Seis bombas funcionaram sem parar, mas não conseguiram evitar alagamento que deixou 28 veículos submersos em túnel de SP | G1
Segundo a Prefeitura de São Paulo, equipamentos não apresentaram falhas, mas foram insuficientes para escoar a água durante temporal de quarta-feira (14). Região já registrou outros alagamentos de grandes proporções.
As seis bombas instaladas no Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, funcionaram ininterruptamente durante o temporal de quarta-feira (14), mas não foram suficientes para impedir o alagamento que deixou 26 carros e dois ônibus submersos.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, os equipamentos não apresentaram falhas. No entanto, a capacidade de escoamento do sistema foi superada pelo volume de água que atingiu a região em um curto intervalo de tempo.
Em apenas 40 minutos, choveu no córrego do Anhangabaú o equivalente ao esperado para 11 dias de outubro . Foram registrados 42 milímetros de chuva, o correspondente a 37% dos 112 milímetros previstos para o mês inteiro na capital.
A força da água transformou o túnel em uma área completamente alagada. Imagens registradas por motoristas mostram veículos cobertos pela água até as janelas e pessoas tentando sair dos automóveis.
“Vimos a água entrando no túnel e em cinco minutos chegou a água na porta do carro. Com isso, tivemos que sair do veículo”, relatou um motorista que estava no local.
De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), as interdições do túnel começaram às 15h38, após a adoção do protocolo de Estado de Atenção para dias de chuva.
A prefeitura informou que o sistema de drenagem é monitorado 24 horas por dia, por meio de sensores e câmeras. Apesar disso, a quantidade de água que chegou ao túnel superou a capacidade de vazão das bombas.
Um caminhão de bombeamento emergencial foi mobilizado para reforçar a drenagem. Equipes de limpeza urbana também foram acionadas para atuar nos trechos em que o nível da água já havia baixado.
Após o recuo da água, as pessoas que ficaram presas no túnel foram resgatadas. Inicialmente, o Corpo de Bombeiros informou a existência de pelo menos quatro vítimas, sem detalhar o estado de saúde delas.
O alagamento de quarta-feira não foi o primeiro a atingir o Túnel do Vale do Anhangabaú.
Em 2021, uma forte chuva também provocou o alagamento de uma das pistas no sentido Zona Sul. Em 1999, um episódio de grandes proporções deixou cerca de 160 veículos submersos na região , entre eles três ônibus.
Desde a década de 1980, diferentes intervenções urbanas e obras de drenagem foram realizadas ou anunciadas para tentar reduzir os alagamentos no entorno do vale.
Entre elas estão as obras de recuperação e ampliação das galerias do córrego Moringuinho, iniciadas em 2006, e a construção de novas galerias anunciada em 2007.
Mais recentemente, em maio de 2026, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma proposta de intervenção no sistema de drenagem da região da Avenida Nove de Julho, com o objetivo de reduzir os alagamentos que atingem o Centro, incluindo o Vale do Anhangabaú.
Temporal provocou morte e transtornos na capital
A chuva de quarta-feira também provocou alagamentos em outras regiões da cidade. Na Brasilândia, na Zona Norte, uma moradora morreu após a casa ser atingida por um deslizamento de terra .
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), a estação meteorológica da Sé registrou 48,5 milímetros de chuva, o maior acumulado entre as estações do órgão.
Na Rede Telemétrica do Alto Tietê, o córrego Sapateiro, no Parque Ibirapuera, registrou 67,8 milímetros. O Parque da Aclimação acumulou 64 milímetros.
O temporal também foi acompanhado por fortes rajadas de vento, que chegaram a 88,9 km/h no Aeroporto de Congonhas, às 16h44.
A previsão é de mais chuva nesta quinta-feira (15). A Defesa Civil do estado alerta para a possibilidade de acumulados de até 80 milímetros na Grande São Paulo ao longo do dia.
Carros e ônibus boiam no túnel do Anhangabaú durante chuva forte em SP — Foto: Arquivo Pessoal
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