VÍDEOS mostram saques em lojas na França e desespero de comerciantes | G1
Testemunhas registraram cenas que revoltaram as redes sociais em vídeos que viralizaram: um homem sendo agredido pelas costas após confrontar os manifestantes, uma mulher tentando apelar para a razão e o choro de um lojista que perdeu tudo.
Vídeos que viralizaram nas redes sociais mostram o desespero de comerciantes e a tentativa de evitar a destruição completa de suas lojas durante o dia intenso de protestos que a França viveu no sábado (17).
Um deles mostra o dono de uma franquia da maior rede de varejo de videogames e cultura pop da França , a Micromania, em Nice, tentando proteger a porta de sua loja com o próprio corpo. Em determinado momento, ao ser confrontado por um dos jovens, ele anda em direção a ele e, ao virar de costas, é atacado com um chute e lançado no chão com força.
Outro vídeo mostra uma mulher que ainda tentou se colocar na frente dos manifestantes e apelar para a razão. Nas imagens, ela questiona o porquê deles estarem fazendo aquilo e diz que os saques não fazem parte da causa que os protestos estão defendendo.
Apesar da tentativa, ela não é ouvida e um dos manifestantes, que não participava do ato de vandalismo, a afasta e pede:
"Você vai se machucar. Eles não vão ouvir a razão".
Um terceiro vídeo mostra um comerciante após o ataque à sua loja. Sentado na fachada, ele chora ao ver a destruição total do local.
"Vocês talvez tenham destruído o único meio de vida dele", criticou a pessoa que filmou a cena na legenda.
No domingo (18), os protestos continuaram, mas em menor escala . Na porta de um supermercado em Paris, o dono fez um desabafo que também foi registrado em vídeo e postado nas redes.
"Olha só, que vergonha! Não é possível. Existe forma e boas maneiras para fazer exigências, mas não assim. O que fizemos para vocês? Somos homens de família. É o nosso maldito supermercado! Como vamos sobreviver agora? Estou atrasado com o seguro. É para mim que vocês estão trazendo suas exigências?", questionou.
À agência de notícias Reuters, Gerard Nouchi, gerente de duas lojas de roupas de Marselha que foram saqueadas, relembrou o que viveu:
"No sábado, fomos saqueados por jovens dos bairros, provavelmente dos distritos do norte. Eram muitos, pelo menos 5 ou 6 mil pessoas. Eles destruíram tudo, quebraram coisas, nos insultaram. Foi como um verdadeiro tornado, com o pano de fundo de uma polícia nacional com efetivo insuficiente. Criminosos prosperam quando pessoas honestas estão ausentes".
Cenas que viralizaram nas redes sociais de saques em lojas da França — Foto: X /Reprodução
➡️ A França vem enfrentando nas últimas semanas uma onda de manifestação que começaram a partir protestos estudantis e ganharam apoio de sindicatos e de manifestantes contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis. Nos últimos dias, no entanto, alguns atos ficaram violentos, com saques, prédios incendiados e confrontos com a polícia. No sábado (17), 2.400 pessoas foram detidas.
A onda inicial de protestos começou no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres ao norte de Paris e focava na indignação com a ausência de professores e nas instalações precárias das escolas.
Rapidamente, as manifestações se transforaram em um movimento nacional contra a desigualdade, a insuficiência de gastos públicos e a queda na qualidade dos serviços.
Os protestos ocorrem no momento em que o presidente Emmanuel Macron entra na reta final de seu mandato, deixando para trás um eleitorado polarizado e um cenário político interno fragmentado.
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