Por que cães grandes envelhecem mais rápido e têm uma vida mais curta? | G1
Estudo com 864 cães encontrou mudanças no DNA associadas ao envelhecimento mais acelerado em raças maiores. Pesquisadores dizem que mecanismo ainda precisa ser melhor entendido.
Cães de diferentes portes caminham juntos; estudo investigou por que animais maiores tendem a envelhecer mais rápido e viver menos. — Foto: Pexels
Cães de raças grandes costumam envelhecer mais rápido e viver menos do que os pequenos.
Um novo estudo publicado na revista "Science" encontrou uma possível explicação para essa diferença.
Pesquisadores analisaram o DNA de 864 cães que fazem parte do "Dog Aging Project", um grande projeto de pesquisa sobre envelhecimento canino, e identificaram mudanças que acontecem com a idade e aparecem de forma mais acentuada nos animais de maior porte.
O foco do trabalho foram trechos do DNA conhecidos como “ genes saltadores ”, capazes de se copiar e ocupar novas posições no material genético.
Esses trechos normalmente ficam sob controle de marcas químicas que ajudam a manter sua atividade regulada. Com o passar do tempo, parte desse controle se perde.
Segundo o estudo, essa perda foi especialmente forte em regiões ligadas a um tipo desses genes, chamado LINE1 .
Nas raças gigantes, a redução dessas marcas aconteceu, em média, 35% mais rápido por ano do que nas raças pequenas.
Os pesquisadores dizem que isso pode ajudar a explicar por que cães maiores envelhecem mais depressa e também têm maior risco de doenças ligadas à idade.
“Embora saibamos que os cães de grande porte vivem menos do que os cães menores, ainda não sabemos exatamente por quê”, afirmou ao g1 Noah Snyder-Mackler, autor sênior do estudo e professor da Universidade do Estado do Arizona.
"Este estudo apresenta uma possível explicação: alterações relacionadas ao envelhecimento na metilação do DNA, um processo químico que regula a atividade dos genes, ocorrem mais rapidamente no sistema imunológico desses animais".
Os cientistas analisaram um processo chamado metilação do DNA, que funciona como uma espécie de controle sobre a atividade dos genes, sem alterar a sequência do DNA.
Cães de portes diferentes caminham lado a lado. — Foto: Pexels
Esse controle muda com a idade. No estudo, mais de 40% das regiões associadas ao LINE1 perderam metilação ao longo do envelhecimento, o que fez desse grupo um dos mais afetados.
Quando esse controle diminui, os “genes saltadores” podem ficar mais ativos e provocar alterações no DNA. Esse processo já foi associado, em outros estudos, ao envelhecimento, ao câncer e a outras doenças.
Os autores, porém, fazem uma ressalva: ainda não é possível dizer se essa mudança causa o envelhecimento mais rápido ou se acontece como consequência dele.
A diferença entre cães grandes e pequenos chama atenção porque, entre espécies diferentes, o padrão costuma ser o contrário: animais maiores geralmente vivem mais .
Baleias, por exemplo, podem viver muito mais do que pequenos mamíferos.
Nos cães, dentro da mesma espécie, os maiores tendem a crescer mais rápido, envelhecer antes e viver menos. É essa diferença que o novo estudo tenta explicar.
O trabalho também encontrou diferenças entre machos e fêmeas em regiões do cromossomo X , mas os pesquisadores dizem que ainda é cedo para saber quanto isso influencia o envelhecimento.
Segundo os autores, entender melhor esses mecanismos pode ajudar a estudar não só a longevidade dos cães, mas também processos semelhantes em outros mamíferos.
"Essa descoberta é relevante não apenas para os cães, mas também para a nossa compreensão do envelhecimento em seres humanos e outros animais. Isso porque grande parte do que encontramos pode se aplicar à maioria dos mamíferos, devido às semelhanças em nosso código genético", acrescentou Snyder-Mackler.
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