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Saturday, September 19, 2026

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O que candidatos ao governo de MG propõem sobre crise climática | G1

O g1 analisou os planos de governo de todos os candidatos e levantou as propostas apresentadas.

· 1,400 words

Alagamento em Matias Barbosa em fevereiro de 2026 — Foto: TV Globo/ Reprodução

A mineração é uma das bases da economia de Minas Gerais. Em 2025, o estado arrecadou R$ 3,57 bilhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), o maior valor entre todas as unidades federativas.

Ao mesmo tempo em que gera renda e trabalho, a mineração envolve questões relacionadas à preservação ambiental, ao uso de recursos naturais, à recuperação de áreas degradadas e à segurança de barragens. O estado é o que mais possui estruturas em nível de alerta ou situação de emergência no país – são 84 ao todo, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente será um dos desafios de quem assumir o governo mineiro em 2027.

Outra questão será preparar o estado para os efeitos das mudanças climáticas, que afetam cidades e populações, sobretudo as que vivem em áreas de risco. Eventos extremos, como o registrado na Zona da Mata no início deste ano, com 74 mortes , tendem a se tornar mais frequentes.

Os candidatos ao governo de Minas Gerais apresentam diferentes propostas para as questões ambientais envolvendo a mineração e o enfrentamento da crise climática. O g1 apurou o que cada um deles defende nos planos apresentados à Justiça Eleitoral.

As outras reportagens da série reuniram as propostas sobre os seguintes temas:

Veja abaixo o plano de cada candidato, por ordem alfabética:

Alexandre Kalil durante entrevista na TV Globo — Foto: Reprodução/TV Globo

Alexandre Kalil propõe que água, biodiversidade, cobertura vegetal, áreas de recarga, corredores ecológicos e territórios sujeitos a riscos sejam levados em consideração para a tomada de decisões relacionadas a atividades econômicas.

Ele promete reorganizar o licenciamento ambiental de empreendimentos com base em rigor técnico, previsibilidade e prazo. Sobre as barragens de mineração, o candidato defende o uso de tecnologias de sensoriamento e monitoramento contínuo, além de fiscalização.

Em relação às mudanças climáticas, o plano de governo diz que a vulnerabilidade do estado será mapeada territorialmente, de forma que municípios com maior exposição a eventos extremos recebam apoio para a elaboração de planos de adaptação e prevenção.

O documento diz que a questão climática também é social e que as políticas devem considerar que idosos, crianças, pessoas com deficiência, famílias de baixa renda e populações que vivem em áreas de risco podem sofrer os impactos de maneira desproporcional.

O plano de governo de Ben Mendes diz que o licenciamento ambiental de empreendimentos de alto risco deve ter mais qualidade técnica e transparência.

Para o monitoramento das atividades, o candidato propõe criar uma "plataforma estadual de inteligência mineral-ambiental" que priorize equipes em campo. Ele defende também a fiscalização anual de estruturas críticas.

O documento não contém propostas específicas para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Cleitinho (Republicanos) — Foto: Carlos Moura/ Agência Senado

Cleitinho Azevedo defende a digitalização e a simplificação de processos de licenciamento ambiental "sem redução do rigor técnico ou da proteção ecológica", mas não detalha como isso seria feito.

O plano de governo fala em fiscalização transparente de barragens de mineração, por meio do acompanhamento diário da segurança das estruturas.

O documento propõe uma política estadual de adaptação climática para apoiar as prefeituras no enfrentamento de enchentes, secas severas e tempestades. Além disso, prevê que o estado auxilie os municípios no mapeamento de risco e na instalação de redes de alerta meteorológico.

O candidato também promete programas estaduais de reflorestamento e restauração de bacias hídricas.

Flávio Roscoe (PL) — Foto: Elizabete Guimarães

Flávio Roscoe defende adequações na legislação ambiental do estado para prever licença por adesão e compromisso em empreendimentos de menor porte, exigir nexo de causalidade entre as condicionantes impostas aos empreendedores e os potenciais impactos ambientais da atividade, além de reduzir os prazos de análise de licenciamento.

O candidato propõe um cadastro público para permitir que qualquer pessoa acompanhe pela internet se as compensações ambientais prometidas por grandes empreendimentos foram, de fato, cumpridas.

