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Friday, August 28, 2026

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Novas imagens revelam a extensão do colapso de geleira no Nepal | G1

Registros foram cedidos ao g1 e revelam mudanças expressivas na encosta entre 24 e 26 de agosto. A análise das imagens indica que cerca de 1 km² de gelo e rocha pode ter cedido, embora a área afetada possa variar entre 0,5 km² e 2 km².

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Novas imagens de satélite cedidas ao g1 ajudam a dimensionar o colapso de uma geleira no Himalaia que desencadeou a inundação repentina no Nepal nesta última quarta-feira (26).

Os registros comparam a mesma área em dois momentos (veja ACIMA).

Nas imagens, o círculo vermelho destaca a área da encosta onde ocorreu o colapso, enquanto a marcação em azul indica o trecho onde os detritos se acumularam após a queda.

O primeiro registro foi feito em 24 de agosto pelo Sentinel-2 , um conjunto de satélites do programa europeu Copernicus usado para observar a superfície da Terra.

O segundo, de 26 de agosto , foi captado pelo Landsat 9 , um satélite de observação terrestre operado em parceria pela Nasa e pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), já depois do desastre.

Na comparação, a encosta aparece bastante alterada.

Uma extensa faixa antes coberta por gelo e rocha aparece, dois dias depois, profundamente alterada, com uma grande área exposta na encosta e detritos acumulados mais abaixo.

A análise foi feita pelo cientista Robert Rohde, pesquisador da Berkeley Earth, organização independente de pesquisa científica dos Estados Unidos que trabalha com dados sobre clima e temperatura global.

A partir das imagens de satélite, ele estimou que a área da encosta que teria cedido no colapso ocupava cerca de 1 km² .

Rohde ressalta, porém, que esse número ainda é aproximado , porque é difícil distinguir com precisão, apenas pelos registros feitos do espaço, o que corresponde à parte da montanha que efetivamente desabou e o que são detritos espalhados depois da queda.

“Minha estimativa se baseia em uma ferramenta para medir o tamanho da aparente cicatriz do deslizamento na montanha. Mas isso depende de decidir visualmente o que faz parte do próprio deslizamento e o que são detritos deixados por ele”, afirmou ao g1 .

Segundo Rohde, a margem de incerteza é ampla. Por isso, a área que cedeu pode ter entre 0,5 km² e 2 km² , embora ele considere 1 km² a estimativa mais provável.

Ele ressalta que uma avaliação feita diretamente no local permitiria delimitar melhor a área atingida.

O desastre chegou a ser associado inicialmente a um terremoto, mas essa interpretação foi descartada depois. O Serviço Geológico dos Estados Unidos concluiu que o sinal sísmico registrado na região foi provocado pelo próprio colapso de gelo e rocha e pelo fluxo de detritos.

Segundo autoridades nepalesas, o material que desceu da montanha bloqueou temporariamente um rio.

Com o rompimento dessa barreira natural, uma grande quantidade de água, lama e pedras avançou pelos vales e atingiu comunidades mais abaixo.

Até esta última quinta-feira (27), o desastre havia deixado centenas de mortos e mais de mil desaparecidos na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete.

Em nota divulgada no mesmo dia, o Observatório do Clima lamentou a tragédia e relacionou o episódio ao avanço das mudanças climáticas .

A organização afirmou que o Himalaia está entre as regiões que aquecem mais rapidamente no planeta e alertou que eventos ligados ao derretimento de geleiras podem se tornar mais frequentes e intensos com o aumento da temperatura global.

Imagens de 24 e 26 de agosto mostram a área antes e depois do colapso da geleira no Nepal. — Foto: Copernicus/ESA Sentinel-2 e USGS/NASA Landsat 9, processadas pela EOS Data Analytics

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