Naufrágio no Amazonas: 16 cilindros de oxigênio são perdidos na seca | G1
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, os cilindros perdidos seriam utilizados no atendimento da Unidade Hospitalar Vó Mundoca, em Borba, inclusive em casos de urgência e emergência e no tratamento de pacientes internados.
O naufrágio de uma embarcação em setembro provocou a perda de 16 cilindros de oxigênio medicinal destinados à Unidade Hospitalar Vó Mundoca , em Borba , no interior do Amazonas. O caso é uma das ocorrências que ajudam a explicar os problemas de abastecimento de materiais de saúde citados pelo governo estadual no decreto que declarou emergência em saúde pública por 180 dias .
Publicado na segunda-feira (26), o decreto considera os impactos da estiagem severa, das queimadas e das dificuldades de transporte no estado . O documento cita acidentes fluviais em Borba, Itamarati e Eirunepé , que provocaram perdas ou comprometeram cargas de medicamentos, insumos e produtos hospitalares.
O acidente envolveu a embarcação Almirante Moreira, que naufragou em 24 de setembro, durante o trajeto entre Manaus e Borba.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), os 16 cilindros perdidos seriam utilizados no atendimento da Unidade Hospitalar Vó Mundoca, inclusive em casos de urgência e emergência e no tratamento de pacientes internados.
A SES-AM informou ainda que o transporte desses materiais é de responsabilidade das administrações municipais. A pasta afirmou, porém, que presta suporte sempre que solicitada.
Acidentes também causaram perdas em Itamarati e Eirunepé
Em Itamarati, um acidente com embarcação registrado em 21 de agosto de 2026 provocou a perda de medicamentos e materiais destinados à Atenção Primária à Saúde e ao hospital municipal .
Já em Eirunepé, uma carga transportada pela balsa Vovó Amazonas foi exposta à água e à umidade após um acidente nas proximidades de Itamarati. Segundo a gestão municipal, os materiais foram totalmente perdidos .
Governo prevê medidas para manter abastecimento
Para reduzir os riscos de interrupção dos atendimentos, o decreto prevê medidas para manter ou restabelecer o fornecimento de medicamentos, cilindros de oxigênio e outros materiais às unidades de saúde afetadas. O governo também deverá organizar alternativas de transporte e distribuição para as localidades atingidas.
Como parte das ações de assistência, 49 municípios receberam o Kit Calamidade Ampliado, distribuído pela Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) .
Os kits reúnem cerca de 106 tipos de itens, que somam aproximadamente 30.027 unidades. Entre os medicamentos estão antimicrobianos, analgésicos, anti-inflamatórios, antiasmáticos, anti-hipertensivos e antidiabéticos, além de soluções e eletrólitos.
A remessa também inclui materiais hospitalares, como luvas, máscaras, aventais, cateteres, seringas, agulhas, gazes, ataduras e fios de sutura.
Estiagem deixou 562 comunidades isoladas
Seca do Rio Negro, na Marina do Davi, em Manaus — Foto: William Duarte/Rede Amazônica
O decreto de emergência em saúde pública terá duração de 180 dias . Segundo o documento, um levantamento preliminar da Defesa Civil estadual identificou 562 comunidades isoladas pela seca dos rios .
A redução dos níveis dos rios dificulta o deslocamento de moradores e o transporte de pacientes, medicamentos e oxigênio medicinal. O cenário aumenta os desafios para manter o atendimento nas localidades mais distantes.
O governo também identificou 19 processos administrativos relacionados a pedidos de medicamentos, insumos, equipamentos, oxigênio medicinal e apoio logístico feitos por municípios.
A SES-AM ficará responsável por coordenar as medidas em conjunto com a Defesa Civil, as prefeituras e outros órgãos estaduais e federais. A secretaria deverá reunir informações sobre as localidades afetadas, as perdas registradas e a capacidade de funcionamento dos serviços de saúde para orientar as ações de resposta.
O Amazonas tem 47 municípios em situação de emergência por causa da estiagem , segundo boletim divulgado pelo governo estadual na noite de quarta-feira (28). Outros 11 municípios estão em alerta e quatro em situação de atenção. Ao todo, 124.221 famílias foram afetadas pela seca dos rios, de acordo com a Defesa Civil.
O levantamento também apontou que Parintins entrou em nível severo (concentrações de MP2,5 superiores a 125 µg/m³ em 24h) por conta da péssima qualidade do ar na manhã desta quinta-feira .
Além disso, foi emitido alerta de nível Alta (concentrações de MP2,5 entre 50 e 125 µg/m³ em 24h) para os municípios de Autazes, Barreirinha, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Maués, Nova Olinda do Norte, Novo Aripuanã, São Sebastião do Uatumã, Silves e Urucurituba.
Ações de combate à estiagem e às queimadas
O governo estadual enviou mais de 13 toneladas de alimentos para Anamã e Rio Preto da Eva na terça-feira (27). Os dois municípios receberam, juntos, 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas-d’água de 500 litros.
Com as entregas, a primeira fase da Operação Estiagem 2026 passou a atender 15 municípios. Ao todo, foram distribuídas 4.800 cestas básicas, equivalentes a cerca de 96 toneladas de alimentos, além de 3.400 kits de limpeza e 3.060 caixas-d’água de 500 litros.
A operação também inclui três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água. Segundo o governo, as entregas continuarão conforme as condições dos rios e as necessidades das cidades.
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