Aldir Blanc faria 80 anos: série de homenagens celebra compositor | G1
Autor de clássicos como 'O Bêbado e a Equilibrista', 'O Mestre-Sala dos Mares' e 'De Frente pro Crime', letrista morreu em 2020, aos 73 anos, vítima de Covid-19.
Aldir Blanc, um dos maiores letristas da música brasileira e cronista atento do Rio de Janeiro , completaria 80 anos nesta quarta-feira (2).
Seis anos após sua morte, por Covid-19 , o compositor é celebrado por artistas de diferentes gerações em uma série de homenagens que inclui shows, disco, dois documentários e programação especial no rádio .
Nascido no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1946, Aldir construiu uma obra marcada pelo humor, pela observação do cotidiano e por personagens e histórias profundamente ligados à cidade.
Em cerca de 50 anos de carreira, deixou mais de 600 músicas e teve como parceiros nomes como João Bosco , Guinga, Moacyr Luz, Cristóvão Bastos, Sueli Costa, Maurício Tapajós, Djavan, Ivan Lins e Edu Lobo.
Entre suas composições mais conhecidas estão “O Bêbado e a Equilibrista”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “Bala com Bala”, “Caça à Raposa”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá” e “De Frente pro Crime”. Muitas ganharam interpretações marcantes de Elis Regina , uma das principais responsáveis por levar as letras de Aldir ao grande público.
Mariana Baltar e Água de Moringa — Foto: Silvana Marques / Divulgação
Nesta quarta (2) , quando Aldir completaria oito décadas, a cantora Mariana Baltar e o sexteto Água de Moringa se apresentam às 19h na Casa do Choro , no Centro do Rio ( saiba mais ).
O repertório parte de “Os Arcos – Paixão e Morte”, álbum lançado em 2019 por Mariana e o grupo e dedicado à obra de Aldir . A faixa que dá nome ao trabalho é uma suíte composta por João Bosco e Aldir em 1971, no início da parceria entre os dois.
A obra chegou a ser registrada em 1973 para o primeiro disco de João Bosco, com arranjo de Luiz Eça, mas acabou ficando de fora do LP por causa de seus nove minutos de duração.
Também nesta quarta, a Rádio Cultura Brasil dedica parte de sua programação aos 80 anos do compositor . Ao longo do dia, serão exibidos depoimentos de João Bosco, Guinga, Cristóvão Bastos, Moacyr Luz, Teresa Cristina e do jornalista e biógrafo Luiz Fernando Vianna .
Às 17h, João Marcello Bôscoli relembra histórias sobre Aldir acompanhadas de canções do compositor gravadas por sua mãe, Elis Regina , entre elas “Corsário”, “O Bêbado e a Equilibrista” e “O Mestre-Sala dos Mares”.
A homenagem no rádio termina às 23h, com um programa produzido e apresentado por estudantes de Jornalismo, Rádio, TV e Internet. A proposta é contar a trajetória de Aldir pelo olhar de uma geração que conheceu boa parte de sua obra através de seus intérpretes.
Jardim Aldir Blanc, na Tijuca: celebração foi adiada devido à previsão de chuva — Foto: Marcelo Alvarenga/Prefeitura do Rio
O encontro realizado anualmente na Praça Jardim Aldir Blanc – inaugurada em 2023 – e que reúne músicos, cantores e admiradores do compositor para uma roda dedicada às suas canções, terá uma edição especial, que seria no domingo (6), mas foi adiada devido à previsão de chuva.
Batizada de “Aldir 80” , a festa foi remarcada para 11 de outubro , a partir das 11h.
Imagem de Aldir Blanc no cartaz do documentário de Marcus Fernando e Hugo Sukman — Foto: Divulgação
A relação de Aldir Blanc com o Rio e uma faceta mais íntima do compositor também chegarão às telas do Festival do Rio , que terá dois documentários sobre ele na edição deste ano.
“Aldir Blanc – Resposta ao Tempo” , dirigido e roteirizado por Marcus Fernando e Hugo Sukman, integra a Mostra Retratos da Première Brasil e terá première mundial no festival .
Batizado com o nome da parceria de Aldir com Cristóvão Bastos imortalizada na voz de Nana Caymmi, o documentário mergulha no universo criativo do compositor e na geografia que ajudou a formar sua obra.
O filme dá destaque ao subúrbio e à Zona Norte do Rio, territórios que forneceram a Aldir personagens, histórias e situações transformados em letras de música e crônicas . O documentário havia sido inicialmente intitulado “Aldir Blanc – Ourives do Palavreado”, referência à definição dada a ele por Dorival Caymmi.
