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Thursday, September 24, 2026

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Quem é Humberto Tupinambá, executivo do mercado financeiro alvo da 3ª fase da Operação Carbono Oculto | G1

De acordo com investigações do Ministério Público de SP, Tupinambá foi ex-diretor do Banco Genial Investimentos e foi quem teria levado os empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco, para investir dinheiro do PCC na instituição.

· 851 words

Alvo da 3ª fase da Operação Carbono Oculto nesta quinta-feira (24), o empresário Humberto Arthur Tupinambá Neto é um executivo do mercado financeiro brasileiro, com carreira ligada a bancos de investimento e gestão de crédito.

Tupinambá Neto foi nomeado diretor sem designação específica do Banco Genial S.A. em 2022. Segundo os registros públicos, a posse dele no banco ocorreu em 10 de agosto daquele ano, após aprovação do Banco Central. O banco afirma que ele deixou a empresa em maio de 2026.

Antes disso, o executivo teve atuação de seis anos no Banco Brasil Plural, onde foi sócio e diretor de crédito e trabalhou por nove anos no Banco Modal.

De acordo com investigações do Ministério Público de SP, Humberto Tupinambá, ainda na condição de diretor do Genial Investimentos , foi quem teria levado os empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme , conhecidos como Primo e Beto Louco, para o Genial.

Fachada do escritório do banco Genial Investimentos, em São Paulo. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Beto Louco e Primo controlavam as empresas Copape e Áster, que foram alvo da Operação Carbono Oculto em agosto de 2025. As duas empresas eram usadas num esquema de sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Tupinambá teria conduzido reuniões com os dois empresários sobre a transferência de ativos entre o grupo e o banco Genial por vários meses, entre os anos de 2024 e 2025.

Ele teria atuado como intermediário e executivo do Genial na relação comercial com os empresários ligados.

Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", eram responsáveis por comandar o esquema do PCC no setor de combustíveis. — Foto: Montagem g1/Reprodução/Redes sociais/Polícia Civil

Por meio de nota, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.

"Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis", afirmou.

No âmbito dessas operações, a Genial disse que "atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época".

"A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles".

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial afirma que "renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados" e que a instituição "permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários".

A Operação Carbono Oculto aponta que Copape e Áster teriam sido utilizadas dentro de uma estrutura para reduzir ou sonegar impostos e gerar créditos tributários indevidos, inclusive por meio de operações entre empresas do próprio grupo.

Segundo a investigação, havia ainda adulteração de combustíveis e utilização de empresas de fachada ou em nome de terceiros para esconder os verdadeiros responsáveis pelos negócios.

Na Operação de agosto de 2025, Copape e Áster aparecem como empresas centrais da investigação sobre um esquema de sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.

A apuração envolve uma estrutura que, segundo os investigadores, alcançava desde a produção e distribuição de combustíveis até postos, empresas de pagamento e fundos de investimento.

Copape: é uma formuladora de combustíveis, ou seja, produz combustíveis a partir de derivados de petróleo e outros hidrocarbonetos.

Áster Petróleo: é uma distribuidora de combustíveis, responsável pela comercialização e distribuição dos produtos.

As duas empresas são de Guarulhos e passaram a ser controladas por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, segundo as investigações e reportagens baseadas nos documentos da operação.

Copape e Aster Petróleo foram compradas por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "primo" ou "João. — Foto: Reprodução/TV Globo

Na decisão judicial de agosto de 2025, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” é descrito como alguém com “fortes laços” dentro do PCC, especialmente por meio de redes de postos e distribuidoras de combustíveis que comanda.

Em agosto de 2026, o Ministério Público de São Paulo denunciou Beto Louco e outras 15 pessoas por suspeita de participação em um esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis em São Paulo.

Segundo a denúncia, parte dos denunciados já havia sido apontada anteriormente como integrante do PCC, e Beto Louco tem acusações relacionadas a tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro para a facção nascida em São Paulo.

Infográfico explica caminho do dinheiro no esquema do PCC. — Foto: Arte/g1

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