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Friday, September 4, 2026

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Operação mira policiais acusados de extorquir empresários no RJ | G1

Investigações apontam que três policiais civis e um quarto homem se apresentavam em empresas alegando realizar fiscalizações e apontando supostas irregularidades para exigir pagamentos.

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a Corregedoria-Geral da Polícia Civil (CGPOL), com apoio da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (SSINTE) iniciou, na manhã desta sexta-feira (4), uma operação contra integrantes de um esquema que, segundo as investigações, utilizava a estrutura da Polícia Civil para extorquir empresários dos setores de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósito de resíduos em São Gonçalo , na Região Metropolitana do Rio. Os agentes cumpriram quatro mandados de prisão e cumprem seis mandados de busca e apreensão.

As investigações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ) e a SSINTE. Os dados apontaram que três policiais civis e um quarto homem se apresentavam em empresas alegando realizar fiscalizações e apontando supostas irregularidades administrativas e ambientais para exigir pagamentos dos comerciantes.

A ação foi batizada de Operação Anhangá, em referência à figura do folclore indígena brasileiro associada à proteção dos animais e das florestas contra caçadores predatórios.

De acordo com a denúncia, recebida pela 3ª Vara Criminal de São Gonçalo, os policiais civis, então lotados na 74ª DP (Alcântara), utilizavam viaturas oficiais, armamento e a própria estrutura da corporação para dar aparência de legalidade às abordagens e intimidar empresários durante a cobrança de vantagens indevidas.

Investigações apontam que três policiais civis e um quarto homem se apresentavam em empresas alegando realizar fiscalizações e apontando supostas irregularidades para exigir pagamentos. — Foto: Reprodução / TV Globo

Um dos casos investigados ocorreu no dia 19 de agosto, em uma empresa de reciclagem de sucatas. Segundo o MPRJ, os três policiais teriam exigido inicialmente R$ 300 mil para que o estabelecimento não sofresse prejuízos. Posteriormente, o valor teria sido reduzido para R$ 100 mil, parcelados, além da cobrança de R$ 800 mensais.

Ainda de acordo com a investigação, não foi encontrada qualquer ordem de serviço, registro de ocorrência ou outro documento que justificasse a fiscalização alegada pelos agentes.

O Ministério Público afirma que, no mesmo dia, a vítima transferiu R$ 25 mil para uma conta bancária de outro homem, que também foi denunciado na investigação e é apontado como responsável por receber os valores obtidos pelo grupo.

Outra investida descrita na denúncia teve como alvo outra empresa. Segundo o MPRJ, um policial e outros dois homens ainda não identificados abordaram um caminhão da companhia e o seguiram até o depósito, onde teriam se apresentado como policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).

No local, o agente teria exigido R$ 20 mil dos responsáveis pelo estabelecimento. Após ouvir que a empresa não tinha a quantia disponível, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Nenhum pagamento foi realizado.

Segundo o Ministério Público, as investigações indicam que os envolvidos se aproveitavam da função pública e do poder de fiscalização para constranger empresários e obter vantagens financeiras indevidas.

Os policiais que atuaram no caso informaram que, ao longo das investigações, os relatos de vítimas e testemunhas mostraram pontos em comum sobre a forma de atuação do grupo. A ação também contou com reconhecimentos fotográficos, imagens de videomonitoramento e comprovante de transferência bancária compatível com a vantagem indevidamente exigida.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que atua no controle interno e no combate rigoroso a desvios de conduta. As investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão dos crimes apurados.

A Polícia Civil informou ainda que não compactua com qualquer prática ilícita ou desvio de conduta por parte de seus servidores e atuará com rigor para responsabilizar aqueles que utilizarem o cargo para cometer crimes.

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