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Protestos na França: premiê condena violência em atos estudantis | G1

Pelo menos 715 policiais e 215 adolescentes já ficaram feridos em confrontos durante as manifestações, que atingiram sua maior mobilização nesta terça (6).

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O primeiro-ministro da França , Sébastien Lecornu, afirmou nesta terça-feira (6) que "não pode haver espaço para tolerância à violência" ao falar sobre os protestos estudantis que vem reunindo milhares de estudantes pelas ruas em todo o país.

Em discurso no Parlamento, o premiê francês condenou atos de vandalismo que vêm sendo praticados e disse que eles pioram ainda mais a situação das escolas - os manifestantes apontam a precariedade da infraestrutura de várias delas como motivação.

"Incendiar uma escola secundária não melhora o estado dos edifícios escolares. Linchar um professor não ajuda a substituir professores", disse ele ao parlamento, acrescentando que era uma "mentira" sugerir que o governo havia ordenado "repressão policial" contra os manifestantes.

Os protestos estudantis começaram em setembro na região de Paris e rapidamente se espalharam por todo o país entre os alunos. Segundo as autoridades francesas, esta terça é o dia de maior mobilização até o momento, com cerca de 256 mil pessoas nas ruas.

Em Marselha , Nantes e Lyon, os protestos de rua começaram pacificamente no meio da manhã, mas em Estrasburgo, Lyon e Rennes, eles tornaram-se violentos, com a polícia disparando gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que atearam fogo nas ruas e lançaram projéteis.

A maior manifestação está prevista para ocorrer na capital do país, Paris, à tarde.

De acordo com a União dos Estudantes do Ensino Médio, 1.800 escolas estão bloqueadas ou fecharão durante o dia.

Apesar das críticas, segundo a agência de notícias Reuters, Lecornu ordenou que seus ministros atendam às principais reivindicações dos estudantes e enviem propostas para as melhorias até o fim do mês . Entre as medidas que devem ser tomadas está:

garantir a substituição de professores ausentes

rever a duração do dia letivo - das 8h às 18h

Alunos da França fazem protestos com foto em Saint-Denis, próximo a Paris. — Foto: Abdul Saboor/Reuters

Faz duas semanas que esses protestos vêm ocorrendo. Os manifestantes reclamam de jornadas excessivamente longas, de condições inadequadas nas salas de aula (quentes demais no verão, por exemplo) e de ausências excessivas de professores.

Após começarem na periferia de Paris, as manifestações vêm se tornando violentas. Diversos confrontos entre manifestantes e policiais foram registrados, e milhares de estudantes foram detidos pela polícia.

O Ministério do Interior da França diz que 6.100 pessoas foram presas desde o início dos protestos, sendo a esmagadora maioria delas menores de idade . Mais de 1.800 estão sendo processadas, incluindo 1.483 menores, informou o Ministério da Justiça.

O chefe da polícia de Paris afirmou durante o fim de semana que os protestos estudantis na capital francesa estavam "fora de controle".

Pelo menos 715 policiais e 215 adolescentes ficaram feridos nos confrontos, segundo o gabinete do primeiro-ministro francês.

Nesta segunda-feira (5), um estudante de 15 anos teve a mão arrancada em Lens , no norte da França. O incidente ocorreu após ele pegar uma granada de efeito moral da polícia, que explodiu quando ele tentava arremessá-la de volta na direção dos agentes , afirmou uma fonte ligada ao sindicato dos policiais à agência de notícias AFP.

Os amplos protestos causaram uma crise política para o governo de Emmanuel Macron. A mídia francesa afirmou que o presidente estaria "apavorado" com a crise. Oficialmente, Macron reconhece que as reivindicações do movimento são legítimas, mas a violência, não.

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Thursday, October 29, 2026

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