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Thursday, September 3, 2026

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Veado-campeiro é flagrado ‘descascando’ a galhada no Pantanal; entenda | G1

Fotógrafo registrou macho durante a retirada do velame, tecido que recobre e nutre a galhada enquanto ela está em desenvolvimento. Processo faz parte de um ciclo que se repete ao longo da vida do animal.

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O que está acontecendo com este veado-campeiro? Flagrante revela ciclo natural da espécie — Foto: Fagner Roque de Almeida

O que parecia ser mais um encontro com um veado-campeiro ( Ozotoceros bezoarticus ) durante um safári pelo Pantanal revelou um detalhe pouco observado na natureza. A galhada do macho ainda carregava partes do velame, tecido que a recobre durante o crescimento e que começa a se desprender quando essa estrutura amadurece.

O flagrante foi feito pelo guia de campo e fotógrafo de natureza Fagner Roque de Almeida ( @fagner_almeida01 ) durante um safári na fazenda Caiman, no Pantanal.

“Estávamos percorrendo uma área aberta quando encontramos um veado-campeiro em vida livre. O que inicialmente parecia ser apenas mais um encontro com a espécie acabou chamando nossa atenção por um detalhe muito especial: o animal estava passando pelo processo de queda do velame da galhada”, conta.

Ao perceber a cena, Fagner diminuiu o ritmo do veículo e passou a acompanhar o animal à distância.

“Acompanhei seus movimentos enquanto ele seguia seu comportamento natural, e foi possível perceber o velame já bastante solto, desprendendo-se da galhada e deixando gradualmente exposta a estrutura óssea”, relata.

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Diferentemente dos chifres permanentes encontrados em outros grupos de mamíferos, as galhadas dos cervídeos passam por ciclos de crescimento e queda. No veado-campeiro, os machos renovam essas estruturas periodicamente .

Enquanto a nova galhada cresce, ela permanece coberta pelo chamado velame, tecido vascularizado responsável por fornecer os recursos necessários ao seu desenvolvimento. Quando o crescimento termina, esse revestimento seca e se desprende, deixando a galhada rígida exposta .

Pesquisas mostram que esse ciclo varia de acordo com a região onde vivem as populações de veado-campeiro.

No Pantanal, um estudo que acompanhou a espécie durante quatro anos encontrou um ciclo bem definido: entre junho e agosto, período de menor duração dos dias, 91% dos machos observados apresentavam galhadas recobertas pelo velame . Já entre novembro e fevereiro, os pesquisadores observaram apenas machos com galhadas rígidas, sem o revestimento.

Estudos realizados com outras populações da espécie também indicam uma relação entre a renovação da galhada e as variações hormonais dos machos.

Uma pesquisa com veados-campeiros de vida livre no Parque Nacional das Emas, em Goiás, verificou que a queda e o crescimento da galhada ocorreram em períodos de menores concentrações de testosterona, enquanto a retirada do velame esteve associada a concentrações mais altas do hormônio.

O momento registrado no Pantanal, portanto, faz parte de um processo natural que antecede a fase em que a galhada estará completamente exposta.

“O velame é uma pele macia e aveludada que recobre a galhada durante seu crescimento. É um tecido extremamente vascularizado, que fornece oxigênio, minerais e nutrientes necessários para o rápido desenvolvimento da galhada. Quando ela atinge seu tamanho e maturidade, o velame deixa de cumprir essa função, seca e começa a se desprender, até que a estrutura óssea fique completamente exposta”, explica Fagner.

Flagrante raro mostra transformação da galhada de veado-campeiro no Pantanal — Foto: Fagner Roque de Almeida

Embora já tenha acompanhado a renovação da galhada de veados outras vezes, o fotógrafo conta que nunca havia conseguido registrar exatamente essa etapa .

“Já tive a oportunidade de presenciar a troca de galhada algumas vezes, mas esse estágio inicial da queda do velame, da forma como consegui observar e fotografar nessa ocasião, foi a primeira vez.”

A imprevisibilidade dos animais em vida livre torna encontros como esse ainda mais especiais.

“Mesmo trabalhando frequentemente em contato com a natureza, esse é um comportamento que não é comum de se observar. Estamos falando de animais em vida livre, seguindo seus ciclos naturais, e não temos como prever quando ou onde determinado comportamento vai acontecer”, afirma.

Para Fagner, o registro também mostra como uma cena aparentemente simples pode revelar processos que normalmente passam despercebidos.

Registro impressionante mostra uma fase pouco vista da galhada do veado-campeiro — Foto: Fagner Roque de Almeida

“A maioria das pessoas observa a galhada pronta, mas existe todo um processo por trás dela, desde o crescimento, a nutrição através do velame, a maturação, a reprodução e, finalmente, a queda.”

Naquele dia, a estratégia foi não fazer nada além de observar.

“Na natureza, muitas vezes o mais importante é simplesmente parar, observar e ter paciência. Cada animal tem seu próprio ritmo e, quando respeitamos esse espaço, podemos testemunhar comportamentos que normalmente passariam despercebidos.”

E é justamente essa imprevisibilidade que, segundo o fotógrafo, transforma cada saída de campo em uma possibilidade de descoberta.

“A natureza está constantemente acontecendo diante dos nossos olhos, mas é preciso estar atento para perceber. Cada safari pode revelar uma história diferente, e algumas delas são momentos únicos do ciclo de vida de um animal.”

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