Chevrolet deixa S10 mais bruta para o off-road na versão Trail Boss. | G1
Versão de R$ 341 mil ganhou suspensão elevada em 30 mm, pneus para terra e lama e visual exclusivo, mantendo motor turbodiesel de 207 cv. O g1 testou a picape para descobrir se as mudanças comprometem o conforto no asfalto.
Chevrolet S10 Trail Boss 2027 — Foto: Divulgação / GM
A Chevrolet lançou a nova versão Trail Boss com o argumento de que ela foi preparada e afinada para encarar trilhas. Esta S10 tem uma suspensão mais alta e mais forte para poder voltar ilesa de uma aventura.
Pode parecer irônico que uma montadora precise criar uma versão ainda mais raiz e bruta de uma picape que, em essência, já nasceu pronta para esse tipo de desafio. Mas outras marcas já fizeram isso, então a estratégia não chega a ser novidade.
É verdade que, com o passar dos anos, as picapes médias foram incorporando elementos e acertos que as deixaram muito mais amigáveis ao asfalto.
Toyota Hilux, Ford Ranger, Volkswagen Amarok, Nissan Frontier, Mitsubishi L200 Triton e a própria S10 passam a maior parte do tempo na estrada, e os acertos ajudam a vender mais.
Vendas das picapes médias entre janeiro e agosto de 2026:
Basta analisar o perfil dessas picapes. Elas têm cada vez mais tecnologia e eletrônica. O acabamento interno incorpora elementos refinados, que oferecem muito mais uma experiência de luxo do que a robustez necessária para enfrentar o barro.
O g1 levou a S10 Trail Boss para a cidade, onde a picape deve passar a maior parte do tempo e também enfrentar obstáculos, como valetas, buracos e restos de obras inacabadas.
O objetivo é entender se as mudanças feitas pela Chevrolet na S10 reforçaram o DNA aventureiro da picape sem abrir mão do conforto e do luxo esperados de um veículo que custa R$ 341.290 .
A Chevrolet fez várias mudanças no visual da picape, mas as mais importantes estão escondidas sob a carroceria.
O modelo foi desenvolvido em parceria com a divisão de performance da General Motors e sai de fábrica com suspensão elevada, pneus específicos e pacote visual exclusivo, mantendo os padrões de segurança e a garantia original da marca.
O conjunto de suspensão, assinado pela Ironman , é o principal diferencial da picape. O kit traz mola e amortecedor recalibrados em conjunto com a geometria da picape, elevando a parte dianteira em cerca de 30 mm.
🔎 A Ironman 4x4 foi fundada em 1958 na Austrália por Guenter Jacob, um imigrante alemão e engenheiro. Hoje, a Ironman 4x4 é uma marca global que fornece produtos de suspensão e acessórios de alta resistência para aventuras.
Com a mudança, o modelo passa a ter vão livre do solo de 324 mm, ângulo de ataque de 32,5° e ângulo de saída de 22,9°. Esses números são importantes, pois mostram que a Trail Boss não vai raspar a dianteira e traseira. Nem bater o fundo em obstáculos.
Os amortecedores da Ironman foram codesenvolvidos com a GM e validados em laboratórios, passando por 26 ensaios com padrão global de corrosão da empresa.
A modificação na altura exigiu a recalibração dos módulos eletrônicos, dos sensores e da câmera frontal. Com isso, sistemas como alerta de colisão com frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa e controle eletrônico de estabilidade foram revalidados para o novo acerto.
A picape é equipada com pneus Pirelli Scorpion All-Terrain de 18 polegadas, projetados para entregar tração em terra, cascalho e lama, além de manter o comportamento no asfalto.
Visualmente, a S10 Trail Boss conta com:
Grade dianteira com a gravata "Black Bowtie" em preto brilhante;
Rodas escurecidas com desenho exclusivo;
Estribo tubular integrado ao santantônio estendido.
O modelo também traz adesivos exclusivos, a palavra Chevrolet em relevo na caçamba e emblemas da Ironman.
No interior, o veículo apresenta acabamento escurecido , bancos com tecido central aveludado e o nome da versão bordado nos encostos de cabeça. O painel inclui quadro de instrumentos digital de 8 polegadas e central multimídia MyLink de 11 polegadas.
