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Quem são os condenados por esquema de adulteração de leite no RS | G1

Grupo usava produtos químicos e reaproveitava alimentos vencidos na empresa Dielat, em Taquara. Maiores penas passam de 13 anos de prisão.

· 1,362 words

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou 15 pessoas por envolvimento na adulteração de produtos lácteos fabricados pela empresa Dielat , na cidade de Taquara , na Região Metropolitana de Porto Alegre.

A decisão, assinada na terça-feira (13), é desdobramento da Operação Leite Compensado , deflagrada em dezembro de 2024.

A sentença foi proferida pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, a partir de denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) .

Todos os 15 réus foram condenados por associação criminosa , e 13 deles também respondem por adulteração de produtos alimentícios .

De acordo com a decisão judicial, o grupo usava produtos químicos para alterar parâmetros do leite, mantinha registros paralelos para esconder irregularidades da fiscalização e reaproveitava produtos vencidos ou impróprios na fabricação de alimentos .

As maiores penas foram aplicadas a Antônio Ricardo Colombo Sader e Tales Bardo Laurindo , condenados a 13 anos e 4 meses de reclusão , em regime inicial fechado.

O g1 tenta localizar as defesas dos condenados e procurou a Dielat, mas não obteve retorno de todos até a publicação. Veja as manifestações abaixo.

Antônio Ricardo Colombo Sader era proprietário da empresa e ocupava a posição mais alta da estrutura identificada pela Justiça;

Tales Bardo Laurindo, por sua vez , era diretor industrial e, conforme a decisão, comandava a fábrica, adquiria cargas de leite ácido e deteriorado e coordenava depósitos clandestinos;

Gustavo Raimundo Lauck , condenado a 12 anos e 4 meses, é apontado na sentença como o responsável técnico pelas fórmulas usadas para neutralizar a acidez . Segundo o documento, ele repassava equações para calcular as dosagens de soda cáustica e peróxido de hidrogênio , além de atuar na ocultação de lotes durante fiscalizações;

Sérgio Alberto Seewald recebeu pena de 11 anos e 1 mês, em regime inicial fechado. O juiz o descreve como integrante do núcleo técnico-químico e afirma que ele forneceu fórmulas de neutralização, orientou o uso de soda em escamas e atuou no laboratório ;

Daniel Silvério Junior, Everson Cavalheiro e Jonatas Ramalho Hinschink foram condenados a 10 anos e 2 meses de prisão cada um, em regime inicial fechado. Os três exerciam funções de encarregados de turno e, segundo a sentença, atuavam na movimentação de insumos impróprios, na autorização da adição de soda cáustica aos silos e no reprocessamento de lotes deteriorados ;

Leonarda Manuela Peters , monitora de qualidade, recebeu pena de 7 anos e 8 meses, em regime inicial semiaberto. De acordo com a decisão, a responsabilidade atribuída a ela está relacionada à omissão no registro de não conformidades e à liberação de carregamentos de produtos adulterados ;

Deroci Vicente Dutra da Silva Filho , supervisor de produção, foi condenado a 4 anos e 1 mês. Conforme a sentença, ele transmitia ordens de dosagem de soda cáustica e peróxido, coordenava depósitos clandestinos e organizava a triagem de insumos impróprios ;

Manoela Schilling Flesch , analista de laboratório, foi condenada a 3 anos e 10 meses. Segundo a decisão, preenchia planilhas oficiais com dados forjados e fazia novas análises depois da neutralização dos produtos ;

Eduarda Luiza da Silva Rosa , que atuava como assistente de laboratório, também recebeu pena de 3 anos e 10 meses. A Justiça atribuiu a ela atuação no preenchimento de planilhas conforme orientação de superiores ;

Milena Maiara da Silva , líder do laboratório, foi condenada a 3 anos, 7 meses e 15 dias. Conforme a sentença, ela fazia os cálculos para determinar o volume de soda cáustica que seria colocado nos silos e transmitia as quantidades à equipe de produção ;

Adrieli Vitória de Mello , que atuou como analista, líder de laboratório e posteriormente no controle de qualidade, foi condenada a 2 anos e 5 meses. Segundo a sentença, calculava dosagens de soda cáustica e peróxido, transmitia orientações aos operadores e participou da manutenção de registros paralelos ;

Kennedy Saratt Leiria foi condenado a 1 ano e 6 meses por associação criminosa. Conforme a sentença, ele trabalhava no planejamento e controle de produção e custos e prestava suporte no fluxo de informações de estoque, rastreabilidade e logística dos depósitos ;

Alaete Girardi também recebeu pena de 1 ano e 6 meses por associação criminosa. Segundo a decisão, atuou no apoio administrativo e na “dissimulação financeira” ao ceder sua empresa para acobertar a remuneração pelos serviços prestados por Sérgio Alberto Seewald .

