Zoo de Brasília quer formar novo casal entre onças-pintadas; conheça Meia-Noite e George | G1
George, de 7 anos, e Meia-Noite, de aproximadamente 3, passam por processo gradual de adaptação. Animais ainda se revezam no recinto e são monitorados por equipe técnica;
Um novo casal pode ser formado no Zoológico de Brasília . 🐆💘🐆
George e Meia-Noite , duas onças-pintadas que vivem na instituição, passam por um processo de aproximação. Ele tem 7 anos, e ela, cerca de 3.
A tentativa de fazer o "match" acontecer faz parte do manejo reprodutivo da espécie e segue recomendações técnicas do Programa de Conservação da Onça-Pintada, coordenado pelo ICMBio , em parceria com a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil.
Mas, antes de engatar em um romance felino ou constituir família, George e Meia-Noite precisam passar por algumas etapas. Assim como acontece entre os humanos, os dois precisam ter compatibilidade — e isso depende do tempo e da resposta dos próprios animais.
As onças-pintadas Meia-Noite (à direita) e George (à esquerda) passam por um processo de aproximação no Zoo de Brasília. — Foto: Zoo de Brasília/Divulgação
O processo foi dividido em etapas para que os animais pudessem reconhecer a presença um do outro antes de compartilhar o mesmo espaço.
Primeiro, o reconhecimento indireto : Antes de qualquer contato direto, os animais foram apresentados a elementos olfativos, como objetos com cheiros de um recinto para o outro.
Depois, o contato visual: George e Meia-Noite passaram a se observar. A equipe acompanhou atentamente as reações dos dois diante da presença um do outro.
A exploração do novo espaço: Enquanto Meia-Noite explorava o recinto, George permanecia em uma área segura, separada do espaço. Os dois se revezam no ambiente até hoje.
O primeiro encontro físico: Em agosto, depois das etapas iniciais, a equipe decidiu que era o momento de permitir que os animais explorassem o espaço juntos. O encontro foi acompanhado de perto pelos profissionais.
Mas não significa que o processo de adaptação tenha terminado – ainda há muito trabalho pela frente.
Para a equipe, o primeiro encontro foi positivo. George e Meia-Noite interagiram e se aproximaram com curiosidade. Os dois chegaram a ficar deitados próximos um do outro (veja imagem acima) .
"A equipe observa a compatibilidade comportamental, a tranquilidade diante da presença do outro, as interações e, principalmente, a alimentação. É importante avaliar se os dois continuam se alimentando normalmente, porque alterações no apetite também podem indicar estresse durante o processo de adaptação", explica o diretor-presidente do Zoológico de Brasília, Wallison Couto.
O próximo passo é avançar gradualmente na convivência até que os dois possam ficar no mesmo recinto em tempo integral, embora ainda não exista uma previsão para isso, pois depende da compatibilidade comportamental entre eles.
E ainda há tempo para isso: segundo Filipe Reis, coordenador de Biodiversidade do Instituto Ampara Animal, a expectativa de vida de uma onça-pintada mantida em cativeiro é de aproximadamente 20 anos.
As fêmeas podem começar a se reproduzir a partir dos 2 anos e meio de idade. A partir dos 13 a 15 anos, porém, tendem a apresentar uma redução mais significativa da fertilidade.
Já os machos podem continuar se reproduzindo até os últimos anos de vida, segundo o especialista. Os dados são médias e podem variar entre os indivíduos.
As onças-pintas Meia-Noite (à direita) e George (à esquerda) passam por um processo de aproximação no Zoo de Brasília. — Foto: Zoo de Brasília/Divulgação
A aproximação pode não dar certo. Isso porque a compatibilidade depende dos próprios indivíduos, e não existe garantia de que dois animais apresentados pela equipe vão formar um casal.
Nesse caso, como George e Meia-Noite fazem parte de um programa de conservação, caso não haja compatibilidade, poderá ser recomendado o encaminhamento de um deles para outra instituição e a chegada de um novo indivíduo para uma futura tentativa de formação de casal.
Meia-Noite chegou ao Zoológico de Brasília em abril de 2025, após ser resgatada em Santarém , no Pará. Ela vivia de forma irregular como animal de estimação.
Na época, tinha cerca de 6 meses e apresentava estrabismo acentuado de origem nutricional . Ou seja, a condição estava relacionada à alimentação inadequada que recebeu antes do resgate.
Meia-Noite também apresentou um comportamento dócil, o que impedia sua devolução à natureza. Por isso, passou a receber os cuidados da equipe do zoológico.
A onça-pintada Meia-Noite foi resgatada e chegou ao Zoológico de Brasília em abril de 2025. — Foto: Zoo de Brasília
🖤 Por que ela é preta? A pelagem escura de Meia-Noite é resultado do melanismo, uma variação genética que provoca o aumento da produção de melanina, pigmento responsável pela coloração da pele e dos pelos.
As manchas características da espécie continuam presentes, mas ficam menos visíveis por causa da coloração escura. Dependendo da iluminação, é possível observar as rosetas na pelagem.
Vídeos feitos pela equipe mostram Meia-Noite "investindo" um pouco mais na relação (veja no início da reportagem) . Segundo o zoológico, ela apresenta um comportamento mais intenso e costuma demonstrar mais disposição para interagir e brincar por ser mais jovem.
George chegou ao Zoológico de Brasília em setembro de 2021 — Foto: Zoo de Brasília/Divulgação
George chegou ao Zoológico de Brasília em setembro de 2021, ainda filhote , depois de ser resgatado de uma área atingida por queimadas em Mato Grosso. Ele e o irmão, Peter, ficaram órfãos e foram encaminhados à instituição por recomendação de programas de conservação da espécie.
Na época, o público participou de uma votação nas redes sociais para escolher os nomes dos dois animais . George foi uma homenagem ao zoólogo americano George Schalle r, conhecido por estudar a vida selvagem e pela atuação na conservação de felinos.
Durante anos, George dividiu o recinto com Peter. A separação aconteceu em agosto de 2026, quando o irmão foi transferido para o Bosque e Zoológico Fábio Barreto, em Ribeirão Preto (SP), também com a possibilidade de formação de um casal.
Filhotes de onça-pintada resgatados em Mato Grosso e levados ao Zoológico de Brasília — Foto: Paulo Cavera/Inframérica
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