Caso Master arrasta Supremo para o centro da crise e expõe impasse sobre resposta da Corte | G1
André Mendonça quer levar o caso ao plenário, mas ministros questionam o que pode ser analisado após a PGR pedir a nulidade da investigação.
A avaliação hoje é de que o conjunto de tudo o que veio a público sobre o caso Master é devastador para a imagem, a reputação e a credibilidade da Corte. Porque o Master deixou de produzir uma crise envolvendo apenas determinados ministros ou autoridades. O caso arrastou o próprio Supremo para dentro da lama.
E isso coloca uma pergunta para a instituição: qual foi, até agora, a resposta do Supremo a tudo isso?
Porque, olhando a sequência dos acontecimentos, não houve um movimento institucional de avanço nem uma reação aos episódios que atingiram integrantes da Corte.
Paulo Gonet entendeu primeiro que Toffoli poderia permanecer na relatoria. Depois, diante do episódio envolvendo Alexandre de Moraes , considerou que não havia elementos que justificassem o avanço de uma investigação. Agora, a PGR pede a nulidade da investigação conduzida por André Mendonça .
Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro — Foto: Antonio Augusto/STF e Divulgação
Ou seja: enquanto o conteúdo conhecido amplia o desgaste do Supremo, as respostas institucionais caminham, até aqui, no sentido contrário ao aprofundamento das apurações.
É nesse cenário que o STF está diante de uma nova decisão. E é por isso que a discussão sobre o plenário ganhou outra dimensão.
Mendonça pretende liberar todo o material na próxima semana e pedir ao presidente da Corte, Edson Fachin, que paute o assunto. Se isso acontecer, os onze ministros poderão analisar o caso.
Essa é a pergunta feita por ministros nos bastidores . O que se tem hoje é um pedido da PGR para anular e arquivar toda a investigação. E quem conduz a investigação é a PGR, ao lado da Polícia Federal.
Por isso, ainda precisa ser detalhado e esclarecido o que, de fato, Mendonça pretende levar ao plenário. Qual será o pedido exato? E o que exatamente os ministros serão chamados a decidir?
Nos bastidores, porém, há outra discussão. Existe em Brasília o sistema querendo salvar o sistema. É o que a gente vê, escuta e apura. Fontes falam em uma articulação para “abafar e acomodar” a situação do caso Master depois da eleição. Ou seja: um acordão.
Só que, mesmo que ao final exista um acordão, esse eventual acordo será feito depois de o conteúdo da investigação ser conhecido.
As pessoas já sabem o que existe dentro do caso Master no que se refere às autoridades citadas. Saberão, portanto, exatamente em cima de quê o Supremo decidiu.
Os próprios ministros ouvidos nos bastidores reconhecem o óbvio: é muito grave tudo o que estamos vendo. O tom das mensagens, a proximidade e as trocas reveladas são muito graves (leia as mensagens)
A avaliação é de que o episódio produziu não apenas uma crise de credibilidade, mas também uma crise de reputação. E arrastou o Supremo para dentro dessa crise.
Porque, embora as revelações envolvam determinados ministros e uma autoridade como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, é o Supremo, como instituição, que passa a ter de responder o tempo todo à crise do Master.
Não se trata mais apenas de saber o que acontecerá com André Mendonça ou com a investigação. Trata-se de saber como o Supremo vai responder a uma crise de credibilidade que já passou a ser da própria instituição.
No fundo, são duas disputas acontecendo ao mesmo tempo: uma jurídica, sobre a forma e o destino da investigação; e outra institucional, sobre como o Supremo reage ao desgaste provocado pelo conteúdo que já veio a público.
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