Com previsão de El Niño muito forte, produtores rurais e setor da construção civil se preparam para impactos | G1
Fenômeno pode afetar a produção no campo e o andamento de obras. Setores se organizam para enfrentar os efeitos das mudanças no clima.
Com o El Niño no horizonte, as galinhas funcionam como um termômetro. Tomam banho de areia, botam ovos e ciscam livres só quando o clima está bom. O produtor é quem anda estressado para manter a paz no galinheiro.
“Elas têm que ficar presas porque está chovendo. À tarde, você tem que soltar porque está um calor extremo, elas não ficam lá dentro. E à tarde vai cair aquela pancada de chuva, você tem que correr para prender elas”, conta Leonardo Maciel dos Santos, que é pecuarista e produtor de mirtilo.
A fazenda se adapta como pode. “Nós estamos rodeando toda a propriedade com cortina verde, que são árvores nativas, fazendo plantação e também recuperando as nascentes”, diz Leonardo.
Na plantação de mirtilo, a frutinha azul, a estratégia foi diminuir a poda para que as folhas protejam os frutos do vento e da chuva forte. Só que, com isso, houve uma redução na colheita de até 2,5 quilos por pé nesta safra. São pequenos produtores trabalhando com alta de custos e queda na produção para diminuir os riscos do El Niño.
Com previsão de El Niño muito forte, produtores rurais e setor da construção civil se preparam para impactos — Foto: Reprodução/TV Globo
O El Niño é um fenômeno cíclico que fica mais intenso com temperaturas elevadas.
Amanda Schutze, coordenadora do Centro de Estudos em Economia do Clima da FGV, diz que o risco climático precisa entrar na conta dos investimentos. Os eventos extremos têm impacto direto nos preços e na produtividade da economia.
“Imagina um trabalhador que tem que trabalhar ao ar livre numa situação de calor extremo. A produtividade dele é reduzida, o gasto com saúde aumenta, tem atrasos naquele tipo de trabalho. Então, além das consequências do impacto para a pessoa, que é imensurável, também tem o impacto econômico”, explica.
Na construção civil, a previsão de mau tempo deve atrasar o cronograma das obras. A terraplanagem, a estruturação de vigas e a concretagem da laje não podem ser feitas em dias de chuva, para garantir a segurança dos trabalhadores.
A construtora também já se prepara para o vento. “Nós fazemos um sistema de proteção periférico em todos os ambientes, em todos os pavimentos. Para proteger o trabalhador, para proteger eventualmente alguma pessoa que esteja passando no entorno da obra e impedir que materiais saiam voando de dentro da obra”, diz Renato Genioli Júnior, diretor de uma construtora.
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