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Professor com deficiência auditiva adapta aulas em escola de Sorocaba | G1

Marcelo Alves Moraes, de 55 anos, dá aula de ciências e práticas experimentais em uma escola pública da zona oeste de Sorocaba; atualmente o professor adapta suas aulas para conseguir se comunicar com os alunos.

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Falas, risadas, perguntas, ensinamentos e até broncas. O som do apontador, da caneta batendo na mesa ou da mão batucando uma capa de caderno. Toda essa descrição pode te colocar dentro de uma sala de aula só com sua imaginação. Esses sons fazem parte desse ambiente e nos lembram dos principais personagens desta cena: alunos e professor.

É exatamente nesta mistura sonora que Marcelo Alves Moraes, de 55 anos, vive a sua profissão diante de uma perda progressiva de audição. Dividido entre o desafio de ensinar a disciplina de ciências e adaptar sua comunicação com os alunos, o professor de Sorocaba (SP) adapta suas aulas na Escola Estadual Professor José Odin de Arruda para manter o interesse dos adolescentes.

"Depois que piorou minha audição, tenho dificuldade em ouvir a voz dos alunos. Solicito para repetir várias vezes e também para falar pausado, para que eu possa compreender. Meu aparelho auditivo é normal. Minha deficiência é neurossensorial. Não tem tratamento e está sendo uma perda progressiva", explica Marcelo.

Professor que tem perda auditiva adapta aulas para alunos ouvintes no interior de SP — Foto: Redes sociais / Reprodução

A história do professor de ciências celebra o Dia dos Professores nesta quinta-feira (15). Em setembro de 2026, Marcelo recebeu o prêmio "Professor Nota 10" da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Foi a partir de um olhar curioso na infância que ele decidiu a profissão que queria para o resto da vida. Sempre atento às feiras de ciência, a natureza ao seu redor e às explicações em sala de aula, Marcelo entendeu que queria crescer e "ser igual a professora Conceição".

"Minha perda auditiva começou na vida adulta, depois de dez anos dando aula que eu comecei a fazer os exames de audiometria. Hoje minhas aulas são adaptadas. Faço muitas experiências porque os alunos adoram. A participação e engajamento é satisfatório. Utilizo metodologia ativas, também tem aulas invertidas... são onze turmas do fundamental", relata.

Já são 26 anos em sala de aula e, apesar do reconhecimento com prêmios e a inspiração compartilhada para os alunos que também tem um olhar curioso, Marcelo não deixa de contar sobre as dificuldades que tem enfrentado para continuar fazendo o que ama.

A deficiência auditiva o afeta cotidianamente, com um zumbido agudo e constante. Mas como um bom professor, ele faz questão de explicar de forma didática o que acontece em seu sistema auditivo:

"Tenho recrutamento auditivo (ou recrutamento de sonoridade), que é o crescimento anormal e rápido da percepção do volume sonoro provocando desconforto. Devido a essa deficiência auditiva, tenho extrema sensibilidade ao barulho e ruídos que leva a alteração e oscilação de humor, além do cansaço mental e físico".

Em um breve desabafo, Marcelo também ressalta sobre a dificuldade emocional de encarar este diagnóstico.

"Por exemplo, às vezes ao ouvir sons, músicas, podemos nos emocionar, rir, chorar, voltar no tempo... Então, tudo isso é o que a nossa audição nos faz sentir. Perder esse sentido desencadeia muitas emoções de estresse. É delicado falar sobre isso", conclui.

Apesar dos impactos da perda de audição em sua vida, Marcelo encontra na educação uma forma de se manter ativo com os outros sentidos.

No cenário apresentado no início da reportagem, de uma sala de aula com os sons e a comunicação entre alunos e professores, Marcelo se vê com frequência neste revezamento de papeis. O estudo é um compromisso, assim como o ensinamento.

"Sou formado em Biologia e também em Educação Física, mas atualmente estou estudando Libras. Fiz um ano de curso e agora estou fazendo a pós-graduação em Libras. Hoje vejo que a maneira que cada pessoa percebe e sente o mundo à sua volta é diferente. Se todos respeitassem essa premissa, não haveria conflitos na nossa breve, curta e efêmera existência", finaliza.

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Thursday, October 15, 2026

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