Outro lado do compositor aparece em “Fui Olhar Você Dormir” , dirigido por Anna Azevedo. O documentário parte de cerca de 2 mil bilhetes escritos por Aldir para a mulher, Mari Lúcia de Sá Freire Lúcia, ao longo de 35 anos .
Os textos tratam de amor, ciúme, dor e da vida do casal. Seis anos depois da morte do compositor, Mari continua encontrando alguns desses bilhetes escondidos em objetos no apartamento onde os dois viveram, na Tijuca.
A partir desse material e de imagens de família, o filme constrói um retrato íntimo de Aldir.
O grupo vocal Equale canta 13 músicas com letras de Aldir Blanc no álbum 'Salve, Aldir!' — Foto: Cezar Adnet / Divulgação
O Grupo Vocal Equale também escolheu os 80 anos para lançar “Salve, Aldir!” , álbum dedicado ao compositor. O disco, lançado em agosto pela Biscoito Fino, reúne 13 músicas em 12 faixas e tem participações de Guinga, Ilessi, Marcos Sacramento e Cristóvão Bastos.
O repertório passa por diferentes parceiros de Aldir e inclui “Corsário”, “Resposta ao Tempo”, “Coisa Feita”, “Querelas do Brasil”, “Nação”, “Êxtase”, “Chá de Panela” e “Altos e Baixos”.
O Equale leva o trabalho ao palco no dia 12 de setembro, às 20h30, no Teatro Brigitte Blair , em Copacabana ( veja mais detalhes ). Sob direção musical de André Protásio, o grupo reúne 17 cantores e apresenta novos arranjos vocais para a obra do compositor.
Capa do álbum 'Salve, Aldir!', do grupo vocal Equale — Foto: Divulgação
Outra homenagem está marcada para 1º de outubro , quando Guinga, Moacyr Luz e Zé Renato se reúnem no Teatro Rival Petrobras para o espetáculo “Aldir Blanc – 80 Anos” ( saiba mais ).
O repertório inclui “De Frente pro Crime”, “Kid Cavaquinho”, “Só Dói Quando Eu Rio”, “Coração do Agreste” e “Chá de Panela”. Os ingressos para a apresentação de outubro se esgotaram em menos de 48 horas, e uma data extra foi aberta para 25 de novembro .
Guinga e Moacyr foram parceiros de Aldir . Com Guinga, o letrista compôs músicas como “Catavento e Girassol”; com Moacyr, escreveu, entre outras, “Saudades da Guanabara”. Zé Renato também tem longa relação como intérprete de sua obra.
As comemorações começaram antes mesmo do aniversário. No último sábado (29), o cantor Augusto Martins e o pianista, arranjador e maestro Paulo Malaguti Pauleira apresentaram, na Acaso Cultural, em Botafogo, o espetáculo “Aldir Blanc 80 anos: Como Canções e Epidemias”, com participação especial de Moacyr Luz.
Da medicina para a música, e a morte por Covid
Aldir Blanc ingressou na Faculdade de Medicina em 1966 e se especializou em psiquiatria, mas deixou a profissão na década seguinte para se dedicar integralmente à música.
No fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, aproximou-se de compositores como Ivan Lins e Gonzaguinha e integrou o Movimento Artístico Universitário (MAU). Foi também nesse período que começou a parceria com João Bosco, uma das mais importantes da história da música popular brasileira.
A dupla assinou dezenas de canções. Elis Regina gravou várias delas ao longo dos anos 1970, entre as quais “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “Caça à Raposa”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá” e, em 1979, “O Bêbado e a Equilibrista”.
Além da música, Aldir se destacou como escritor e cronista. Em textos publicados em jornais e livros, transformava em personagens o cotidiano da Zona Norte, as conversas de bar, o futebol, o carnaval e as histórias do Rio.
Nascido no Estácio e criado em Vila Isabel, Aldir tinha na cidade uma de suas principais fontes de inspiração. Vascaíno, também escreveu sobre futebol e ajudou a batizar o bloco Simpatia É Quase Amor, tradicional no carnaval de Ipanema.
Aldir Blanc morreu em 4 de maio de 2020, aos 73 anos, vítima da Covid-19. Ele estava internado no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, após apresentar pneumonia e um quadro de infecção generalizada.
Seis anos depois, as homenagens pelos 80 anos mostram como sua obra continua atravessando gerações — seja nos palcos, nas telas ou nas vozes de artistas que mantêm vivas as histórias que Aldir transformou em música.
Aldir Blanc canta no Prêmio Shell de Música, no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio, em novembro de 2004 — Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo/Arquivo
Topics in this story
Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.