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Thursday, September 3, 2026

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Entenda como bebê foi torturado pela mãe e pelo padrasto por 4 meses | G1

Casal foi preso por tentativa de homicídio e tortura contra criança de 1 ano, em São João da Boa Vista (SP). Defesa diz que vai demonstrar a realidade do ocorrido no processo.

· 711 words

O delegado Fabiano Antunes de Almeida, responsável pela investigação das violências sofridas por um bebê de 1 ano, que foi torturado pela própria mãe, de 20 anos, e pelo padrasto, de 33, em São João da Boa Vista (SP), relatou que os laudos periciais revelaram o 'cenário de terror' que a criança passava.

O casal foi preso preventivamente na segunda-feira (31) por tortura e tentativa de homicídio e permaneceu à disposição da Justiça após a audiência de custódia na terça-feira (1º). A violência durou, pelo menos, quatro meses.

As identidades dos suspeitos não foram divulgadas. A defesa do casal informou à reportagem da EPTV , afiliada da TV Globo, que não teve acesso aos laudos que resultaram na prisão e que vai demonstrar a realidade do ocorrido no processo. O caso está em segredo de Justiça.

O g1 reuniu as violências praticadas pela mãe e pelo padrasto contra o menino de 1 ano:

Mãe e padrasto são suspeitos de agredir criança com colher de pau e colocar rosto da criança em bacia de água quente em São João da Boa Vista (SP) — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Após a investigação, depoimentos de testemunhas, análise de documentos médicos, exames periciais e extração de dados dos aparelhos celulares dos investigados, a polícia concluiu que a criança era submetida a episódios de violência física e psicológica:

A criança era trancada no banheiro nua e apanhava com uma colher de pau;

Era ministrado um medicamento de tarja preta para que a criança dormisse;

Caminhadas forçadas durante a madrugada;

Agressões em locais de pouca visibilidade, como nádegas, solas dos pés, nas mãos, usando a colher de pau como palmatória;

Sufocamento da criança com toalha para que vizinhos não ouvissem o choro.

"Estamos ainda fazendo a análise do material restante dos aparelhos celulares, vamos fazer uma outra análise de outros celulares que foram apreendidos. Temos exames periciais realizados no apartamento do casal e temos que fazer algumas oitivas ainda para elucidar alguns pontos e, ao final, vamos fazer o interrogatório do casal ", explicou o delegado.

O episódio de violência mais grave ocorreu em 19 de junho, quando a criança apresentou traumatismo craniano grave, hematoma subdural - que é o acúmulo de sangue entre a superfície do cérebro e a dura-máter, a membrana externa e resistente que reveste o cérebro, e extensas hemorragias retinianas - sangramento na retina ou interior dos olhos.

A criança foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e levada à Santa Casa de São João da Boa Vista com rebaixamento extremo do nível de consciência, evoluindo para parada cardiorrespiratória , sendo necessária transferência para internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em um hospital de Campinas.

O delegado Fabiano Antunes de Almeida fala sobre tortura de bebê; polícia apreendeu celulares e outros objetos de mãe e padrasto em São João da Boa Vista (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

Após um mês internado, o menino teve alta hospitalar e ficou sob os cuidados do pai, que afirmou ter chorado bastante ao saber da situação enfrentada pelo filho.

"Nós fizemos uma busca preliminar na casa do casal, visando fazer uma perícia. Constatamos a incompatibilidade da tese apresentada da queda da cama e as fraturas que essa criança sofreu na cabeça, um trauma grave. E fizemos a apreensão, algumas apreensões, inclusive de telefones celulares e com as vindas dos laudos que se vislumbrou realmente o cenário de terror que essa criança passava ", disse o delegado.

A Polícia Civil investiga o caso e afirma que o bebê teria sido vítima de agressões durante, pelo menos, quatro meses. O episódio mais grave teria ocorrido em 19 de junho, quando a criança sofreu um traumatismo craniano grave.

Segundo as investigações, o casal teria alegado que o menino havia caído da cama. O médico que atendeu a criança, no entanto, teria identificado que os ferimentos eram incompatíveis com a versão apresentada.

A polícia afirma ter encontrado mensagens nos celulares dos suspeitos que indicariam agressões contra o bebê, incluindo enforcamento e submersão da criança em uma bacia com água. Também foram apreendidos uma arma de choque, uma algema, uma arma falsa e outros objetos.

A mãe e o padrasto foram presos na segunda-feira (31) e são investigados por tortura e tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos.

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