Lambe-Sujos e Caboclinhos celebram ancestralidade em Laranjeiras | G1
Manifestação revive, de forma lúdica e teatral, conflitos do período colonial brasileiro e brincantes percorrem as ruas da cidade.
As ruas de Laranjeiras , município localizado a cerca de 20 quilômetros de Aracaju, foram tomadas neste domingo (11) por cores, cantos, danças e ancestralidade com a tradicional Festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos. Considerada uma das mais importantes manifestações da cultura popular sergipana, a celebração também é reconhecida como uma das maiores apresentações teatrais a céu aberto do Brasil.
A programação começou ainda de madrugada, às 4h, com uma alvorada. Ao longo da manhã, os brincantes percorrem as ruas, recebem a bênção em um terreiro e depois seguem para a frente da Igreja Matriz, onde também são abençoados pelo padre.
Festa dos Lambe-sujos e Caboclinhos de 2026 em Laranjeiras — Foto: Leonardo Barreto/g1
“Me sinto laranjeirense. É muito bom perpetuar a cultura. É muito bom viver essa união entre a igreja e o povo de Deus”, disse o padre Cleberton Andrade.
Há mais de 160 anos, a cidade se transforma em palco de uma encenação que reúne os Lambe-Sujos, representantes dos negros escravizados, e os Caboclinhos, que representam os indígenas.
A manifestação revive, de forma lúdica e teatral, conflitos do período colonial brasileiro , envolvendo a resistência dos negros que fugiam da escravidão e a atuação de indígenas mobilizados pelos senhores de engenho para perseguir e capturar os fugitivos.
Segundo a tradição, os Caboclinhos partem para o confronto após o sequestro de sua rainha pelos Lambe-Sujos. A narrativa conduz a disputa entre os grupos e dá vida a uma história transmitida de geração em geração, marcada por personagens, símbolos, rituais e elementos da memória coletiva sergipana.
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