Predadores da Amazônia: conheça 5 animais no topo da cadeia alimentar | G1
Onça-pintada, surucucu-pico-de-jaca, gavião-real, ariranha e jacaré-açu estão entre os animais que ocupam posições de destaque na cadeia alimentar e desenvolveram diferentes estratégias para capturar suas presas.
Animais são consideradas cinco maiores predadores da floresta Amazônica. — Foto: Reprodução
No Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), uma das formas de conhecer a riqueza da maior floresta tropical do mundo é olhar para alguns dos animais que ocupam posições de destaque na cadeia alimentar.
Fortes, ágeis, estratégicos e, em alguns casos, venenosos, esses animais desenvolveram diferentes habilidades para sobreviver e capturar suas presas. Há os que usam força e velocidade, os que atacam de surpresa e até os que contam com armas bioquímicas, como o veneno.
A Amazônia abriga uma das maiores diversidades de espécies do planeta. Entre tantos animais, alguns são considerados predadores por reunirem três características: capturam, matam e consomem suas presas.
Para entender como esses animais atuam na natureza, o g1 ouviu o biólogo Obed Barros, que explicou as estratégias utilizadas por cinco dos grandes predadores encontrados na Amazônia. Confira abaixo .
Segundo o biólogo, para que um animal seja considerado predador, ele precisa realizar três ações durante a chamada predação: capturar, matar e consumir outro animal.
Para isso, cada espécie desenvolveu características próprias que ajudam na sobrevivência e na caça.
“Os predadores têm normalmente a camuflagem para aproximação. São velozes. Para matar, podem usar garras, dentes, saltos específicos, força. Existem também os que matam com armas bioquímicas, como as cobras, que matam pelo veneno e também para o consumo, como uma digestão mais rápida, um aproveitamento maior do que se come”, explicou.
Conheça cinco grandes predadores da Amazônia.
Onça pintada é considerada um dos maiores predadores da Amazônia. — Foto: Edir Alves
Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada é um dos predadores mais emblemáticos da Amazônia. O animal pode pesar entre 60 e 95 quilos e chegar a cerca de 1,5 metro de comprimento, sem contar a cauda.
A espécie pode ser encontrada desde o sul do México até a Argentina. Na Amazônia, ocupa principalmente áreas de terra firme, mas também pode ser encontrada em regiões de várzea e igapó.
A onça tem hábitos predominantemente crepusculares e utiliza sentidos como visão, audição e olfato para localizar suas presas.
Durante a caça, pode se aproximar silenciosamente e usar um ataque rápido para surpreender o animal. As garras ajudam a segurar a presa, enquanto a forte mordida é uma das principais armas para matá-la.
A força do felino permite que ele ataque animais de grande porte, como antas. Dependendo do tamanho da presa, a onça pode permanecer se alimentando dela por vários dias.
Surucucu-pico-de-jaca é vista com menos frequência na natureza — Foto: Willianilson Pessoa/Arquivo
Entre as serpentes da Amazônia, a surucucu-pico-de-jaca se destaca pelo tamanho. Segundo o biólogo, é a maior cobra peçonhenta encontrada na região e pode chegar a cerca de 3,5 metros de comprimento.
O nome popular está relacionado à aparência da pele, formada por escamas ásperas que lembram a casca de uma jaca. A espécie apresenta coloração amarelada, com desenhos escuros em formato triangular.
De hábitos solitários, a surucucu utiliza uma estratégia de espera para capturar suas presas. Ela pode permanecer imóvel até que um animal se aproxime.
A língua auxilia na percepção de partículas e odores presentes no ambiente. A serpente também consegue perceber vibrações e possui estruturas capazes de detectar o calor emitido por outros animais.
Quando identifica uma presa, realiza um ataque rápido e utiliza as presas especializadas para inocular o veneno.
A substância pode provocar efeitos no sistema nervoso, danos aos tecidos e alterações na coagulação e provocar hemorragias. O veneno também auxilia no processo de digestão da presa.
Gavião-real (Harpia harpyja) fotografado em Manaus (AM) — Foto: Priscilla Diniz/VC no TG
Com até cerca de 1 metro de altura, o gavião-real é uma das maiores e mais impressionantes aves de rapina da Amazônia.
A principal arma do animal são as garras. Os dedos fortes e as unhas, que podem chegar a aproximadamente 7 centímetros, são usados para capturar e perfurar as presas.
O gavião-real vive principalmente em áreas de floresta e costuma utilizar árvores de grande porte como pontos de observação. De lá, consegue localizar animais que circulam pela mata.
Gavião-real. — Foto: Carlos Tuyama/Arquivo pessoal
A alimentação inclui mamíferos como macacos, preguiças e roedores. Dependendo da situação, também pode atacar animais que estejam no solo ou em áreas mais abertas da floresta.
Apesar do tamanho, é uma ave difícil de ser observada na natureza.
Ariranhas podem ser encontradas na região norte da Amazônia, em Roraima — Foto: Thiago Orsi Laranjeiras/Divulgação
Também conhecida como lontra-gigante, a ariranha é a maior espécie entre as lontras. No Amazonas, pode ser encontrada em rios, lagos e outros ambientes de água doce.
O animal é semiaquático e vive em grupos familiares, que podem reunir de três a 20 indivíduos, dependendo da presença de filhotes.
Diferentemente de outros predadores da lista, a ariranha concentra sua caça no ambiente aquático. A dieta é formada principalmente por peixes, mas outros pequenos animais também podem fazer parte da alimentação. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) destaca que a espécie pode se alimentar de peixes como jaraqui, aracu, piranha e pacu.
Viveiro de ariranhas é uma das atrações do Bosque da Ciência — Foto: Jamile Alves/G1 AM
A espécie também chama atenção pela comunicação. As ariranhas utilizam diferentes vocalizações para se comunicar dentro do grupo.
Durante a caça, o animal captura o peixe e costuma levá-lo para a margem antes de se alimentar, começando pela cabeça.
Grupos adultos são capazes de se defender de outros grandes predadores. A vida em grupo aumenta a capacidade de proteção dos indivíduos, principalmente dos filhotes.
Com mais de 5 metros de comprimento e podendo chegar a tamanhos ainda maiores, o jacaré-açu é o maior dos jacarés encontrados no Brasil. O animal também está entre os grandes predadores dos ambientes aquáticos da Amazônia.
É um predador oportunista e pode se alimentar principalmente de peixes, mas também capturar aves e outros animais que se aproximam da água. Carcaças também podem fazer parte da alimentação.
A estratégia de caça envolve o fator surpresa. Dentro da água, o jacaré pode se aproximar por baixo e atacar rapidamente. Nas margens, também pode avançar sobre animais que estejam próximos.
Quando captura uma presa de grande porte, utiliza a força da mandíbula e movimentos do corpo para arrancar pedaços.
A mordida é uma das principais armas do jacaré-açu, que consegue exercer grande pressão com as mandíbulas.
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