Produtores de Caroebe estão em alerta com doença que atinge bananeiras e não tem tratamento | G1
O moko é causado por uma bactéria que compromete a circulação de água e nutrientes nas plantas. Agricultores devem comunicar casos suspeitos à Aderr em até 48 horas.
Produtores rurais do município de Caroebe , no Sul de Roraima, estão em alerta permanente para prevenir a entrada do moko da bananeira, uma praga bacteriana sem cura química que ameaça a bananicultura, um dos pilares da economia regional.
Entre os agricultores mobilizados está o produtor Luiz, responsável por um cultivo de 54 mil pés de banana em 42 hectares, cuja produção é comercializada no mercado de Manaus (AM).
"É de fundamental importância, praticamente é a nossa principal fonte de renda", destaca o agricultor. Para proteger a lavoura, o produtor adota rígidas rotinas de controle. O agricultor conta que já identificou plantas com viroses na propriedade, mas nunca casos de moko.
"A preocupação é grande se chegar a adoecer a lavoura com o moko, porque é uma bactéria para a qual ainda não existe tratamento químico que resolva. A gente tem que evitar ao máximo que venha esse tipo de bactéria para o nosso solo", afirma.
Apesar do risco, Luiz está otimista com o futuro da produção de banana em Caroebe e aposta na prevenção para manter a lavoura saudável.
"É uma atividade que, se for bem trabalhada e as pessoas usarem os protocolos certos de controle do moko, você pode trabalhar a vida toda sem problemas. Se acontecer de aparecer o moko, você isola a área e elimina as touceiras contaminadas para conter o risco", conclui o agricultor.
O moko é uma doença bacteriana que ataca o sistema vascular da bananeira, dificultando a circulação de água e nutrientes. A bactéria cresce em ambientes quentes e úmidos, como a Amazônia, e é transmitida principalmente por ferramentas e máquinas agrícolas contaminadas, além de insetos.
"Na realidade, é uma praga que não existe um controle ainda químico que resolva a questão. Então o cuidado tem que ser evitar que pessoas que transitam em área contaminada venham para a tua área. Veículos, meios de transporte, tudo isso tem que ser evitado para você minimizar o risco de contaminação", afirma o produtor.
Para evitar a propagação, especialistas recomendam desinfetar os equipamentos e iniciar os trabalhos nas plantações saudáveis, deixando as áreas suspeitas para o final.
A doença é de alto impacto econômico, controlada pelo Ministério da Agricultura e pelos órgãos estaduais. Para evitar a contaminação, os agricultores devem usar apenas mudas certificadas. Se a doença for confirmada, é necessário eliminar a bananeira infectada e todas as plantas em um raio de até 5 metros. A área deve ficar sem cultivo por pelo menos dois anos .
Folhas: amarelamento e quebra do pecíolo (haste que sustenta a folha) na base;
Caule: ao cortar o caule, aparecem manchas escuras ou amarronzadas no centro da estrutura;
Frutos: bananas verdes cortadas apresentam a polpa escurecida. No cacho, ocorre amadurecimento desuniforme, quando poucas frutas amadurecem enquanto as demais permanecem verdes.
Os produtores devem evitar métodos caseiros, como queimar a planta ou cortar folhas contaminadas, não funcionam e podem espalhar a bactéria.
Em Caroebe, o produtor Luiz mantém máquinas e equipamentos dentro da própria lavoura para reduzir o risco de contaminação pelo moko.
"Geralmente a ferramenta não sai daqui. O maior risco é quando você trabalha com ferramentas em várias localidades. Se trabalhar em uma área contaminada, é preciso higienizar. No meu caso, tratores e ferramentas só trabalham aqui dentro, então o risco é praticamente zero", explica.
Em caso de suspeita, o produtor deve acionar imediatamente um engenheiro agrônomo, técnico agrícola ou fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima (Aderr).
A Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) deve ser informada em até 48 horas após o surgimento dos primeiros sintomas da doença. O órgão envia fiscais à propriedade para avaliar a situação.
Produtores de banana de Caroebe, no Sul de Roraima, estão em alerta — Foto: Arquivo pessoal
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