Zanin e Gilmar Mendes recebem acesso integral a conteúdo do celular de Daniel Vorcaro | G1
Ministros do STF solicitaram acesso irrestrito ao material para se preparar para o julgamento desta terça-feira (15). Plenário vai analisar pedido de Mendonça para investigar mensagens enviadas pelo ex-dono do Master a Moraes.
Os gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmaram que os magistrados receberam nesta segunda-feira (14) todo o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
A entrega ocorreu após Zanin determinar, nesse domingo (13), que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, compartilhasse com ele uma cópia do material. O aparelho foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero, e reúne as mensagens citadas pela PF no relatório usado pelo ministro André Mendonça para pedir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Ele foi seguido por Gilmar Mendes e Moraes. Os ministros fizeram a solicitação para preparação do julgamento da próxima terça-feira (15), em que a Corte analisará o relatório da PF que encontrou 52 mensagens de Vorcaro que tinham Moraes como destinatário (relembre mais abaixo).
Zanin durante julgamento dos acusados de mandar matar Marielle Franco — Foto: Gustavo Moreno/STF
Cristiano Zanin solicitou na sexta-feira (11) ao presidente do STF, Edson Fachin, acesso irrestrito ao conteúdo do celular do dono do extinto Banco Master.
O presidente da Corte, por sua vez, pediu a André Mendonça que disponibilizasse o conteúdo. No entanto, o relator do caso afirmou que o aparelho não estava com ele, e sim com a PF.
Ainda de acordo com o despacho, o gabinete de André Mendonça possui somente uma cópia de segurança dos dados extraídos do telefone.
🔎 O material consiste em um HD criptografado entregue voluntariamente pela PF em março de 2026, acondicionado em envelope fechado. Mendonça enfatizou que o disco rígido segue intacto e lacrado, sem qualquer violação ou manuseio até o momento.
Horas antes, no domingo, o ministro André Mendonça enviou ofício sustentando que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo extraído do celular "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e colocaria "em risco todo o seguimento e êxito das investigações".
De outro lado, ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e o próprio Zanin vinham cobrando acesso irrestrito ao espelhamento completo do aparelho para contextualização ampla dos fatos antes de qualquer deliberação do plenário.
Zanin e Gilmar argumentaram que os magistrados precisam de todo o contexto para decidir, enquanto Moraes pontuou que "não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento".
No documento deste domingo, Mendonça rebateu as cobranças e assegurou que todos os integrantes do tribunal têm acesso ao mesmo material que ele próprio utilizará.
"Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os ministros deste tribunal. Para tal fim, este ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão", escreveu.
Com a informação de Mendonça de que o material estava com a PF, Zanin reforçou o pedido e determinou que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, compartilhasse o conteúdo com ele em até 24 horas.
O que foi feito nesta manhã, segundo os gabinetes.
Fachin convocou o plenário da Corte para discutir nesta terça o relatório da PF que apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Na sessão, os ministros vão discutir a validade do documento da PF feito a pedido do ministro André Mendonça. O documento sofreu críticas de alguns ministros da Corte. Na avaliação deles, Mendonça pediu para investigar um colega sem autorização do plenário.
O caso é inédito no STF. A decisão de Fachin de levar para análise do plenário o relatório da Polícia Federal que apontou mensagens do ex-banqueiro para Moraes intensificou articulações de bastidores e apostas sobre apoio ou não para abrir uma investigação contra o ministro.
Até agora, seis votos são considerados mais consolidados. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Cristiano Zanin são apontados como pontos alinhados com Moraes. André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Nos bastidores, há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que têm recebido acenos dos dois lados.
O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar, já que o caso é desdobramento do Master e ele tem se declarado suspeito de votar em desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações.
Há quem defenda que o ministro pode votar, no entanto, sendo que a discussão envolve questões processuais, como o modelo para investigação de um integrante da Corte.
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