Grupo usava produtos químicos e reaproveitava alimentos vencidos na empresa Dielat, em Taquara — Foto: Reprodução/RBS TV

"Vitamina" era código para soda cáustica

Um dos pontos centrais da sentença é a utilização de produtos químicos para alterar a acidez do leite . Conforme a decisão, "vitamina" era o código usado para soda cáustica, enquanto "lactose" era empregado para se referir ao peróxido de hidrogênio .

De acordo com os autos, quando análises apontavam acidez elevada , eram feitos cálculos para definir a quantidade do produto químico que deveria ser adicionada aos silos . A sentença cita a apreensão de cadernos e agendas com fórmulas matemáticas usadas para determinar essas dosagens.

O documento afirma ainda que a soda cáustica era retirada da estrutura de limpeza da indústria e colocada nos silos por meio de baldes, funis ou tubulações . Depois da adição, novas análises eram feitas para verificar os parâmetros do produto.

A decisão também registra um episódio envolvendo o Silo 3. Segundo os autos, o leite inicialmente destinado à produção de UHT apresentou acidez elevada e recebeu soda cáustica. A produção de UHT foi então cancelada e o produto foi redirecionado para composto lácteo.

Produtos vencidos, ração animal e varredura de chão

Lotes de produtos lácteos vencidos foram encontrados em depósito clandestino — Foto: Vítor Rosa/RBS TV

Outro ponto destacado pela sentença é a existência de depósitos não declarados à fiscalização . Segundo a sentença, mais de 800 toneladas de mercadorias deterioradas, vencidas, sem rotulagem ou destinadas à alimentação animal foram encontradas em depósitos clandestinos , entre eles um galpão na Rua Amazonas.

A decisão relata ainda que produtos desses depósitos voltavam para a fábrica e eram reincorporados à produção . Há ainda referências ao reaproveitamento de raspagens das câmaras de secagem, materiais destinados à alimentação animal e resíduos de varredura de chão na fabricação de compostos lácteos.

A sentença também menciona uma simulação de descarte de produtos condenados pelo Ministério da Agricultura. Conforme o relato acolhido pelo juízo, dois sacos eram queimados na caldeira para a gravação de um vídeo, enquanto o restante do material seria mantido para reaproveitamento.

A decisão descreve ainda um sistema de registros paralelos . Segundo a sentença, resultados verdadeiros de análises eram mantidos em controles internos, enquanto planilhas apresentadas à fiscalização continham parâmetros que indicavam conformidade.

O juiz considerou que os depoimentos dos colaboradores não estavam isolados. Entre os elementos citados para corroborá-los estão certificados oficiais de análise, depoimentos de auditores e investigadores, cadernos com fórmulas químicas, planilhas digitais e os produtos apreendidos nos depósitos.

Os laudos analisados no processo apontaram irregularidades em diferentes produtos . Entre elas estavam alterações de acidez, teor de proteínas e lactose fora dos padrões, presença de coliformes, DNA bovino em leite de cabra e maltodextrina não declarada em leite em pó integral.

A sentença determinou o perdimento e a destruição definitiva dos produtos lácteos, insumos, matérias-primas e substâncias alimentícias apreendidos nos autos e nos depósitos vinculados à Dielat e à Agrovita . O Ministério da Agricultura deverá ser comunicado para providenciar o descarte caso ele ainda não tenha ocorrido.

Também foi determinada a comunicação da decisão às prefeituras que tenham contratos vigentes ou licitações em andamento com pessoas jurídicas vinculadas aos réus, especialmente em programas de alimentação escolar.

"A Defesa de Sergio e Alaete informa que tomou ciência da sentença, ainda na noite de ontem, embora não intimada, e reitera a necessidade de respeito à presunção de inocência.

Informa, ainda, que será apresentado recurso, no prazo legal, uma vez que existem elementos técnicos que demonstram a inocência de Sergio e Alaete, além de uma série de graves nulidades.

A defesa, na pessoa dos advogados Augusto Vilela e Miguel Wedy, confia nas instâncias superiores, que já reconheceram abusos ocorridos e improcedências em casos como este."

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Sunday, November 1, 2026

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