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Sistema Cantareira atinge 51,2% e tem 2º melhor nível em 10 anos | G1

Sistema terminou o mês com 51,2% do volume útil armazenado, após registrar chuvas 62% acima da média histórica em outubro. Mesmo com a recuperação, limite de captação permanece restrito em novembro.

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O Sistema Cantareira terminou outubro com 51,2% do volume útil armazenado, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), atualizados neste sábado (31).

O índice é o segundo maior registrado para o mês nos últimos dez anos, atrás apenas de 2023, quando o sistema estava com 72,9%.

O resultado representa uma recuperação em relação a outubro de 2025, quando o Cantareira registrava 23,4% do volume útil. Apesar da melhora, o sistema continuará na Faixa 2 – Atenção em novembro, com restrições para a retirada de água.

💦 O Cantareira é composto por seis represas principais: Jaguari, Jacareí, Atibainha, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras. Os três primeiros reservatórios ficam no Vale do Paraíba e na região bragantina.

Como estava o Cantareira nos últimos anos?

O volume armazenado no Sistema Cantareira no fim de outubro de 2026 é o segundo maior registrado para o período desde 2016. O índice atual, de 51,2%, fica atrás apenas de 2023, quando os reservatórios estavam com 72,9% da capacidade útil.

Veja como estava o volume do Cantareira em 31 de outubro desde 2012, de acordo com a Sabesp:

Sistema Cantareira — Foto: Pablo Jacob/GESP/Arquivo

Em outubro, o Cantareira acumulou 210,8 milímetros de chuva, volume cerca de 62% superior à média histórica para o mês, de 130,1 milímetros.

Na atualização deste sábado (31), às 9h, o volume armazenado chegou a 51,2%, com aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao dia anterior.

A classificação operacional para novembro considera o volume armazenado no último dia útil de outubro, sexta-feira (30). Naquela data, o Cantareira registrava 50,69% do volume útil, índice que mantém o sistema na Faixa 2 – Atenção.

Nessa condição, a Sabesp pode captar até 31 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) . Quando o sistema alcança a faixa normal, com pelo menos 60% do volume útil armazenado, o limite sobe para 33 m³/s.

A diferença é de 2 m³/s, o equivalente a 2 mil litros de água por segundo. Esse é o volume adicional que poderia ser captado caso o sistema atingisse a faixa normal.

A regra faz parte de um sistema de controle criado após a crise hídrica de 2014 e 2015, quando uma forte estiagem, provocada pela falta de chuvas e agravada pelas altas temperaturas, reduziu drasticamente os níveis dos reservatórios. Na época, foi necessário recorrer ao chamado volume morto para garantir o abastecimento, em meio à escassez de água em diferentes regiões.

De acordo com as regras estabelecidas desde então, quanto menor o volume armazenado, menor é a quantidade de água que a Sabesp está autorizada a retirar dos reservatórios. Veja os limites abaixo:

Normal: a partir de 60% do volume útil. A retirada pode chegar a 33 m³/s.

Atenção: entre 40% e menos de 60%. O limite é de 31 m³/s.

Alerta: entre 30% e menos de 40%. O limite é de 27 m³/s.

Restrição: entre 20% e menos de 30%. O limite é de 23 m³/s.

Especial: abaixo de 20%. A retirada pode chegar a 15,5 m³/s.

Imagem aérea da Represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira — Foto: LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO

Volume do Cantareira subiu após período de chuvas

A recuperação do sistema ganhou força nos últimos meses, especialmente em setembro e outubro.

Segundo os dados da Sabesp, o volume útil passou de 41,1% em 30 de setembro para 50,69% em 30 de outubro. O aumento foi de 9,59 pontos percentuais em apenas um mês. Em agosto, o Cantareira havia encerrado o mês com 32,99% do volume útil, nível que o colocava na faixa de alerta.

Os dados de chuva também mostram volumes expressivos no período. Em setembro, foram registrados 283,5 milímetros de precipitação. Em outubro, o acumulado chegou a 210,4 milímetros até o dia 30.

Na atualização de 31 de outubro, o acumulado mensal de chuva no Cantareira chegou a 210,8 milímetros.

A melhora no armazenamento, no entanto, não significa que o sistema já tenha recuperado o nível considerado normal. Para isso, precisa alcançar pelo menos 60% do volume útil.

Desde julho, El Niño já prejudicou 7 milhões de brasileiros em mais de mil cidades — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Como o El Niño pode influenciar as chuvas?

A previsão climática para os próximos meses também entra no cenário de recuperação dos reservatórios. O El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, deve ganhar intensidade e pode atingir níveis muito fortes a partir de novembro.

O boletim do Painel El Niño, divulgado por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), indica maior probabilidade de chuvas acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 em partes do Sudeste, além do Sul e de áreas do Centro-Oeste.

O documento também aponta tendência de temperaturas acima da média em quase todo o país.

Em entrevista ao g1 em outubro, o pesquisador do Inpe Gilvan Sampaio explicou que o fenômeno pode favorecer temperaturas mais altas e chuvas irregulares no Sudeste. Na região, a precipitação pode ocorrer em pancadas mais intensas, em vez de períodos prolongados de chuva.

Isso não significa necessariamente que o volume total de chuva será menor. No entanto, a distribuição irregular das precipitações pode trazer desafios para o abastecimento e aumentar o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos em áreas vulneráveis.

“Nós teremos chuvas agora durante a primavera e o verão, mas em forma de pancadas. Chuvas intensas em forma de pancadas. Nós estamos mais sujeitos a enchentes, inundações, deslizamentos em cortes", explicou Gilvan.

A previsão de chuva acima da média em parte do Sudeste é um indicativo favorável para os próximos meses, mas não garante, por si só, a recuperação do Cantareira. O armazenamento depende também da quantidade de água que chega aos reservatórios, das condições de cada bacia e do volume retirado para abastecimento.

Represa do Jaguari, do Sistema Cantareira — Foto: Lucas Rangel/TV Vanguarda

O Sistema Cantareira é um dos principais mananciais de abastecimento do estado de São Paulo. Ele atende cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e também contribui para o abastecimento de Campinas e de municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

O sistema é formado por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Juntos, eles têm volume útil total de aproximadamente 981,56 bilhões de litros.

Desde 2018, o Cantareira também conta com a interligação entre a represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha, o que amplia as possibilidades de transferência de água entre as bacias.

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Sunday, November 1, 2026

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