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Thursday, September 3, 2026

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Gloria Steinem, ícone do feminismo, morre aos 92 anos nos EUA | G1

Jornalista foi uma das principais vozes do movimento feminista dos EUA, encabeçou manifestações que motivaram mudanças constitucionais, fundou diversas organizações e também publicações. Fundação que leva seu nome disse que ela morreu em casa, em Nova York, "de forma pacífica".

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Em imagem de arquivo, a ativista Gloria Steinem participa de um proteste por direitos iguais na frente da Casa Branca, em Washington, em 1981 — Foto: Scott Applewhite/ AP

A jornalista e ativista norte-americana Gloria Steinem, um dos maiores ícones do movimento feminista nos Estados Unidos , morreu aos 92 anos em Nova York , anunciou nesta quinta-feira (3) a fundação que leva seu nome.

De acordo com a fundação, Steinem, que por mais de cinco décadas lutou pelos direitos reprodutivos e por mais participação das mulheres na política, além de fundar publicações e diferentes organizações , morreu em sua casa na quarta-feira (2). A causa da morte não foi divulgada.

"Ontem, Gloria Steinem faleceu pacificamente em sua casa na cidade de Nova York, cercada por algumas das muitas pessoas que a amavam. O quase um século de vida de Gloria foi bem vivido, e ela continuou trabalhando pela igualdade até o fim", anunciou a fundação Gloria Steinem.

👉 Fundadora da "Ms.", revista que existe desde a década de 1970, escrita por mulheres e dedicada à cobertura de notícias ligadas ao feminismo, Steinem foi uma das vozes mais ativas e conhecidas do movimento feminista dos Estados Unidos .

A ativista Gloria Steinem. — Foto: Divulgação

Ela emergiu como um nome forte do movimento na segunda onda do feminismo nos EUA, no fim da década de 1960. Desde então, lutou por mais direitos para mulheres e pela inclusão de mulheres na vida política dos Estados Unidos e do mundo.

👉 Anos depois, Steinem revelou que ingressou no ativismo após ter diversas reportagens sobre o feminismo negadas em publicações por onde trabalhou no início da carreira jornalística. Steinem afirmou que teria se limitado apenas à escrita se os editores da época estivessem dispostos a deixá-la escrever sobre o movimento feminista .

Mas eles não estavam interessados. " Então, acabei saindo para falar em público , o que era o meu pesadelo", afirmou ela em entrevista à agência de notícias Asssociated Press em 2015.

Ainda assim, Steinem fez trabalhos marcantes no jornalismo e ganhou prêmios. Um deles foi uma reportagem de 1963 sobre as condições degradantes no império da revista "Playboy", de Hugh Hefner. Para o trabalho, se disfarçou de "coelhinha da Playboy" durante 11 dias .

Em 1968, escreveu um artigo intitulado "Depois do 'Black Power', a Libertação das Mulheres" , na revista "New York Magazine", que também ajudou a fundar . O texto a consolidou como líder feminista em um período de intensas transformações sociais. Logo depois, foi capa da revista "Newsweek", que a batizou de "A Nova Mulher" .

No ativismo, ela mergulhou na luta política . Steinem encabeçou diversas manifestações que forçaram o Congresos norta-americano a aumentar os direitos para as mulheres. Ela fundou o Caucus Político Nacional para Mulheres em 1971, juntamente com as ex-deputadas americanas Bella Abzug e Shirley Chisholm e a escritora Betty Friedan — cujo livro, "A Mística Feminina", de 1963, inaugurou a segunda onda do feminismo.

Também criou organizações como a Coalizão de Mulheres Sindicalistas, o Centro de Mídia de Mulheres, a Eleitores pela Escolha e a Fundação Ms. para as Mulheres. Em 2013, o então presidente Barack Obama concedeu a Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade , a mais alta honraria civil dos EUA (veja na imagem abaixo).

Em 2013, a ativista Gloria Steinem foi condecorada pelo então presidente dos EUA, Barack Obama. — Foto: Larry Downing/ Reuters

Steinem nasceu em 25 de março de 1934, em Toledo, Ohio, a mais nova de duas filhas. Seu pai era um negociante de antiguidades itinerante. Como a família se mudava com frequência, ela não frequentou a escola regularmente até por volta do sétimo ano .

Ela decidiu não ter filhos e casou-se aos 66 anos com o empresário e ambientalista sul-africano David Bale, pai do ator Christian Bale. David Bale morreu em 2003.

Mas o grande marco que a fez mergulhar no ativismo feminista, segundo a própria Steinem revelou mais tarde, foi a luta pelo direito ao aborto nos EUA . Ela própria havia passado por um aborto secreto aos 22 anos.

"Ou o controle sobre nossos próprios corpos é igualitário, independentemente de sexo ou raça, ou não estamos vivendo em uma democracia", disse a ativista.

Grande parte de sua vida como ativista foi dedicada a viajar, discursando em campi universitários, centros comunitários, comícios e marchas . Nos últimos anos, Steinem organizava rodas de conversa para centenas de pessoas em sua casa.

"Não dá para fazer isso por telefone ou pela internet" , disse ela à agência de notícias norte-americana Associated Press em uma entrevista de 2015. "É preciso estar presente com todos os cinco sentidos . Deveria ser óbvio que as pessoas não conseguem sentir empatia umas pelas outras a menos que estejam no mesmo ambiente."

O tempo pouco diminuiu o ritmo de Steinem. já na casa dos 80 anos, ela viajava pelo mundo e se manifestava sobre questões importantes para ela.

Essas pautas incluíam desde a mutilação genital até a reconciliação coreana, mas a igualdade para as mulheres era a prioridade.

"Ser feminista significa ver o mundo como um todo, em vez de apenas a metade", disse ela em entrevista. "Isso não deveria precisar de um nome e, um dia, não precisará".

A editora da revista Vogue, Anna Wintour, sentada ao lado da ativista feminista Gloria Steinem, durante desfile da marca Michael Kors, em Nova York, em 2023. — Foto: Evan Agostini/ AP

Com o passar dos anos, a visibilidade de Steinem permaneceu, e o mundo das artes começou a homenageá-la.

Aos 83 anos, ela sentou-se na primeira fila de seu primeiro desfile de moda , como convidada do estilista Prabal Gurung.

Poucos dias após completar 85 anos, ela conduziu uma "roda de conversa" feminina durante uma peça "off-Broadway" que celebrava sua vida. Uma a uma, mulheres da plateia — muitas segurando as lágrimas — levantavam-se para agradecê-la e contar suas próprias histórias de discriminação.

Em 2020, sua vida foi tema do longa-metragem "The Glorias" ("The Glorias: A Life on the Road"), baseado em suas memórias de 2015 e estrelado por Julianne Moore ( veja na imagem abaixo ).

Julianne Moore interpretou no cinema a jornalista, escritora e ativista Gloria Steinem na maturidade. — Foto: Divulgação

"De porta-voz relutante a um farol de mudança positiva, a trajetória dela é singular. É uma líder americana capaz de falar com todos nós ", disse a diretora de cinema e teatro Julie Taymor, que dirigiu o filme, em uma entrevista de 2017 ao jornal "The New York Times.

E, aos 91 anos, ela colaborou em um livro ilustrado com a ativista pela paz liberiana e ganhadora do Prêmio Nobel Leymah Gbowee , com o objetivo de inspirar jovens a mudar o mundo. "Rise, Girl, Rise: Our Sister-Friend Journey. Together for All ("Levante-se, Garota, Levante-se: Nossa Jornada de Irmãdade/ Amizade. Juntas para Tudo", em tradução livre) foi publicado em fevereiro de 2026.

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