Justiça marca julgamento de habeas corpus de Deolane Bezerra | G1
Tribunal de Justiça de São Paulo analisará recurso da defesa na próxima terça-feira (27), às 13h30. A influenciadora está presa preventivamente desde maio, no âmbito da Operação Vérnix.
Deolane Bezerra foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no oeste paulista — Foto: Reprodução/Delolane Bezerra/Instagram - Divulgação/SAP
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) marcou para a próxima terça-feira (27), às 13h30, um novo julgamento do pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da advogada e influenciadora Deolane Bezerra . A sessão será presencial, no Palácio da Justiça, em São Paulo.
A sessão acontece cerca de dois meses após a Justiça reavaliar e manter a prisão da influenciadora, a pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), cumprindo a exigência legal de revisar a medida a cada 90 dias.
Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio, no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo . Ela é investigada no âmbito da Operação Vérnix , que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na decisão de agosto, a 3ª Vara de Presidente Prudente considerou que permaneciam presentes os requisitos para a manutenção da prisão preventiva, incluindo:
a garantia da ordem pública e da ordem econômica;
a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal;
o risco de continuidade das atividades de lavagem de dinheiro;
a existência de indícios de atuação estruturada e permanente de organização criminosa.
A Justiça determinou ainda a continuidade das buscas por Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, considerados foragidos.
Deolane Bezerra foi presa em maio de 2026 , por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela foi denunciada pelo Ministério Público (MP), assim como outros réus no âmbito da Operação Vérnix.
No fim de agosto, a Justiça decidiu manter a advogada e os demais réus presos . Na época, a defesa de Deolane classificou a decisão como “desnecessária, ilegal e desproporcional”.
Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização criminosa era dividida em três núcleos: o decisório, integrado pelo chefe do PCC, Marco Willians Herbas Camacho , e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior ; o operacional; e o financeiro - segundo a acusação, Deolane integra esse último grupo.
Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmam que Deolane seria "a principal integrante do núcleo financeiro , responsável por ocultar e dissimular recursos de origem ilícita por meio de contas bancárias vinculadas a ela e às suas empresas, além de converter esses valores em bens de alto valor econômico".
Outro argumento apresentado pelo Gaeco é que dois dos denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, continuam foragidos, o que, na avaliação da Promotoria, reforça a necessidade da prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal.
A defesa de Deolane Bezerra alega que a cliente é inocente e que não possui vínculos com a organização criminosa.
O líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e a influencer e advogada Deolane Bezerra — Foto: Reprodução
Segundo a denúncia, os investigados integrariam uma organização criminosa voltada à ocultação e à dissimulação de recursos provenientes de atividades ilícitas atribuídas ao PCC.
De acordo com o Ministério Público, análises de documentos fiscais, bancários e relatórios técnicos apontariam movimentações de grandes quantias de dinheiro e a conversão desses recursos em ativos com aparência de origem legal. A acusação sustenta ainda que o grupo utilizava empresas de fachada e pessoas interpostas, conhecidas como "laranjas", para esconder a origem do dinheiro.
Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou, por unanimidade, um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane . Na ocasião, a relatora, desembargadora Renata Cantello, afirmou que as alegações apresentadas pela defesa e por relatório da OAB-SP representavam "meras insatisfações com a rigidez natural do regime de reclusão e questões de gestão administrativa interna", sem demonstrar ilegalidade na prisão preventiva nem justificar sua substituição por prisão domiciliar.
Influenciadora e advogada Deolane Bezerra é detida logo após desembarcar no Brasil, nesta quinta-feira (21). — Foto: Divulgação
Em agosto, após a sessão que manteve a prisão preventiva de Deolane, a defesa dela declarou que recebeu a decisão com surpresa, já que a prisão é manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional.
Informou, ainda, que sua cliente é inocente, não possuindo vínculo com organização criminosa, e que sua movimentação financeira é decorrente de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios, conforme será devidamente comprovado durante a instrução probatória.
Por fim, a defesa reiterou sua confiança nas instituições e afirmou que continuaria adotando todos os instrumentos cabíveis para restabelecer a liberdade.
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