Desmatamento no Acre tem redução de 22% em um ano, aponta Inpe | G1
Levantamento aponta que o estado teve 252 km² de áreas desmatadas entre agosto de 2025 e julho de 2026. Na Amazônia Legal, a redução foi de 41,8%, a maior da série histórica.
📉🌳 O Acre teve uma redução de 22,2% na área desmatada entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( Inpe ) divulgados na última sexta-feira (16). Conforme o levantamento, o estado passou de 324 km² no período anterior para 252 km² no mais recente.
No entanto, a queda no Acre foi menor que a registrada na Amazônia Legal, onde o desmatamento diminuiu 41,8% e atingiu 3.335 km² , sendo esta a menor área da série histórica do Inpe, iniciada em 1988.
🔎 Os dados fazem parte do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).
Apesar da redução no Acre, o estado teve o sexto maior índice de desmatamento entre os nove estados da Amazônia Legal no período. O Pará liderou o ranking, com 1.130 km² , seguido por Mato Grosso, com 849 km² , e Amazonas, com 525 km² . Roraima foi a única exceção, com aumento de 0,35%.
O Tocantins teve a maior redução percentual, de 73,3% , seguido pelo Amapá, com 52,9% . Mato Grosso, Amazonas e Pará também registraram quedas superiores a 45%. ( Veja tabela abaixo )
O resultado também mantém a sequência de queda registrada nos últimos anos. Em outubro de 2025, um levantamento anterior do Inpe apontou que o Acre havia registrado cerca de 325 km² de desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025 , uma redução de 27,6% em relação ao período anterior.
Na época, a taxa era a menor desde 2017. O índice também vinha caindo desde 2021, quando o estado registrou 889 km² de área desmatada.
Essa redução acompanha o endurecimento da fiscalização e do controle sobre o desmatamento ilegal nos últimos anos. Um dos marcos desse movimento foi a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).
Criado em 2004, o plano reúne ações de diferentes ministérios e esteve por trás da forte queda do desmatamento registrada entre 2004 e 2014 . Planos semelhantes também foram elaborados para os demais biomas, entre eles o Cerrado.
Na prática, essas medidas buscam aumentar o risco de punição para quem desmata ilegalmente. Um dos instrumentos usados são os embargos remotos: áreas desmatadas sem autorização são identificadas por imagens de satélite e bloqueadas sem a necessidade de uma operação em campo.
Com o embargo, o proprietário fica impedido de usar a área e de comercializar o que for produzido nela. Somam-se a isso a atuação dos estados nas ações de controle, o aumento de autuações do Ibama e a maior atenção dos bancos aos dados de desmatamento na concessão de crédito rural.
Assim, propriedades com desmatamento irregular passam a ter mais dificuldade para conseguir financiamento.
Desmatamento no Acre cai mais de 22% em um ano, aponta Inpe — Foto: Flávio Forner/Arquivo pessoal
🚨 A queda na taxa de desmatamento não significa, necessariamente, que a floresta esteja livre de outros danos ambientais. Desmatamento, degradação florestal e queimadas são fenômenos diferentes e não devem ser tratados como um único indicador.
O Prodes calcula a taxa oficial de desmatamento com base na remoção completa da vegetação nativa por corte raso. O sistema também considera situações em que a degradação progressiva provoca a perda completa da cobertura formada pelas copas das árvores.
Já a degradação pode danificar a floresta sem que toda a vegetação seja removida. Queimadas e exploração de madeira, por exemplo, podem comprometer a estrutura da floresta mesmo quando a área não se enquadra nos critérios de desmatamento do levantamento.
Por isso, a taxa anual de desmatamento não corresponde ao número de focos de calor nem à extensão total das áreas queimadas. Cada indicador mede um aspecto diferente dos impactos ambientais.
A estimativa de 2026 considera o período de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026. O levantamento faz parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) , do Inpe, responsável pelo cálculo da taxa oficial de desmatamento.
O Prodes utiliza imagens de satélite e uma análise detalhada para identificar a área de vegetação nativa efetivamente suprimida. Por considerar um período anual e exigir um processamento mais aprofundado, o sistema não funciona como um alerta diário para ações de fiscalização.
Essa função cabe ao Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) , também do Inpe, que identifica alterações na cobertura vegetal e emite alertas para orientar as equipes em campo. Como os sistemas têm objetivos e metodologias diferentes, seus números não são diretamente comparáveis.
Taxa anual de desmatamento não corresponde ao número de focos de calor nem à extensão total das áreas queimadas — Foto: © Nilmar Lage / Greenpeace / Divulgação
Para calcular a taxa da Amazônia Legal, o Inpe analisou 271 dos 516 recortes de imagens que cobrem a região. A seleção priorizou áreas com registros anteriores de desmatamento, alertas do Deter e municípios considerados prioritários para a fiscalização.
Segundo a nota técnica do instituto, os recortes analisados abrangem regiões que concentraram 97,68% do desmatamento registrado pelo Prodes em 2025 e 97,09% das supressões detectadas pelo Deter entre agosto de 2025 e julho de 2026.
No entanto, os números dos dois sistemas não são diretamente comparáveis. A taxa do Prodes costuma, inclusive, ser superior à área apontada pelos alertas do Deter.
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