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VÍDEO: maior cheia registrada nas Cataratas do Iguaçu foi há 12 anos e teve vazão 30 vezes maior que a média | G1

Imagens de junho de 2014 mostram a força da água durante uma das maiores cheias registradas nas Cataratas. Vazão chegou a 46 milhões de litros por segundo.

· 1,128 words

Um vídeo registrado durante a cheia histórica de junho de 2014 nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu , no oeste do Paraná, mostra a força da água que quase encobriu completamente a passarela utilizada pelos turistas para observar as quedas. Assista acima.

Na ocasião, a vazão chegou a aproximadamente 46 milhões de litros por segundo, mais de 30 vezes a média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo.

As imagens mostram a correnteza passando por cima da passarela, que ficou praticamente encoberta pela água. Apesar da força do rio, as vigas e os pilares de concreto permaneceram no lugar.

A cheia de 2014 voltou a chamar atenção após o aumento da vazão das Cataratas nesta semana. Na quarta-feira (14), o volume chegou a 15,8 milhões de litros por segundo, mais de dez vezes a média, e a água também ultrapassou a altura da passarela.

Vazão das Cataratas do Iguaçu sobe e água passa sobre passarela em outubro de 2026 — Foto: Reprodução

Como a passarela resistiu à cheia histórica?

A resistência da estrutura está nas fundações construídas diretamente na rocha do leito do Rio Iguaçu.

A passarela atual foi construída na década de 1990 com uma técnica conhecida como estaca-raiz . O método utiliza perfurações que penetram na rocha e recebem estruturas de aço e cimento injetado sob pressão.

Infográfico: veja como é a estrutura da passarela das Cataratas do Iguaçu — Foto: Artes/g1

Esse sistema mantém os pilares firmemente presos à rocha e permite que a passarela suporte a pressão da correnteza, mesmo durante as grandes cheias.

Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pelas fundações da obra, explica que a técnica foi escolhida justamente pela capacidade de resistir a grandes forças.

"A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu", explicou.

Segundo o engenheiro, além do peso da passarela e dos visitantes, as fundações precisam suportar a pressão lateral da água, que aumenta conforme a vazão do rio.

Durante as cheias, troncos e outros materiais também podem atingir a estrutura. No entanto, segundo Lorenzi, a força exercida pela própria correnteza representa um esforço maior para as fundações.

Rio Iguaçu precisou ser desviado durante a construção

A construção da passarela atual começou em 1992, depois que a estrutura anterior, inaugurada em 1970, foi levada por uma cheia na década de 1980 . A nova passarela foi remontada em 1993.

Segundo Márcio Marcon, engenheiro que trabalhou na execução do projeto da passarela, a equipe precisou desviar temporariamente o Rio Iguaçu para impedir que a água chegasse ao local onde seriam instaladas as fundações.

Inicialmente, os responsáveis pela obra tentaram fazer o desvio em um ponto próximo às quedas. No entanto, a estrutura utilizada para conter a água não resistiu à primeira cheia e foi arrastada pela correnteza, junto com equipamentos utilizados pelos trabalhadores.

"Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta", afirmou.

Construção das Cataratas em 1992 — Foto: RPC

Depois do incidente, foi necessário mudar a estratégia. As equipes fizeram um novo desvio, desta vez a alguns quilômetros das Cataratas, para impedir que a água chegasse ao trecho da construção.

Com o leito do rio temporariamente seco, os trabalhadores conseguiram perfurar a rocha e instalar as fundações.

Segundo Marcon, o número de trabalhadores na obra variava entre 20 e 30 pessoas.

Como a segurança da passarela é monitorada após as cheias

A resistência da passarela é monitorada periodicamente por meio de inspeções e equipamentos capazes de identificar movimentações de poucos milímetros na estrutura.

Segundo a Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, o monitoramento não identificou deslocamentos nos pilares desde que a empresa passou a realizar as medições.

André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária, explica que pequenos equipamentos chamados prismas são instalados em pontos estratégicos da passarela. Eles permitem que uma estação de medição topográfica identifique possíveis mudanças na posição dos pilares, mesmo que sejam imperceptíveis a olho nu.

Turista visitando a passarela antes da conclusão do mirante da Garganta do Diabo — Foto: Arquivo Histórico Parque Nacional do Iguaçu

O procedimento compara a posição atual dos pilares com medições anteriores. Dessa forma, é possível verificar se a força da correnteza provocou algum deslocamento durante as cheias.

"Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente", afirmou Franzini.

Segundo ele, as avaliações são realizadas anualmente, mas podem ocorrer com maior frequência caso seja identificada alguma alteração ou depois de episódios de cheia.

Além desse acompanhamento, a reabertura da passarela após uma cheia depende de uma vistoria feita por um engenheiro estrutural, que verifica as condições dos pilares e de outros componentes.

O profissional analisa se houve danos, identifica possíveis riscos e emite um laudo técnico sobre as condições da estrutura.

A concessionária informou que a passarela só volta a receber visitantes quando a vazão fica abaixo de 8 milhões de litros por segundo e a avaliação técnica confirma que o acesso é seguro.

Antes disso, as equipes também precisam recolocar as grades metálicas de proteção, retiradas preventivamente durante as cheias. A instalação é feita gradualmente, com os profissionais trabalhando em trechos restritos da passarela.

Franzini explica que a concessionária também acompanha as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas antes de iniciar a reabertura, para reduzir o risco de uma nova elevação da vazão.

Caso as inspeções identifiquem algum problema, a frequência das avaliações pode ser ampliada e a estrutura permanece sob acompanhamento técnico.

Por que as grades da passarela são retiradas durante as cheias?

Mesmo construída para resistir à força da água, a passarela precisa ser fechada aos turistas quando a vazão do Rio Iguaçu aumenta.

Durante as grandes cheias, as grades metálicas de proteção podem ser retiradas preventivamente . A medida permite que a água passe com menos resistência e evita que galhos e troncos carregados pela correnteza fiquem presos à estrutura.

A retirada das grades faz parte de um protocolo de segurança adotado quando há previsão de que a água possa alcançar a passarela.

Trabalhadores retiram as grades da passarela nesta terça (13) — Foto: RPC

Em outubro de 2026, as grades foram novamente retiradas depois de três anos, diante da cheia que elevou a vazão das Cataratas a mais de dez vezes a média histórica, de 1,5 milhão de litros por segundo.

A retirada das proteções não significa que a estrutura esteja comprometida. A medida é preventiva e busca reduzir os esforços provocados pela passagem da água.

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Sunday, October 18, 2026

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