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Thursday, September 24, 2026

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Homem é intimidado por fiscal de hipermercado por causa de cabelo | G1

Régis Eduardo Aielo, conselheiro do Conselho Municipal Afro, denunciou o caso à Polícia Civil no domingo (20) em São José do Rio Preto (SP). Rede de hipermercados diz que afastou o trabalhador suspeito.

· 520 words

Homem ameaçado de revista por fiscal de hipermercado por causa de cabelo crespo em São José do Rio Preto (SP) — Foto: Arquivo pessoal

O promotor de vendas que denunciou o fiscal de uma rede de hipermercados em São José do Rio Preto (SP) após ter sido informado que deveria passar por uma revista por conta de seu cabelo crespo diz que o episódio é mais um exemplo do ciclo de violência vivido por pessoas negras. O suspeito foi afastado da função.

O hipermercado informou ao g1 que analisou as imagens do circuito interno para decidir pelo afastamento do fiscal envolvido. A vítima registrou boletim de ocorrência por causa da intimidação.

🔎 O fiscal de prevenção de perdas é o profissional que protege o patrimônio de empresas e reduz desperdícios, furtos e erros operacionais.

Rede de hipermercado em São José do Rio Preto (SP) — Foto: Reprodução / Rede Social

Em entrevista ao g1 , Régis Eduardo Aielo relatou que se sentiu impotente diante da situação. Com isso, desistiu de realizar o serviço naquele local.

“É inexplicável para quem não passa por isso. O ponto principal é fazer a população negra reconhecer esses casos de racismo e entender a importância de denunciar para combatê-los, para que o ciclo de violência cesse e o próximo não sofra consequência psicológica que foi sofrida no ato racista”, afirma Régis.

O promotor de vendas considerou a conduta ofensiva e discriminatória em razão de sua cor de pele, de seu cabelo e da posição de autoridade exercida pelo fiscal. Em seguida, a vítima afirmou que o suspeito tentou tratar a ameaça como uma "brincadeira" e esclareceu que não havia necessidade de revista física.

Em nota, o Carrefour informou que analisou as imagens disponíveis e identificou uma fala inadequada e incompatível com seus princípios e valores por parte do fiscal, que foi afastado de suas atividades enquanto as medidas cabíveis são avaliadas. Confira a íntegra da nota abaixo.

O boletim de ocorrência foi registrado no domingo (20) como injúria racial. Regis é membro do Conselho Municipal Afro de São José do Rio Preto e sabe de seus direitos como cidadão, por isso decidiu levar o caso à polícia.

Ele relembrou outra situação que aconteceu na rede de hipermercados e terminou de forma trágica com o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, que foi espancado em 2020 por dois homens brancos.

“Quero que o meu caso ajude outras pessoas negras a reconhecerem situações semelhantes, denunciarem e se organizarem para combater essas injustiças”, ressalta.

O Carrefour informa que realizou uma apuração interna, incluindo a análise das imagens disponíveis, e identificou uma fala inadequada e incompatível com seus princípios e valores por parte de um fiscal de prevenção de perdas da unidade, que foi afastado de suas atividades enquanto as medidas cabíveis são avaliadas. A empresa esclarece que não houve abordagem ou realização de revista no profissional e reforça que não compactua com qualquer forma de discriminação ou conduta desrespeitosa.

Entenda a diferença entre racismo e injúria racial

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