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Tuesday, September 29, 2026

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Por que jovens pensam tão diferente dos pais? Especialistas explicam | G1

Mudanças na tecnologia, no mercado de trabalho, na educação e nos costumes ajudam a explicar por que filhos podem enxergar carreira, relacionamentos e até a própria linguagem de forma diferente das gerações anteriores.

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As diferenças entre jovens e seus pais costumam parecer maiores do que realmente são, mas têm explicações que vão além da personalidade de cada um. Especialistas ouvidos pelo Globo Repórter apontam que cada geração é moldada pelas condições sociais, econômicas, tecnológicas e culturais do período em que viveu.

Segundo a psicóloga Paloma Garcia, o contraste entre gerações faz parte do próprio processo de construção da identidade dos jovens.

“A geração atual sempre vem para contestar a geração anterior. Isso faz parte da adolescência, faz parte dos jovens. Os jovens buscam encontrar sua própria identidade e a gente encontra essa identidade contestando nossos pais”, afirma.

O Brasil em cinco gerações: Globo Repórter mostra o que mudou nos sonhos, no trabalho e na forma de viver — Foto: Reprodução/TV Globo

As mudanças históricas ajudam a explicar essas diferenças. A chamada geração Baby Boomer cresceu em um contexto marcado por estabilidade familiar e normas sociais mais rígidas. Já a geração X enfrentou crises econômicas e buscou maior segurança financeira. Os millennials cresceram durante a expansão da internet e do acesso ao ensino superior. A geração Z, por sua vez, nasceu no ambiente digital e teve a adolescência impactada pela pandemia.

Para o economista Daniel Duque, a pandemia acelerou transformações que já estavam em curso, especialmente na relação dos jovens com a tecnologia, o trabalho e a comunicação.

“Os jovens que já tinham mais acesso à tecnologia ficaram muito mais mergulhados nesse tipo de comunicação e também de entretenimento pessoal do que as gerações anteriores”, diz.

As diferenças aparecem também nas escolhas de vida. Enquanto gerações mais antigas costumavam seguir um roteiro mais previsível, com casamento, filhos e carreira estável, os mais jovens convivem com uma quantidade muito maior de possibilidades e incertezas.

O economista Michel França afirma que, no passado, havia uma espécie de “cartilha” sobre o que era esperado dos adultos.

“Na geração anterior, havia mais um script sobre o que seguir: casar até determinada idade, ter filhos, comprar uma casa própria”, explica.

Outro fator apontado pelos pesquisadores é o impacto das redes sociais. A comparação constante com outras pessoas aumenta a pressão sobre os jovens, que têm acesso a referências do mundo inteiro e não apenas ao círculo social mais próximo.

Além dos comportamentos, as diferenças aparecem na linguagem. As gírias mudam mais rapidamente do que no passado e funcionam como uma forma de identificação entre grupos de jovens. Quando passam a ser adotadas pelos adultos, muitas vezes perdem a função original.

Para Paloma Garcia, essas expressões funcionam como uma “senha” de pertencimento.

“As gírias de hoje pertencem aos adolescentes. Quando a outra geração, os pais, começam a usar essa gíria, ela deixa de fazer sentido”, afirma.

Apesar dos conflitos, os especialistas destacam que as diferenças não significam rompimento. As gerações se influenciam mutuamente e compartilham aprendizados. Como resume uma das entrevistadas da reportagem, os conflitos existem, mas podem ser superados por meio da adaptação, do diálogo e do respeito às experiências de cada época.

Em resumo: jovens e pais pensam de forma diferente porque cresceram em realidades distintas. Mudanças econômicas, transformações sociais, avanços tecnológicos e novas formas de comunicação moldam prioridades, valores e comportamentos de cada geração.

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