Indígenas viajam mais de 7h de barco por rio no Pantanal para votar | G1
Quatro embarcações fizeram o trajeto, e uma delas precisou de reparos após furar. Segundo o cacique, pelo menos 34 moradores não conseguiram sair da aldeia para votar.
Indígenas da aldeia Barra do São Lourenço e brigadistas que atuam no combate a incêndios em áreas remotas do Pantanal viajaram por mais de sete horas de barco pelo rio Paraguai para votar neste domingo (25), em Corumbá , no oeste de Mato Grosso do Sul. As primeiras embarcações chegaram ao Porto Geral por volta das 12h35, após saírem da comunidade às 5h. Veja o vídeo acima.
Ao todo, quatro embarcações fizeram o trajeto para transportar os moradores até a área urbana do município. Durante a viagem, uma delas furou e precisou passar por reparos, o que atrasou o deslocamento. A aldeia Barra do São Lourenço fica a cerca de 260 quilômetros da área urbana de Corumbá.
A chegada das primeiras embarcações ocorreu ao longo do período da manhã e início da tarde. Os moradores precisaram percorrer o trecho fluvial para chegar a Corumbá e participar da votação do segundo turno das eleições.
Parte dos moradores fez a viagem em embarcações da própria comunidade. Outros conseguiram carona com a Brigada do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que auxiliou no transporte dos eleitores.
Segundo o cacique Negré, da aldeia da Barra do São Lourenço, pelo menos 34 pessoas não conseguiram deixar a aldeia para votar neste domingo. O cacique afirmou que os moradores organizaram a viagem até Corumbá com a ajuda de pessoas da região, após não receberem o apoio logístico que esperavam do Exército e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
“Para nós, é muito importante exercer a nossa cidadania, porque aí nós podemos escolher a pessoa que queremos para governar o nosso país, o nosso estado. Nós queremos também ter esse direito de escolher”, disse.
Em nota, a Prefeitura de Corumbá informou à Defensoria Pública da União que não tem estrutura para transportar os eleitores indígenas das aldeias Uberaba e Barra do São Lourenço no segundo turno. O Exército afirmou que não recebeu pedido de apoio e que não está autorizado a transportar eleitores em embarcações ou viaturas militares. Já a Marinha informou que o apoio às eleições é organizado com a Justiça Eleitoral e que pedidos adicionais devem ser encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
Leia na íntegra o que a Prefeitura de Corumbá disse:
"Em resposta à solicitação de transporte para os indígenas Guató das aldeias Uberaba e Barra do São Lourenço, no Pantanal de Corumbá, a Prefeitura de Corumbá informou à Defensoria Pública da União que não tem condições operacionais de garantir o deslocamento dos eleitores no segundo turno das eleições. Em ofício datado de 21 de outubro de 2026 e encaminhado à Defensoria Pública da União, em Campo Grande, o Município esclareceu que não dispõe de embarcações ou veículos adequados, com capacidade, tripulação e condições de segurança necessárias para realizar o transporte de ida e volta. A administração também informou que não mantém um serviço regular de transporte para essas comunidades. No documento, a Prefeitura defendeu uma articulação urgente entre a Justiça Eleitoral, a Funai, órgãos federais e o Governo do Estado para buscar alternativas. O Município pode contribuir com informações e apoio administrativo, mas não tem estrutura para assegurar o deslocamento dos eleitores".
"Em relação ao transporte de eleitores da comunidade de Forte Coimbra, em Corumbá (MS), o Comando Operacional Conjunto Oeste esclarece que o apoio às Eleições 2026 está sendo organizado em conjunto com a Justiça Eleitoral, conforme as solicitações recebidas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e autorizadas pelo Ministério da Defesa (MD). Qualquer apoio além do já previsto pelo TSE deve ser encaminhado ao TRE-MS".
"1. O Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal não recebeu solicitação dessa natureza. 2. De acordo com a legislação vigente, o Exército não está autorizado a transportar eleitores em viaturas ou embarcações militares. 3. No tocante ao Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, não há articulações nesse sentido. 4. Não houve solicitações, até o momento, dessa natureza".
Indígenas e brigadistas viajam mais de 7 horas para votar em Corumbá (MS). — Foto: Brunna Barros/TV Morena
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