Maus-tratos de animais na Unifap: um mês sem identificar culpados | G1
Casos incluem envenenamento, uso de cola na pelagem, espancamentos e até a decapitação de uma gata. Os episódios ocorreram durante o recesso acadêmico.
Cães comunitários foram encontrados mortos no campus da Unifap, sem causa aparente. — Foto: Divulgação/Projeto Mi-au
Um mês após denúncias de maus-tratos e mortes de animais na Universidade Federal do Amapá ( Unifap ), a Polícia Civil segue investigando o caso. Os responsáveis ainda não foram identificados. Os crimes aconteceram durante o recesso acadêmico. Professores, alunos e moradores próximos ao campus já foram ouvidos.
As denúncias partiram de voluntários do Projeto Mi-au, que atua na proteção de cães e gatos comunitários da universidade. De acordo com o grupo, não houve novos casos de violência desde então.
A polícia aponta como dificuldade a livre circulação de pessoas na universidade. A área dos crimes pode ter sido acessada por pessoas de fora da instituição.
"Ocorreu num período ainda não-letivo, o que não dá pra excluir a participação de alguém de fora da comunidade acadêmica, né? É um local de passagem para o bairro Zerão, Universidade, algo que ainda está em apuração", disse Nixon Kenedy, delegado titular da 9ª Delegacia de Polícia Civil.
O Campus Marco Zero, principal polo da Unifap, fica na Zona Sul e não possui câmeras de segurança, o que também dificulta as investigações.
Estudantes da Unifap fazem apelo após episódios de violência contra animais no campus. — Foto: Divulgação/Projeto Mi-au
Durante o recesso, os animais ficam mais vulneráveis. Com menos alunos no campus, os agressores aproveitam para agir.
Alunos relatam que os casos de violência se concentram nos blocos de Ciências Biológicas, Ambientais e Física, onde há mais animais.
Em um dos episódios, a cabeça de uma gata desaparecida foi encontrada perto dos blocos por uma funcionária da limpeza.
Outro gato foi achado morto sob as arquibancadas do ginásio, com a mandíbula quebrada e sinais de espancamento.
Casos de envenenamento também preocupam. Um cão comunitário chamado “Marginal” morreu em frente ao prédio da Pró-Reitoria de Extensão e Ações Comunitárias (Proeac).
A comunidade acadêmica pede instalação de câmeras, melhorias na iluminação e políticas públicas para proteger os animais no campus.
A Lei nº 14.064/2020 prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais, para quem comete crimes contra cães e gatos.
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