Pão com linguiça vira patrimônio cultural de Gramado | G1
Lanche típico vendido no centro da cidade preserva receita artesanal de colonos e movimenta cerca de 200 agricultores da região.
Um dos sabores mais conhecidos de Gramado , principal destino turístico da Serra Gaúcha, recebeu um reconhecimento oficial.
O tradicional pão com linguiça, vendido a R$ 9 a unidade nos fornos instalados no centro da cidade, foi declarado patrimônio cultural imaterial do município por meio de lei que valoriza a receita e o modo artesanal de preparo preservado por gerações.
🍞Preparado com farinha de trigo, açúcar, ovo, sal, fermento, banha de porco, linguiça fresca e queijo , o lanche carrega memórias afetivas para muitas famílias da região.
É o caso da agricultora Jurema Lurdes Weber, que lembra da infância acompanhando a mãe enquanto ela preparava os pães em um forno de barro.
"Dentro de casa, além do pão normal, tinha o pão com linguiça também. A mãe fazia no forno de barro. Eu era criancinha e corria atrás dela enquanto ela preparava o pão. São lembranças que não saem da memória da gente", conta.
A tradição segue viva na família. A neta de Jurema, Carolina Weber Sander, recorda dos pães preparados pela avó e pela mãe e espera ver o costume mantido pelas próximas gerações.
O reconhecimento levou em consideração histórias familiares como essa e o saber-fazer artesanal transmitido ao longo do tempo . Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o pão com linguiça mantém características que remontam aos hábitos dos colonos da região .
A receita tradicional utiliza ingredientes que faziam parte da rotina das propriedades rurais, como a banha de porco e a linguiça fresca produzida a partir do abate doméstico de suínos.
A principal característica do preparo está no fato de a linguiça crua ser assada junto com a massa, preservando o modo de produção considerado típico do produto.
Pão de R$ 9 vira patrimônio cultural de Gramado — Foto: Reprodução/RBS TV
A fabricação e venda do pão com linguiça envolve agricultores da região que se revezam nos fornos localizados na área central de Gramado e na localidade de Várzea Grande. De acordo com a Emater, cerca de 200 agricultores participam atualmente da produção e comercialização do lanche .
A procura cresce especialmente nos períodos de maior movimento turístico. Durante a alta temporada do Natal Luz, por exemplo, a expectativa é de que mais de 3 mil unidades sejam comercializadas por dia . Para o secretário de Agricultura de Gramado, Eliézer Lima, os fornos ajudam a conectar os visitantes às origens do município.
"O turismo não anda sem o interior. Esse espaço mostra exatamente como era feito antes lá no nosso interior e apresenta a nossa essência, nossa origem e nossa cultura", diz.
A popularidade do pão com linguiça ultrapassou as fronteiras e se tornou atração obrigatória para muitos turistas que visitam a cidade. A fonoaudióloga Karen Alves Dantes, de São Luís (MA), incluiu o lanche no roteiro após encontrar recomendações durante o planejamento da viagem.
"Um dos lugares indicados era o pão com linguiça, que era bem famoso. Então a gente falou que precisava provar porque é uma das comidas mais comentadas na internet", relata.
A produtora Karyne Santos, de Minas Gerais, compara o produto aos patrimônios gastronômicos existentes em seu estado e destaca a importância de preservar tradições ligadas à alimentação.
"Isso diz muito da cultura daquele lugar e dos hábitos das pessoas. A comida aproxima e reúne as pessoas", afirma.
Para a Emater, o pão com linguiça representa mais do que um alimento. O produto reúne referências das culturas alemã e italiana presentes na formação de Gramado e ajuda a preservar uma história construída ao longo de gerações. Consumir o lanche, segundo a entidade, significa também manter viva a identidade cultural que marcou o desenvolvimento do município.
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