Nuvem estranha de Marte pode ser ainda mais incomum do que se pensava | G1
Estrutura de gelo chega a 1.800 km de extensão e surge perto de um vulcão marciano. Novo estudo indica que ela pode se formar por um processo nunca observado diretamente em outra atmosfera planetária.
Imagem da missão Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), mostra a Nuvem Alongada de Arsia Mons, que se estende por cerca de 1.500 km em Marte. — Foto: ESA/Mars Express
Uma das nuvens mais curiosas de Marte pode ser ainda mais estranha do que os cientistas imaginavam.
A chamada " Nuvem Alongada de Arsia Mons" aparece todos os anos perto de um vulcão com cerca de 20 quilômetros de altura e pode se estender por até 1.800 quilômetros antes de desaparecer.
O fenômeno é acompanhado pela missão Mars Express , da Agência Espacial Europeia (ESA), e já havia chamado atenção pelo tamanho e pelo comportamento: a nuvem se forma pela manhã, cresce rapidamente e some poucas horas depois .
Agora, um novo estudo publicado na revista "Nature Geoscience" sugere que ela pode surgir por um processo considerado raro e que ainda não havia sido observado diretamente em uma atmosfera planetária.
☁️ ENTENDA: Normalmente, nuvens se formam quando o vapor de água encontra pequenas partículas suspensas no ar , como poeira, sal ou fuligem, e começa a se condensar ao redor delas.
No caso dessa nuvem marciana, porém, os pesquisadores descobriram que o vapor de água pode se transformar diretamente em partículas de gelo , sem precisar da poeira como apoio.
Os modelos usados anteriormente não conseguiam reproduzir a formação da nuvem. Isso só aconteceu quando os cientistas incluíram essa possibilidade nas simulações .
“Nunca vimos isso antes em uma atmosfera planetária. Foi totalmente inesperado”, afirmou Jorge Hernández-Bernal, principal autor do estudo, em um comunicado da ESA.
Segundo os pesquisadores, a explicação do fenômeno está na combinação entre a atmosfera muito fina de Marte e o tamanho do Arsia Mons.
Quando o vento passa pelo vulcão, o relevo empurra rapidamente o ar úmido para regiões mais altas. Nesse processo, a temperatura pode cair cerca de 30°C em apenas dez minutos , o que cria condições extremas de umidade.
É nesse momento que o vapor de água pode congelar diretamente e dar origem à nuvem.
Os autores ressaltam, porém, que o modelo ainda não reproduz perfeitamente tudo o que é visto pelas sondas.
Por isso, o estudo aponta uma explicação possível, mas ainda não encerra a questão.
Mas a descoberta pode ajudar a entender melhor não só a atmosfera de Marte, como também processos que podem ocorrer em outros planetas e até em mundos fora do Sistema Solar.
Imagem feita pela missão Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), mostra a Nuvem Alongada de Arsia Mons se estendendo por cerca de 980 km em Marte. — Foto: ESA/DLR/FU Berlin
Topics in this story
Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.