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Friday, September 11, 2026

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Caso Davi Lucas: O que se sabe sobre menino de 3 anos que morreu no AC | G1

Davi Lucas Santos Maia morreu na terça (8) em Porto Acre. Ana Clara dos Santos e Tacio Gomes dos Santos, mãe e padrasto, passaram por audiência de custódia e seguem presos.

· 1,155 words

O menino Davi Lucas Santos Maia, de 3 anos, morreu na última terça-feira (8), em Porto Acre , no interior do estado, após suspeita de espancamento. Os principais suspeitos são a mãe e o padrasto: Ana Clara dos Santos, de 18 anos, e Tacio Gomes dos Santos, de 23, que estão presos preventivamente e negam o crime.

Ao levarem Davi para o hospital do município, o casal disse, inicialmente, que o menino havia sofrido uma queda. Contudo, a equipe médica encontrou diversas marcas no corpo e acionou a polícia .

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Davi morreu de traumatismo craniano , além de terem sido encontradas diversas lesões pelo corpo.

O g1 reuniu o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o caso:

Davi Lucas Santos Maia deu entrada no hospital com vários hematomas e morreu em Porto Acre na última terça (8) — Foto: Reprodução

Segundo a Polícia Civil, Davi Lucas Santos Maia foi levado já sem vida ao hospital de Porto Acre pela mãe, Ana Clara dos Santos, de 18 anos, e pelo padrasto, Tacio Gomes dos Santos, de 23, na noite da última terça (8).

A alegação do casal, de acordo com o delegado Carlos Bayma, responsável pela investigação, era de que o menino havia caído. A versão, no entanto, chamou a atenção da equipe médica porque a criança apresentava várias marcas pelo corpo .

“Quando a equipe médica viu a situação da criança, achou estranho e chamou a minha equipe. O corpo estava todo manchado, com muitas marcas de pancada. Pela forma como estava, não seria uma simples queda”, afirmou ele.

O corpo do menino precisou ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), em Rio Branco , para passar por exames na quarta-feira (9).

Sim. Ana Clara e Tacio, os principais suspeitos pela morte de Davi, foram detidos ainda na terça (8) e levados inicialmente para a delegacia de Porto Acre, quando foi determinado o encaminhamento deles para a Delegacia de Flagrantes (Defla), na capital.

Na saída da delegacia do interior, ambos foram hostilizados por populares . Ana Clara e Tacio têm juntos um filho de 2 meses.

Nessa quarta-feira (9), os dois passaram por audiência de custódia e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva . O g1 não conseguiu contato com a defesa de ambos até a última atualização desta reportagem.

Ana Clara dos Santos, de 18 anos, e o padrasto Tacio Gomes dos Santos, de 23, foram presos suspeitos de matar Davi Lucas Santos Maia, de 3 anos, no Acre — Foto: Reprodução

A Polícia Civil investiga se Davi era vítima de maus-tratos antes de morrer e se havia outras situações relacionadas à criança. O delegado Carlos Bayma disse que pediu exames para verificar se houve agressões anteriores.

“Eu já pedi todos os exames possíveis para saber se houve maus-tratos, se houve abuso e o que aconteceu com essa criança. A suspeita é muito forte de que ele vinha sofrendo agressões mesmo [...] tudo indica que eles queriam se livrar da criança, queriam se ver livres dela. A gente está investigando isso também”, afirmou.

Além disso, o Ministério Público do Acre (MP-AC) informou que pediu a prisão preventiva após os investigados apresentarem informações contraditórias sobre a suposta queda. O padrasto, inclusive, já havia sido denunciado ao Conselho Tutelar por suspeita de maus-tratos contra Davi.

Outro ponto que chamou a atenção foi o intervalo entre o suposto acidente e a busca por atendimento médico: de acordo com o MP, o casal levou cerca de quatro horas para procurar ajuda.

4. O que disse a família materna de Davi?

Familiares de Davi disseram que já haviam tentado ficar com o menino. O avô materno, João Evangelista dos Santos, afirmou que a família considerava que Ana Clara, mãe da criança, não tinha condições de criá-la porque enfrentava dificuldades financeiras.

Segundo ele, os familiares chegaram a pedir que Davi fosse entregue a eles. O avô afirmou que tinha condições de cuidar do neto.

“Nós lutamos para pegar esse menino, lutamos. Pedimos para ela dar esse menino para nós. Falamos que não tinha condições de criar, falamos: ‘você não tem um meio de vida [renda] para sobreviver’. Mas, eu tenho um meio de vida para sobreviver, eu dou do bom e dou o melhor para ele”, contou.

João disse ainda que Davi viveu por um período com a família materna e que os parentes tinham muito vínculo com o menino. “Ele viveu um pouco de tempo com nós, a gente tinha muito amor, carregava ele no coração, a gente fazia de tudo pra sempre dar o melhor para ele”, relatou.

Davi Lucas Santos Maia deu entrada no hospital com vários hematomas e morreu em Porto Acre nesta terça (8) — Foto: Arquivo pessoal

Ana Bela, irmã gêmea de Ana Clara, também contou que antes do afastamento, os familiares costumavam buscar Davi para passar períodos com eles. Ela disse que, depois, as visitas ficaram mais difíceis e a família deixou de ter informações sobre a rotina do menino.

“A gente pedia pra ligar, mas ela não deixava a gente ir buscar ele porque, antes a gente ia buscar, passava um mês ou uma semana com ele e depois levava de volta. Mas, perdemos o contato depois. Ela só mandava ‘oi, tô bem’ pra gente, não dava muitos detalhes”, contou.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou traumatismo craniano como a causa da morte de Davi. O exame também identificou lesões em diferentes partes do corpo e marcas de queimaduras.

Segundo o boletim de ocorrência, o menino tinha ferimentos no rosto, pescoço, lombar, virilha, glúteos, coxas e braços . Havia ainda uma queimadura no pé e uma lesão nas costas que pode ter sido provocada por um ferro.

O corpo de Davi foi liberado pelo IML na tarde de quarta (9) e levado para Senador Guiomard , onde a família materna mora. O velório e o enterro ocorreram nesta quinta-feira (10).

“Coloquei a mão na cabeça dele, parece que quebrou. Levou uma porrada muito forte. Judiaram muito dele, tem muito roxo e marcas. Minha mulher está em choque, não está falando direito”, lamentou o avô João Evangelista.

A Polícia Civil ainda busca esclarecer como Davi sofreu as lesões que provocaram sua morte, quando elas ocorreram e se os ferimentos eram resultado de episódios anteriores de agressão.

Também estão sendo investigadas as circunstâncias da suposta queda relatada inicialmente pela mãe e pelo padrasto, o motivo da demora de cerca de quatro horas para procurar atendimento médico e a informação de que Tacio já havia sido denunciado ao Conselho Tutelar por suspeita de maus-tratos contra o menino.

A polícia também apura se Davi vinha sofrendo agressões antes do dia da morte e se houve outras situações de violência ou abuso.

“Queremos saber o motivo disso tudo, né? Porque isso do nada, uma criança inocente, entendeu? Aí queremos saber, e queremos justiça”, disse Ana Bela, irmã gêmea da suspeita.

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