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Wednesday, September 30, 2026

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Que países usam voto eletrônico além do Brasil? | G1

Informação de que apenas Brasil, Venezuela e Cuba usam o modelo é falsa. Segundo levantamento, ao menos 34 países usam ou já usaram algum tipo de sistema eletrônico de votação em processos oficiais.

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Uma urna eletrônica na eleição para governador na Virgínia, nos Estados Unidos — Foto: LightRocket via Getty Images, via BBC

A urna eletrônica é alvo recorrente de desinformação no Brasil . Entre as alegações falsas que circulam nas redes sociais está a de que o país seria o único, além de Venezuela e Cuba , a utilizar o sistema.

Na realidade, dezenas de países recorrem ou já recorreram a alguma forma de votação eletrônica, embora os modelos, a abrangência e a tecnologia utilizada variem bastante de um lugar para outro.

Segundo levantamento do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (Idea), ao menos 34 países de 178 analisados usam ou já usaram algum tipo de sistema eletrônico de votação em processos oficiais.

E, apesar de a Venezuela estar na lista, Cuba não aparece entre os países que o Idea identifica como usuários de sistemas de votação eletrônica.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Idea, uma organização intergovernamental com sede em Estocolmo, na Suécia, os 34 países que utilizam ou já utilizaram algum tipo de votação eletrônica são: Albânia , Argentina , Armênia , Austrália , Bangladesh , Bélgica , Butão , Brasil , Bulgária , Canadá , Coreia do Sul , El Salvador , Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos , Estônia , Rússia , Fiji , Filipinas , França , Índia , Irã , Iraque , México , Mongólia , Nova Zelândia , Omã , Panamá , Paraguai , Peru , Quirguistão , República Democrática do Congo , República Dominicana , Suíça e Venezuela .

A lista do Idea é atualizada ao longo do tempo conforme mudam as regras dos países, o que significa que a situação de alguns deles pode mudar de uma eleição para outra.

Os modelos empregados, porém, variam bastante e vão de urnas semelhantes às brasileiras a sistemas que apenas fazem a leitura eletrônica de cédulas de papel — e até ao voto remoto pela internet.

O Brasil se destaca pela abrangência do modelo. Em outubro de 2026, o sistema eletrônico de votação brasileiro completará 30 anos e voltará a ser utilizado para que os eleitores brasileiros escolham senadores, deputados, governadores e o próximo presidente do país.

Segundo o levantamento do Idea, 17 dos 34 países usam urnas eletrônicas de gravação direta, conhecidas pela sigla DRE. Nesse tipo de equipamento, o eleitor faz sua escolha diretamente em uma máquina, que registra o voto eletronicamente.

O Brasil integra esse grupo, ao lado de países como Índia , Peru , México e França , entre outros.

Alguns países, como França e Estados Unidos , foram incluídos na lista, mas usam urnas digitais apenas em partes do território.

Nos EUA, por exemplo, não há um único sistema nacional: a tecnologia adotada varia entre Estados e até entre condados. Em muitas localidades, o eleitor vota em papel, que posteriormente é lido por scanners ópticos.

Também há distinções em relação ao tipo da máquina e à emissão de recibos. Em alguns casos, como no Paraguai , as urnas geram um comprovante físico de cada voto, que o eleitor pode visualizar. Mas esse papel não é levado pelo cidadão: ele fica armazenado em um compartimento lacrado e pode ser usado posteriormente para auditorias ou recontagens.

O Brasil está no grupo que utiliza urnas de gravação eletrônica, mas sem emissão de recibo.

Alguns países também utilizam sistemas mistos, com diferentes modelos a depender do tipo de votação ou da localização.

Há ainda diferenças ligadas à cultura nacional. Enquanto no Brasil o eleitor digita números para indicar seus candidatos, na Índia , por exemplo, as máquinas dão destaque aos símbolos dos partidos, uma característica associada à diversidade linguística e aos diferentes níveis de letramento da população.

Ainda de acordo com o levantamento do Idea, 14 países utilizam ou já utilizaram algum tipo de sistema de votação pela internet, entre eles Coreia do Sul , Suíça , Emirados Árabes Unidos e Austrália .

A pesquisa também computou aqueles que usam algum tipo de tecnologia de leitura automática de cédulas ou documentos em papel — ou seja, sistemas em que o eleitor vota em uma cédula física, que depois é lida por uma máquina —, e modelos em que apesar do cidadão fazer sua escolha eletronicamente, uma cédula física impressa é usada como registro oficial na apuração.

Urna eletrônica em uma seção eleitoral durante o primeiro turno das eleições parlamentares em Garches, subúrbio de Paris, em 30 de junho de 2024 — Foto: AFP via Getty Images, via BBC

A urna brasileira é um equipamento de gravação direta: o eleitor escolhe o candidato no teclado e o voto é registrado digitalmente. Diferentemente de alguns países, a urna não fica conectada à internet e não dispõe de conexão wi-fi ou Bluetooth , segundo a Justiça Eleitoral.

