Skip to content

Saturday, September 26, 2026

Gigantum.net
Motorsport

Como criação de Brasília impacta mobilidade em meio à crise climática | G1

Eventos climáticos cada vez mais extremos paralisam grandes cidades, incluindo a capital. Especialistas discutem como crescimento do DF pode realçar episódios extremos do clima.

· 704 words

Ao longo dos anos, eventos climáticos – cada vez mais extremos – se tornaram capazes de paralisar grandes centros urbanos. O direito de ir e vir é um desafio urbano que mobiliza especialistas e altera as rotinas de milhares de pessoas em todo o mundo . No Distrito Federal, não é diferente.

Na primeira em uma série de três reportagens, o g1 mostra, com o auxílio de especialistas, como a construção e o crescimento da capital impactam na mobilidade urbana e são capazes de realçar episódios extremos do clima.

➡️Nos próximos dias, o g1 mostra também como esses impactos já são sentidos atualmente – e o que é preciso fazer para reverter esse quadro.

Engarrafamento no Eixão Sul, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Monumentalidade, concreto, formas geométricas e curvas . Brasília foi fundada na década de 1960, no meio do Planalto Central, e logo se tornou um dos mais expressivos símbolos da arquitetura moderna em todo mundo.

O modernismo surgiu, entre as décadas de 1930 e 1940, da necessidade de dar conforto às populações que viviam em cidades inchadas pela Revolução Industrial.

Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do DF, Ricardo Meira, o plano original do arquiteto Lúcio Costa valorizava a " caminhabilidade" .

"Ele pensou na lógica em que as pessoas, a uma distância máxima de 500 m da sua casa, tivessem tudo o que precisassem, inclusive lazer, educação, igreja, comércio."

Longos trechos viários: as vias urbanas do DF na década de 1960 e 1970

A ideia vale para o Plano Piloto, mas não se expandiu com o crescimento populacional e o surgimento das regiões administrativas , explica a professora da Universidade de Brasília ( UnB ) e doutora em arquitetura Liza Andrade.

"As cidades satélites não foram completamente urbanizadas, com desenvolvimento econômico suficiente, o que cria ainda dependência do Plano Piloto. Brasília é muito espalhada. Isso tudo é difícil para a mobilidade urbana", afirma.

A especialista destaca o conceito de monofuncionalidade , também ligada ao modernismo – ou seja, a ideia de criar setores específicos para moradia, trabalho, lazer .

A partir daí, nasce também a necessidade de que a grande maioria da população se desloque com mais frequência para cumprir as tarefas diárias . Onde se mora, quase não se trabalha e quase não se diverte.

"Brasília foi planejada para abrigar uma população estimada de 500 mil habitantes. O DF, hoje, tem mais de 3 milhões. Isso gera um imenso fluxo diário pendular entre o Plano Piloto e as cidades satélites", completa o presidente do CAU-DF.

Imagem aérea de Brasília mostra "tesourinhas" durante a construção da Capital Federal — Foto: Reprodução

Brasília é conhecida como cidade-parque -- parte do planejamento de Lúcio Costa para a construção da capital preservado até os dias atuais.

Segundo dados da Novacap, 65 mil das cerca de 79 mil árvores plantadas pela companhia urbanizadora entre 2024 e 2025 estão no centro da capital .

O mesmo não acontece em regiões periféricas: apenas 14 mil plantios foram em Samambaia , por exemplo, ainda de acordo com a Novacap.

'Racismo ambiental': foto comparando quantidade de árvores em duas regiões de Brasília viraliza nas redes sociais A justificativa para a diferença, segundo a companhia, é que o Plano Piloto tem áreas para arborização que foram planejadas e são preservadas. Já outras localidades tiveram "origem sem o devido planejamento ou critérios de preservação".

A relação entre a presença de áreas verdes e a mobilidade urbana pode não parecer óbvia, mas existe .

Segundo o professor de engenharia do UniCeub Rideci Farias, o uso intenso do concreto somado ao asfalto dos grandes eixos viários necessários para interligar as cidades contribui com o escoamento superficial: quando a água (das chuvas, por exemplo) é maior que a capacidade de infiltração do solo .

A consequência: inundações que impactam diretamente na mobilidade urbana – desde a oferta mais lenta de veículos, causado pelo trânsito, até falhas no fornecimento de energia que impactam o serviço do metrô, por exemplo.

"O Distrito Federal foi desenvolvido pensando muito na questão de mobilidade rodoviária. Apesar de algumas áreas terem certo planejamento, o DF não foi dimensionado para eventos extremos e mais frequentes e a gente tem uma fragilização do sistema", afirma o especialista.

Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.