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De Pussycat Dolls a Gusttavo Lima: 5 histórias que explicam publicidade em letras de música | G1

Do e-mail vazado sobre o grupo pop americano aos cachês milionários para falar de bebida alcoólica no sertanejo, entenda como mercado testou transformar refrãos em vitrines.

· 513 words

O anúncio da primeira vinda das Pussycat Dolls ao Brasil, com show em São Paulo no dia 30 de outubro , é um bom motivo para relembrar uma movimentação curiosa nos bastidores da indústria musical.

A ideia de vender espaço publicitário dentro de versos e refrãos já pareceu ser parte de um futuro inescapável, mas o mercado precisou testar o formato na prática para entender o que realmente funcionava. E essa história tem a ver com nomes que vão das Pussycat até Gusttavo Lima.

Relembre cinco momentos que explicam esta tendência:

Em 2008, mensagens de um empresário chamado Adam Kluger caíram nas caixas de entrada de vários jornalistas por acidente. O objetivo dele era claro: vender espaço publicitário nas letras das Pussycat Dolls. Na época, liguei para o número de telefone que estava no rodapé do e-mail. O cara foi um pouco ríspido, mas resumiu bem o seu modelo de negócio:

"A gente tem as celebridades e eles têm o dinheiro".

Na mesma ligação, no entanto, ele garantiu que nenhuma música das Pussycat Dolls acabou sendo vendida.

Se as Pussycat Dolls passaram ilesas, outros artistas da Kluger Agency abraçaram a ideia. O rapper Flo Rida foi quem efetivamente comercializou seus versos. A música “Hey Jasmin” falava sobre a Live Jasmin, uma plataforma de webcam com modelos que funcionava como uma espécie de OnlyFans da época. Depois, ele lançou “Zoosk Girl”, dedicada ao aplicativo de namoro Zoosk, um precursor do Tinder.

A capa do álbum 'Doll Domination', lançado pelas Pussycat Dolls em 2008 — Foto: Divulgação

Essas iniciativas no fim dos anos 2000 criaram a expectativa de que a inserção paga de marcas nas canções seria massificada. Para os críticos, era o ápice da mercantilização musical. No fim, a experiência não decolou lá fora. A indústria concluiu que usar produtos de forma visual nos videoclipes funcionava muito bem, mas transformar o refrão em uma vitrine sonora pegava mal com os fãs.

Se a tática soou forçada para o pop estrangeiro, no Brasil, o mercado sertanejo encontrou nela uma fórmula de alto lucro. Gusttavo Lima faturou pelo menos R$ 1 milhão para citar o uísque Old Parr no sucesso “Zé da Recaída”, lançado em 2018. Dois anos depois, a dupla Zé Neto & Cristiano escancarou o formato com "Alô Ambev", uma faixa que transita exatamente no limite entre uma balada de sofrência e um jingle da Brahma.

5) A coca-cola gelada (e não remunerada)

Hoje, a venda de espaços diretos nas composições é algo raro. O mais comum segue sendo quando um artista cita uma marca sem ganhar cachê, apenas pela fluidez da narrativa. É o que acontece quando ouvimos nomes como Caetano Veloso e Lulu Santos cantando sobre política, juventude ou amor enquanto citam uma coca-cola gelada. Tudo orgânico e sem patrocínio. No fim das contas, o que vingou mesmo foram as parcerias visuais em clipes, cotas de turnês e redes sociais: todos querem as marcas por perto, mas quase ninguém quer abrir mão da própria letra.

As cinco integrantes da primeira fase das Pussycat Dolls, nos final dos anos 2000 — Foto: Divulgação

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Tuesday, October 27, 2026

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