Bebê era torturado com água quente e agredido com colher de pau | G1
Mãe e padrasto estão presos preventivamente por suspeita de tortura e tentativa de homicídio de criança de 1 ano, em São João da Boa Vista (SP). Violência aconteceu por 4 meses.
Agressões com colher de pau, isolamento, caminhadas forçadas na madrugada e submersões do rosto em água quente. Essas foram algumas das violências sofridas por um bebê de 1 ano, que foi torturado pela própria mãe, de 20 anos, e o padrasto, de 33, em São João da Boa Vista (SP), segundo a Polícia Civil.
O casal foi preso preventivamente na segunda-feira (31) por tortura e tentativa de homicídio. A violência durou pelo menos 4 meses.
As identidades dos suspeitos não foram divulgadas e o g1 não conseguiu contato com a defesa deles até a última atualização desta reportagem. Após a prisão da mãe e do padrasto, o menino está sob cuidados do pai biológico.
O g1 reuniu os principais pontos do que se sabe sobre o caso:
O que a mãe e o padrasto faziam com a criança?
Por que a mãe e o padrasto foram presos?
Mãe e padrasto são suspeitos de agredir criança com colher de pau e colocar rosto da criança em bacia de água quente em São João da Boa Vista (SP) — Foto: Polícia Civil
Conforme apurado pelo g1 , o caso foi denunciado à polícia pela advogada do pai da criança e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
Inicialmente, o caso era tratado como uma possível queda acidental, mas passou a ser investigado como lesão corporal e maus-tratos.
Durante os trabalhos investigativos, a Polícia Civil de São João da Boa Vista ouviu testemunhas, analisou documentos médicos da criança, além de exames periciais e também averiguou dados que foram extraídos dos celulares da mãe e do padrasto da vítima.
Com base nessas informações, a polícia concluiu que a criança foi submetida a episódios de violência física e psicológica há pelo menos 4 meses.
Celular da mãe e do padrasto foram apreendidos pela Polícia Civil de São João da Boa Vista, SP — Foto: Polícia Civil
3. O que a mãe e o padrasto faziam com a criança?
Segundo a polícia, a criança era vítima de privação de sono, administração de medicamento controlado sem prescrição médica, agressões físicas, isolamento como forma de castigo, submersões da cabeça em água quente , além de outras práticas violentas.
"O casal trocava mensagem entre eles e o padrasto orientava a mãe como agir. A criança era trancada no banheiro nua e apanhava com uma colher de pau. Era ministrado um medicamento de tarja preta, o Diazepam, para que essa criança dormisse, ela [era submetida a] caminhadas forçadas durante a madrugada e o mais grave: enforcamento e submersão em uma bacia com água quente por reiteradas vezes. Conforme as mensagens, [a submersão era] de 5 em 5 minutos", afirmou o delegado Fabiano Antunes de Almeida, responsável pelas investigações
O delegado afirmou ainda que a criança era sufocada com uma toalha para que não chorasse. "O casal aumentava o volume da televisão ou do rádio para que os vizinhos não ouvissem o choro da criança".
O episódio mais grave teria ocorrido em 19 de junho, quando o menino apresentou traumatismo craniano grave, hematoma subdural - que é o acúmulo de sangue entre a superfície do cérebro e a dura-máter, a membrana externa e resistente que reveste o cérebro, e extensas hemorragias retinianas - sangramento na retina ou interior dos olhos.
A vítima chegou ao atendimento médico com rebaixamento extremo do nível de consciência e evoluiu para parada cardiorrespiratória , sendo necessária internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A criança teve alta após 1 mês e ficou sob os cuidados do pai.
De acordo com a polícia, o exame médico apontou que o quadro da criança era compatível com trauma craniano abusivo , afastando tecnicamente a hipótese de acidente doméstico.
Os elementos reunidos também apontaram possíveis tentativas de ocultação de vestígios e ajuste de versões.
5. Por que a mãe e o padrasto foram presos?
Os fatos passaram a ser investigados como tortura e tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos, tendo a Justiça decretado a prisão temporária da mãe e do padrasto da vítima pelo prazo de 30 dias.
Policiais civis de São João da Boa Vista cumpriram os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão relacionados à investigação envolvendo atos de violência praticados contra o menor, na última segunda-feira (31).
Durante o cumprimento das buscas, foram apreendidos medicamentos controlados, uma colher de madeira, uma máquina de choque, uma arma falsa, uma algema, aparelhos celulares e uma bacia plástica. Os objetos serão analisados para continuidade das investigações.
A mãe e o padrasto da vítima foram conduzidos à Central de Polícia Judiciária (CPJ) da cidade e permaneceram à disposição da Justiça.
Medicamentos controlados e bacia foram apreendidos na casa de mãe e padrasto de criança vítima de maus-tratos em São João da Boa Vista — Foto: Polícia Civil
De acordo com a polícia, as investigações prosseguem para esclarecimento da dinâmica dos fatos e entender qual foi a participação de cada investigado, a mãe e o padrasto, no crime.
A arma e a algema não teriam relação com o fato, mas o uso desses objetos será investigado.
Arma falsa foi apreendida na casa de mãe e padrasto de criança vítima de maus-tratos em São João da Boa Vista — Foto: Polícia Civil
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