O plano de governo não apresenta propostas específicas para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Gabriel (MDB) — Foto: Reprodução/TV Globo

Gabriel defende o monitoramento de barragens e propõe que o estado acompanhe e cobre o cumprimento do cronograma de descaracterização de barragens alteadas a montante, com fiscalização permanente.

Ele propõe um planejamento ambiental para ordenar os instrumentos de licenciamento, autorização para supressão de vegetação e outorga do direito de uso de recursos hídricos. O objetivo é dar previsibilidade aos empreendedores e concentrar o esforço técnico nas atividades de maior risco ambiental.

O plano de governo também fala em apoio técnico aos municípios na prevenção de desastres de impacto regional. A proposta é promover uma coordenação estadual, com monitoramento, alerta e resposta rápida a eventos extremos.

O documento prevê, ainda, uma frente estadual de descarbonização de frotas e compras para a aquisição de ônibus de baixa ou zero emissão e a adoção de critérios ambientais nas compras públicas.

O plano de governo de Henrique Áreas não tem propostas específicas sobre mudanças climáticas ou questões ambientais relacionadas à mineração.

Indira Xavier (UP) — Foto: Foto: Divulgação

Indira Xavier promete monitorar e fiscalizar barragens e propõe que as mineradoras sejam obrigadas a usar tecnologias mais eficientes para o processo de extração de minério.

O plano de governo sugere a elaboração de leis que priorizem as necessidades das populações atingidas, além da criação de conselhos populares da mineração com ampla participação da população local e dos trabalhadores do setor.

O documento também prevê a criação de fundos de incentivo à diversificação da matriz econômica nos territórios mineradores, por meio, por exemplo, do fortalecimento da agricultura familiar.

A candidata não apresenta propostas específicas para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Mateus Simões defende a atração de investimentos alinhada a políticas de sustentabilidade, com foco na geração de energia verde e na descarbonização.

O candidato sugere modernizar a gestão ambiental, conciliando rigor técnico com previsibilidade de prazos e uso de tecnologia nas análises, e garantir a fiscalização permanente de barragens.

O plano de governo propõe apoio aos municípios na adaptação climática e na redução da vulnerabilidade a eventos extremos, mas não detalha de que forma isso seria feito na prática.

O documento também defende o combate ao desmatamento ilegal e a recuperação de áreas degradadas, por meio de monitoramento remoto e de instrumentos de incentivo à conservação.

Deputado Patrus Ananias (PT - MG) — Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos deputados

Patrus Ananias propõe transformar a CFEM em um instrumento de desenvolvimento regional. A ideia é que os recursos sejam investidos na recuperação ambiental, na diversificação econômica dos municípios mineradores e nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.

O candidato fala em fortalecer a governança da atividade mineral para garantir rigor na fiscalização, segurança de barragens e participação efetiva das comunidades atingidas nas decisões sobre novos empreendimentos.

Em relação à crise climática, o plano de governo defende uma política de desenvolvimento articulada com o enfrentamento da crise climática. As propostas incluem aumentar as áreas florestais no estado e estimular a recuperação de nascentes, bacias e sub-bacias.

O documento também sugere maior democratização na gestão das políticas públicas por meio de conselhos municipais de meio ambiente.

Rafael Duda (PSTU) — Foto: Reprodução/Redes sociais

Rafael Duda defende a estatização da mineração e a proibição da exploração minerária nas serras que abastecem a Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ele propõe o fortalecimento dos órgãos ambientais, com mais orçamento e pessoal para ações de fiscalização, e a elaboração de um plano de contingência para perdas de floresta.

O plano de governo fala, ainda, em publicar normas para a redução da emissão de carbono e em aumentar as áreas de preservação ambiental.

Túlio Lopes (PCB) — Foto: Reprodução/TV Globo

Túlio Lopes propõe a revisão de todos os licenciamentos ambientais, com participação direta das comunidades atingidas, e o controle social do ritmo de extração mineral. O objetivo é garantir a preservação dos territórios, a segurança e a autossuficiência das populações.

O candidato defende a criação de territórios livres de mineração, definidos por lei, e a proteção das áreas de preservação permanente, com recomposição da vegetação nativa, controle do uso do solo e combate às atividades ilegais.

O plano de governo também sugere medidas como proteção e recuperação de nascentes, rios, lagoas e mananciais, recomposição da cobertura vegetal, manejo sustentável do solo, controle das atividades predatórias e planejamento territorial integrado.

Além disso, fala em ampliar e manter, sob controle popular, parques e áreas verdes nas cidades.

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