O sistema mantém o chamado Registro Digital do Voto (RDV), que armazena os votos de maneira a preservar o anonimato dos eleitores. Posteriormente, esses registros podem ser auditados e comparados com os boletins de urna para conferir a apuração . Partidos e coligações também podem solicitar os RDVs após a totalização dos votos.

A urna eletrônica brasileira foi totalmente desenvolvida no país e é produzida em duas fábricas, localizadas em Ilhéus, na Bahia, e em Manaus, no Amazonas.

Embora os chips sejam importados, eles são testados, programados e soldados à placa-mãe da urna no Brasil , sob a supervisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com Julio Valente, secretário de Tecnologia da Informação do TSE, afirmar que a urna eletrônica não é eficaz por não ser amplamente utilizada em outros países é incorreto.

"Cada país tem um sistema eleitoral que reflete sua cultura", explicou ele à BBC News Brasil em uma entrevista em 2022.

O uso da urna eletrônica no Brasil , que começou em 1996, foi impulsionado pela alta incidência de fraudes com cédulas de papel.

Havia práticas fraudulentas, como a manipulação de cédulas em branco para gerar votos.

Alguns países que anteriormente utilizaram a votação eletrônica, como a Noruega , reverteram para as cédulas de papel.

Contudo, no caso da Noruega , a votação não era realizada por urnas, mas pela internet.

A decisão de voltar atrás ocorreu devido ao receio dos eleitores de que seus votos se tornassem públicos.

Testes de votação eletrônica foram feitos em eleições locais e nacionais na Noruega em 2011 e 2013, com o objetivo de incentivar a participação dos jovens, mas sem sucesso.

Já Bangladesh chegou a adotar um sistema parecido com o brasileiro, sem qualquer registro em papel do voto. Mas, sem um mecanismo de auditoria equivalente ao daqui, o país abandonou as urnas em 2023. É um contraste que ajuda a explicar por que o modelo brasileiro se sustenta: no país, cada voto é auditável.

Toda urna imprime um boletim assim que a votação termina, e ele é colado na porta da seção para qualquer eleitor conferir.

Antes da eleição, o TSE também roda o Teste de Integridade e Autenticidade, que confirma se o voto no papel bate com o que foi registrado eletronicamente. E o RDV permite recontar e comparar tudo depois, se for preciso.

Funcionários eleitorais preparam urnas eletrônicas para a próxima eleição — Foto: AFP via Getty Images, via BBC

Outras informações falsas sobre a urna eletrônica

Além das alegações falsas sobre o uso de urnas eletrônicas em outros países, informações enganosas sobre a segurança e o funcionamento dos equipamentos circulam com frequência no Brasil.

Uma delas afirma que modelos antigos de urna não passariam por auditorias. Mas a verdade é que todos os modelos utilizados pela Justiça Eleitoral, inclusive os mais antigos, passam pelas mesmas etapas de auditoria, fiscalização e segurança estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Outro boato recorrente é o de que as urnas poderiam ser invadidas pela internet. Mas, de acordo com a Justiça Eleitoral, os equipamentos funcionam sem conexão com redes externas: não possuem conexão à internet, wi-fi ou Bluetooth, nem são ligados por cabo a uma rede durante a votação

O governo brasileiro também desmentiu conteúdos segundo os quais o descarte de urnas antigas seria realizado pelo TSE para eliminar evidências ou ocultar dados de eleições anteriores. Segundo o tribunal, as informações da votação são retiradas dos equipamentos no dia da eleição e armazenadas separadamente. Por isso, as máquinas encaminhadas para descarte não mantêm esses dados, enquanto os arquivos eleitorais permanecem disponíveis para auditoria.

Também é falsa, segundo a Justiça Eleitoral, a alegação de que mesários poderiam votar no lugar de eleitores que não compareceram. Para liberar a urna, o terminal solicita a identificação biométrica do eleitor. Se a biometria falhar, há procedimentos adicionais de identificação e a ocorrência deve ser registrada.

Outra mensagem enganosa orienta eleitores a anotar o número de seu candidato ao lado da assinatura no caderno de votação para permitir uma posterior conferência dos votos. Segundo o TRE-PR, além de a prática ser ilegal, ela não permitiria relacionar o eleitor ao voto registrado, já que o sistema preserva o sigilo e não mantém uma associação entre a identidade de quem votou e a escolha feita na urna.

A Justiça Eleitoral mantém a página Fato ou Boato, que reúne checagens sobre informações relacionadas ao processo eleitoral e que pode ser usada para conferir informações encontradas nas redes sociais.

* Com informações de Giulia Granchi e Mariana Sanches, da BBC News Brasil em Londres e em Washington

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