A lista de conectividade traz o sistema OnStar com Wi-Fi nativo, atualização remota de sistemas e aplicativo para comandos à distância, como travamento de portas e partida remota.
O modelo oferece entradas USB dos tipos A e C, carregador por indução e integração Android Auto compatível com o Gemini, do Google.
A caçamba vem equipada de série com o protetor Multiflex e santantônio estendido, que servem de apoio para acessórios originais, como bandejas organizadoras, divisórias e suportes para o transporte de equipamentos.
Chevrolet S10 Trail Boss 2027. — Foto: Divulgação / GM
O conjunto mecânico utiliza o motor Duramax 2.8 turbodiesel de 207 cv e 52 kgfm de torque , combinado ao câmbio automático de oito marchas e tração 4x4 com reduzida acionada por comando rotativo. A calibração foi adaptada ao biodiesel brasileiro.
De acordo com dados do Inmetro, a picape registra consumo de 8,3 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada.
6 airbags (frontais, laterais e de cortina);
Parece algo estranho uma montadora lançar uma versão ainda mais parruda de um veículo que nasceu off-road. Mas não é incomum isso acontecer. A própria Toyota já fez isso com a Hilux GR Gazoo Racing.
Na S10 Trail Boss, as mudanças estão essencialmente na suspensão. A maior altura na dianteira e todo o novo conjunto deixam a picape ainda mais preparada para encarar o fora de estrada.
Isso atende ao desejo de clientes que exploram o interior do Brasil e não querem ficar pelo caminho.
Para dar visibilidade às mudanças e ao caráter especial da versão, há também alterações estéticas. O resultado fica a critério de cada um. Gosto e design, claro, são particulares .
Cabine da Chevrolet S10 Trail Boss 2027. — Foto: Divulgação / GM
O g1 testou a S10 na cidade de São Paulo, em algumas vias apertadas, um desafio que a picape pode enfrentar no uso cotidiano.
Também foi possível encarar uma espécie de off-road urbano, com valetas, buracos e obras inacabadas espalhadas pela capital paulista, sem problemas.
Nos poucos trechos em altas velocidades, os pneus, feitos para encarar o barro, não mostraram tanto ruído dentro da cabine. Para quem leva uma S10 mais preparada para aventuras, porém, já é esperado um comportamento mais rústico.
O interessante é que a picape recebeu essas mudanças e parece ter se adaptado bem a elas. Isso se reflete nos testes realizados pela GM para aplicar a nova suspensão e os pneus.
Para quem vê alguns carros modificados, pode parecer que basta colocar uma suspensão diferente para, em questão de dias, a picape estar pronta. Para uma montadora, é necessário validar esse conjunto.
É diferente, por exemplo, de uma modificação de suspensão essencialmente visual, como o g1 já mostrou na picape da cantora Ana Castela .
A conclusão é que a S10, apesar do nome forte, se prepara para uma concorrência cada vez maior . A Ranger cresce em vendas e já se estabeleceu como a picape mais amigável de dirigir em seu segmento, com um comportamento que vai quase na direção de um SUV. A S10 tem uma proposta mais raiz.
A Hilux vai receber uma atualização em breve, então ainda será necessário ver como ela chegará, já que é a líder de vendas.
O g1 já mostrou que a Volkswagen prepara uma nova Amarok que, pela tecnologia e pelo posicionamento, deve ter outro apelo. Um cliente mais interessado em ostentar uma picape do futuro do que mostrar uma picape para chafurdar a lama.
O mercado de picapes no Brasil é gigante. A disputa não se limita às grandes. Começa desde modelos menores, como a BYD Mako , a Volkswagen Tukan e, mais recentemente, a Renault Niagara. Isso sem esquecer de Fiat Strada e Toro, e também Chevrolet Montana e os modelos da RAM.
A Trail Boss segue a receita tradicional de quem gosta de picape à moda antiga , mas com um tempero ainda mais off-road, justamente para lembrar as origens de quem curte trilhas e estradas de terra.
Ela é perfeita para o cliente que acredita que as picapes estão perdendo espírito de aventura. Gosta de uma picape com pegada mais delicada? A Trail Boss não para você.
Suspensão dianteira : Independente com braços articulados
Motor : 2.8 turbo, quatro cilindros em linha
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