Livro acusa rei Charles de palavras 'insensíveis' após morte de Diana | G1
Polêmica ameaça ofuscar um dia bastante movimentado para a família real, com o rei e os príncipes William e Harry participando de diversos eventos.
Charles e Diana fotografados durante uma visita à Hungria em 1990, dois anos antes da separação, e o Conde Spencer durante uma entrevista à BBC em 2024 — Foto: Getty Images / BBC
O Palácio de Buckingham está envolvido em uma disputa verbal com Charles Spencer, o conde Spencer, irmão de Diana, princesa de Gales, por causa de um polêmico livro de memórias sobre a vida e a morte dela.
Segundo trechos publicados no jornal Daily Mail, o rei Charles III é acusado de ter dito de forma insensível ao conde Spencer, após a trágica morte de Diana em 1997, que "nós a esqueceremos em breve".
Mas o Palácio reagiu com uma veemência incomum, irritado com as alegações e tentando lançar dúvidas sobre elas.
"Embora, por princípio, não comentemos livros, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraternal pode obscurecer a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda", afirmou.
A linguagem utilizada lembra a resposta inesperadamente firme da Rainha Elizabeth às acusações de racismo feitas pelo duque e pela duquesa de Sussex (o príncipe Harry e sua esposa, Meghan) em 2021, com o comentário de que "as lembranças podem ser diferentes".
E a polêmica ameaça ofuscar um dia bastante movimentado para a família real — com o rei, o príncipe William e sua esposa, Catherine, participando de eventos e o príncipe Harry fazendo sua primeira aparição pública desde que retornou ao Reino Unido .
O livro de Charles Spencer, Swan Song: Diana, My Sister ( Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã , em tradução literal), que será lançado na próxima semana , parece destinado a reabrir um período muito difícil na história recente da Família Real — escrito a partir da perspectiva da própria família Spencer.
A morte de Diana, uma figura extremamente popular, criou uma atmosfera instável, na qual a família real foi acusada de não demonstrar sentimentos e empatia, e de parecer alheia ao sentimento público.
O discurso emocionado e desafiador do conde Spencer no funeral dela aumentou ainda mais a nuvem de ressentimento que pairava sobre a morte repentina de Diana — em virtude dos graves ferimentos após um acidente de carro em Paris. E este livro oferecerá uma visão privilegiada desses eventos.
No trecho publicado, o conde Spencer afirma que o então príncipe de Gales o submeteu a uma "torrente de fúria" depois de ele, o conde Spencer, ter insistido que Diana não teria desejado que os príncipes William e Harry, então com 15 e 12 anos, tivessem que participar do cortejo fúnebre dela.
O conde Spencer escreveu no livro: "Ele [Charles] desabafou ao telefone o que sempre interpretei como seu desprezo reprimido por Diana e seu horror pelo fato de o mundo ter ficado tão abalado com a morte dela. 'Fiquem tranquilos', ele sussurrou, 'nós a esqueceremos em breve'."
Essa alegação está sendo rejeitada pelo Palácio, que a considera totalmente incompatível com a personalidade de um homem profundamente compassivo, que na época estava lidando com seu próprio luto e o de seus dois filhos.
Julian Payne, ex-secretário de comunicações do monarca, disse à BBC que os supostos comentários do rei relatados no livro "simplesmente não são uma linguagem que eu reconheça".
Ele disse que a declaração "altamente incomum" do Palácio demonstrou a "forte intensidade dos sentimentos que devia haver para que eles sentissem a necessidade de vir a público e corrigir a situação".
O então príncipe Charles e o conde Spencer se encontraram na África do Sul em novembro de 1997, três meses após a morte de Diana — Foto: PA Media
A disputa surge em um momento em que vários eventos da realeza estarão competindo pela atenção do público.
O rei Charles III deverá intervir no debate sobre inteligência artificial, apelando a líderes da indústria para que impeçam que ela se torne uma força destrutiva.
"Os que, em nosso mundo, valorizam nossa humanidade e seu componente moral essencial buscam ansiosamente sua garantia de que não perderemos o controle do nosso destino", deverá dizer o rei nesta quinta-feira, ao receber representantes das principais empresas de IA na Dumfries House, em Ayrshire.
"O desenvolvimento da IA, sua essência e seu ritmo, são ao mesmo tempo intrigantes e profundamente preocupantes", dirá o rei.
O rápido avanço da tecnologia gerou receios quanto à sua segurança, bem como uma ameaça a empregos.
O rei estará acompanhado pelo ministro britânico para Inteligência Artificial, Kanishka Narayan, e por representantes de empresas de tecnologia como OpenAI, Anthropic, Nvidia e Google DeepMind.
Ele questionará como os benefícios da IA podem ser aproveitados, garantindo ao mesmo tempo sua segurança, e levantará a questão da possibilidade de cooperação internacional para protegê-la do uso indevido.
E está previsto que o rei Charles declare que "as decisões tomadas neste momento crucial moldarão o mundo que as gerações futuras herdarão". "Portanto, a tarefa que vocês têm pela frente não é apenas fazer avançar a tecnologia, mas garantir que ela permaneça firmemente a serviço da humanidade, da comunidade e do mundo natural."
Enquanto isso, ao longo do dia, o príncipe William e Catherine visitarão projetos comunitários e de voluntariado na ilha de Bute, na costa oeste da Escócia.
O casal – que na Escócia é conhecido como duque e duquesa de Rothesay, e não como príncipe e princesa de Gales – fará sua primeira visita oficial à cidade de Rothesay.
Eles acompanharão uma demonstração do esporte tradicional shinty, visitarão um pub pertencente à comunidade e conhecerão o trabalho de pessoas que atuam na proteção do meio ambiente natural da ilha.
Mais tarde, o príncipe Harry realizará seu primeiro grande evento público desde que retornou ao Reino Unido , quando comparecerá à cerimônia inaugural do prêmio Invictus.
O evento celebrará a "resiliência, o serviço e o espírito indomável" daqueles envolvidos nas competições esportivas para militares feridos.
Ainda não se sabe se ele estará acompanhado de sua esposa, Meghan.
É incomum haver tantos eventos reais ao mesmo tempo, mas isso pode ser um sinal do que está por vir, com o príncipe Harry e Meghan de volta ao Reino Unido e conduzindo sua própria agenda de compromissos.
Uma carta enviada em nome do rei na semana passada deixou claro que os Sussex não estão realizando compromissos oficiais da realeza , mas que, mesmo como "cidadãos comuns", é provável que atraiam grande atenção da imprensa durante suas visitas.
A carta sugere que ainda há alguma tensão entre os membros da Família Real e levantou questões sobre como Harry e Meghan se encaixarão nos arranjos mais amplos da família real.
Harry e Meghan já foram notícia esta semana por terem mudado a escola dos filhos , devido a preocupações com a segurança no trajeto para a escola.
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