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Suspeitos de torturar jovem o agrediram por 3 horas, diz polícia | G1

Quatro homens foram indiciados pelo crime de tortura com resultado morte e agravante de cativeiro, conforme delegado do caso. Laudos concluíram que vítima caiu após tentar fugir pela janela. Advogados dos suspeitos disseram que aguardam manifestação do Ministério Público para apresentarem defesa.

· 860 words

Alexandre Rodrigues Ramos, jovem de 27 anos que caiu ao tentar fugir de quarto onde estava trancado , recebeu agressões físicas e psicológicas por quatro homens por aproximadamente três horas, segundo o delegado Roberto Fernandes. De acordo com a Polícia Civil (PC-PR), a vítima ficou amarrada e trancada no cômodo durante as agressões, no dia 14 de agosto.

A investigação concluiu que os quatro, que são colegas de apartamento da namorada de Alexandre, o prenderam, agrediram, doparam e torturaram depois de suspeitarem que ele havia furtado uma câmera fotográfica. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

O delegado afirma que, nos interrogatórios, os homens não negaram as agressões , nem negaram terem trancado a vítima para fazê-la confessar o suposto furto. Nos celulares dos suspeitos, foram encontradas fotos deles com a vítima amarrada.

Os quatro suspeitos foram indiciados pelo crime de tortura com resultado morte e agravante de cativeiro, conforme o delegado. Agora, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que analisa o caso para decidir se apresenta uma denúncia à Justiça contra eles.

Os homens respondem ao processo em liberdade. Eles deixaram a prisão no domingo (6), após permanecerem detidos por 24 dias. Três deles fazem uso de tornozeleira eletrônica e todos estão proibidos de manter contato com testemunhas ou sair da cidade sem autorização.

A decisão pela soltura ocorreu depois de um laudo feito pela Polícia Científica e entregue à Polícia Civil apontar que a vítima não foi jogada do 14º andar, mas caiu ao tentar fugir da tortura a que foi submetida .

Em nota, a defesa dos investigados informou que "os mesmos elementos informativos e laudos periciais constantes do inquérito permitem conclusões jurídicas e fáticas diversas, razão pela qual aguardará a análise do Ministério Público e exercerá o contraditório no momento oportuno". Confira a nota completa abaixo.

Polícia conclui que jovem caiu ao tentar fugir pela sacada

Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, morreu ao cair do 14º andar de um prédio de Londrina — Foto: Reprodução

Segundo o delegado, Alexandre Rodrigues Ramos caiu do 14º andar enquanto ele fugia dos agressores e tentava acessar o apartamento abaixo do que ele estava, pela sacada.

No início das investigações, havia a dúvida se os agressores também haviam jogado Alexandre do prédio, tese que acabou refutada pelo laudo.

"Foi uma queda involuntária. O laudo descartou que o corpo foi jogado, em razão também de um testemunho do morador do apartamento logo abaixo de onde ocorreram os fatos. A vítima tentou acessar a sacada do apartamento de baixo, mas não conseguiu, porque, além de ter o vidro fechado, tinha a rede [de proteção]. A rede ele conseguiu romper uma parte dela com os pés. Essa testemunha fala que só o viu tentando acessar ali com os pés e depois despencar. O laudo comprovou essa dinâmica", detalhou Fernandes.

Como foi o crime, segundo a investigação

Seis pessoas moravam no apartamento: a namorada da vítima, os quatro suspeitos e um homem que denunciou o caso após a chegada da polícia.

Alexandre estava visitando a namorada e, por volta das 22h30 de quinta-feira (13), foi confrontado, com uma faca, pelos quatro suspeitos, que acreditavam que ele tinha furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil.

Em seguida, conforme o delegado Miguel Chibani, Alexandre foi trancado em um dos cômodos do apartamento, teve os pés e mãos amarrados com um cabo de extensão e passou a ser agredido.

Segundo Chibani, os suspeitos forçaram Alexandre a ingerir dois comprimidos de uma medicação que causa irresponsividade.

"Ele foi agredido mediante chute, soco, tapa no rosto, foi ameaçado de morte, houve o relato de que um deles dizia que eles iam retalhar o corpo... Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu. A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro", detalha Chibani.

Conforme o delegado, foram cerca de quatro horas de sucessivos ataques contra a vítima.

Um dos suspeitos pediu uma pizza depois que Alexandre foi agredido.

Inicialmente, a ocorrência chegou à polícia como um caso de suicídio. Porém, no local, os agentes notaram que a chave que trancava o cômodo do qual a vítima teria caído estava para o lado de fora da porta.

Durante as investigações iniciais, testemunhas relataram à corporação a situação de tortura, encarceramento e agressões. Testemunhas e suspeitos foram levados à delegacia e, conforme Chibani, dois deles confessaram os delitos.

À polícia, a namorada de Alexandre afirmou que viu o que estava acontecendo e tentou entrar no cômodo em que a vítima estava presa. Porém, disse ter sido ameaçada por um dos suspeitos .

"A defesa dos investigados, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, esclarece que o indiciamento é um ato que reflete a interpretação da Autoridade Policial sobre os elementos colhidos na investigação.

A defesa esclarece que os mesmos elementos informativos e laudos periciais constantes do Inquérito permitem conclusões jurídicas e fáticas diversas, razão pela qual aguardará a análise do Ministério Público e exercerá o contraditório no momento oportuno".

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Monday, October 12, 2026

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