentes envolvendo drones registrados em ao menos 20 países europeus.
Na "guerra de drones" em que se converteu o conflito entre Rússia e Ucrânia, cada vez mais projéteis têm escapado das linhas de frente e penetrado o espaço aéreo da Otan , alimentando acusações de que Moscou trava uma "guerra híbrida" contra a Europa.
👉 Otan (sigla que significa Organização do Tratado do Atlântico Norte) é uma aliança militar formada por 32 países. Foi criada em 1949, durante a Guerra Fria, com o objetivo de garantir a segurança de seus membros por meio de um pacto de defesa mútua.
Até o momento, ao menos 20 países europeus já registraram incidentes dessa natureza. Os casos não se concentram apenas nos vizinhos de Rússia e Ucrânia, mas se espalham por diferentes regiões do continente. Veja no mapa abaixo os países afetados:
Mapa mostra países europeus que registraram incidentes envolvendo drones russos desde o início da guerra da Ucrânia. — Foto: Dhara Pereira/Arte g1
No episódio mais grave até o momento, dezenas de drones caíram na Polônia durante um ataque aéreo russo à vizinha Ucrânia, o que provocou uma reunião de emergência da Otan e deixou a aliança em seu ponto mais próximo de expandir a guerra.
O incidente mais recente envolveu um drone carregado com explosivos e um detonador encontrado dentro da área de um aeroporto na Alemanha . O governo alemão acusou a Rússia de lançar o explosivo após analisar a tecnologia usada no dispositivo.
Policiais e militares poloneses inspecinam destroços de drone, abatido por caças, em Wohyń, na Polônia, em 10 de setembro de 2025. — Foto: Rafal Niedzielski/AP
A maior parte dos incidentes envolve avistamento de drones suspeitos, de origem não identificada, sobrevoando áreas próximas a infraestrutura vital ou estratégica da Otan.
Os incidentes foram tantos que passaram a ser vistos como uma campanha coordenada de drones e uma forma de "guerra não convencional" movida por Vladimir Putin contra o restante da Europa, enquanto a Rússia mantém sua ofensiva na Ucrânia, segundo avaliação do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), especializado em questões militares.
👉 "Guerra híbrida" é o termo cunhado por governos europeus e pela Otan para descrever ações da Rússia que vão além do combate militar convencional e que buscam pressionar, intimidar ou desestabilizar países europeus, sem cruzar claramente o limite de uma guerra aberta.
Países que tiveram espaço aéreo violado por drones
Polônia: acionou caças de guerra para derrubar 19 drones russos que invadiram seu espaço aéreo em setembro de 2025. Os projéteis caíram em diferentes áreas do país;
Alemanha: acusou a Rússia por uma tentativa de ataque com drone explosivo contra um avião de carga em um aeroporto em Leipzig;
Romênia: um drone russo acertou um prédio civil na cidade fronteiriça de Galati e deixou dois feridos, além de causar um incêndio no local, em maio de 2026. Meses antes, em fevereiro, o país mobilizou jatos para derrubar projéteis que invadiram seu espaço aéreo;
Estônia: jatos da Otan foram mobilizados para derrubar um drone invasor em maio de 2026, e governo local acusou a Ucrânia. Em setembro de 2025, o país acusou a Rússia de invadir seu espaço aéreo com três caças ;
Suécia e Dinamarca: um drone russo que sobrevoava o porta-aviões francês Charle Le Gaulle foi derrubado por jatos suecos sobre o Estreito de Oresund, entre os dois países, em fevereiro de 2026;
Moldávia: teve seu espaço aéreo invadido por seis drones russos em novembro de 2025, durante ataque aéreo à Ucrânia, e protestou mostrando a carcaça de um deles ao embaixador russo ;
Finlândia: um drone ucraniano carregado caiu em território finlandês em março de 2026, e Kiev se desculpou pelo incidente. Um outro projétil foi encontrado em setembro, e autoridades investigavam origem;
Bulgária: um drone de ataque invadiu seu espaço aéreo a partir da Romênia e explodiu perto de um vilarejo, em agosto de 2026. Não houve feridos;
Croácia: um drone russo ultrapassou o território da Ucrânia, passou pela Hungria, violou o espaço aéreo croata e caiu perto da capital Zagreb, em março de 2022. Não houve vítimas;
Letônia: um drone russo carregado com explosivos caiu no território letão em setembro de 2024, sem deixar feridos. O país também registrou uma invasão de seu espaço aéreo em maio de 2026;
Lituânia: dois drones russos caíram no território em dois incidentes diferentes em julho de 2025, segundo o governo local.
Avistamentos de drones sobre instalações militares, estratégicas ou civis
Dezenas de avistamentos de drones suspeitos e com possíveis ligações à Rússia foram registrados em 13 países da Otan e na Irlanda entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, segundo levantamento do IISS. São eles:
Reino Unido* e Noruega: 7 avistamentos cada;
* Um levantamento feito pelo próprio governo britânico afirmou ter registrado 266 incidentes envolvendo drones em suas bases apenas em 2025.
➡️ Aeroportos: drones não identificados foram avistados sobre os aeroportos na Alemanha, Dinamarca, Noruega e Bélgica, sendo alguns deles grandes hubs como Berlim, Munique, Copenhague e Bruxelas. Esses incidentes, ocorridos entre setembro e outubro de 2025, forçaram a paralisação das operações e afetaram a aviação comercial.
➡️ Bases militares: drones não identificados penetraram o perímetro de segurança de bases importantes em diversos países da Europa nos últimos anos, como na Alemanha, França, Reino Unido e Dinamarca, incluindo em instalações que abrigam armas nucleares dos EUA.
➡️ Infraestrutura vital: ataques ou tentativas de sabotagem contra instalações vitais para o dia a dia da população europeia também têm sido alvos, como estações de energia, gasodutos, cabos submarinos e navios comerciais, além de explosões em áreas civis.
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