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Deputados mais votados de SP somam 18 milhões de seguidores e adotam estratégias diferentes de campanha | G1

Levantamento considera seis candidatos eleitos com mais de 500 mil votos, que somam mais de 18 milhões de seguidores, com audiências construídas antes da campanha. Gastos revelam estratégias diferentes para transformar seguidores em circulação política.

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Da esquerda para a direita: Lucas Pavanato, Erika Hilton, Eduarda Campopiano, Sâmia Bomfim, Kim Kataguiri e Eduardo Suplicy. — Foto: Reprodução

Os seis candidatos a deputado estadual e federal mais votados de São Paulo , com mais de 500 mil votos nas eleições deste ano, chegaram às urnas com uma audiência digital de milhões de pessoas. Juntos, Lucas Pavanato (PL), Erika Hilton (PSOL), Eduarda Campopiano (PL), Eduardo Suplicy (PT), Sâmia Bomfim (PSOL) e Kim Kataguiri (Missão) somam mais de 18 milhões de seguidores no Instagram.

As prestações de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram, porém, que eles usaram essa audiência de maneiras diferentes (leia mais abaixo).

Pavanato e Campopiano, os dois mais votados do grupo, destinaram metade ou mais das despesas de campanha ao digital. Já Erika Hilton e Sâmia Bomfim, que também têm milhões de seguidores, gastaram parcelas maiores com material gráfico.

Para especialistas ouvidos pelo g1 , a quantidade de seguidores não equivale ao número de votos, mas pode representar um ativo político construído antes da eleição. Ou seja, uma audiência capaz de receber, compartilhar e fazer circular conteúdos.

Lucas Pavanato foi o candidato mais votado entre os seis, com 3.038.438 votos. Sua campanha declarou R$ 2,7 milhões em despesas, dos quais cerca de R$ 1,35 milhão — 50% do total — foi destinado a impulsionamento, comunicação digital e produção de conteúdo. Outros R$ 352.500 (13%) foram usados em materiais impressos.

O candidato do PL chegou à eleição com cerca de 5,5 milhões de seguidores no Instagram.

Eduarda Campopiano (PL), segunda mais votada, recebeu 1.956.238 votos. A deputada estadual eleita declarou R$ 654 mil em despesas, sendo cerca de R$ 400 mil, ou 61,1%, destinados à comunicação digital. Ela tinha aproximadamente 2,5 milhões de seguidores e fez uma campanha conjunta com Pavanato.

Nos dois casos, o investimento durante a campanha se somou a uma audiência que já havia sido construída anteriormente .

Para a cientista política Tathiana Chicarino, coordenadora do curso de Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), essa construção é parte de uma transformação mais ampla da política.

“As redes sociais não se consolidaram como um dos principais espaços na disputa eleitoral. Isso se configura na nossa vida. Então, as redes sociais são um espaço importante da nossa sociabilidade", afirma.

Segundo ela, a transformação é parte de um processo mais amplo de digitalização da vida, que começou antes da pandemia e alterou também a maneira como as pessoas recebem informação, trabalham, estudam, se relacionam e consomem entretenimento.

“O que acontece é uma digitalização da vida, que se acelera bastante com a pandemia, mas que já vinha acontecendo desde os anos 2000, 2010.”

A deputada federal Érika Hilton (PSOL) e o vereador Lucas Pavanato (PL). — Foto: Montagem/g1/Reprodução/Agência Câmara e Rede Câmara

A presença digital, porém, não é exclusividade dos candidatos que mais gastaram nas redes.

Erika Hilton foi a segunda deputada federal mais votada do estado, com 1.596.383 votos. Ela declarou R$ 1,63 milhão em despesas de campanha. Cerca de R$ 188 mil, ou 11,5% do total, foram destinados a comunicação digital e impulsionamento, enquanto aproximadamente R$ 453 mil, ou 27,8%, foram gastos com material gráfico.

A deputada tem cerca de 5,3 milhões de seguidores no Instagram, uma audiência maior que a de Pavanato e mais que o dobro da de Campopiano.

Sâmia Bomfim (PSOL) recebeu 583.107 votos e declarou R$ 1,97 milhão em despesas. Cerca de R$ 400 mil (20%) foram destinados ao digital, enquanto os gastos com material gráfico chegaram a aproximadamente R$ 775 mil (39%).

Erika e Sâmia chegaram à eleição com comunidades digitais consolidadas, mas destinaram mais recursos a outras formas de comunicação.

Para Chicarino, seguidores podem representar um tipo de capital político, mas o número bruto não basta. Mais importante que a quantidade de seguidores, segundo ela, é o que essa audiência faz com o conteúdo que recebe.

“Ter milhões de seguidores é um ativo? Claro que é, né? E aí a gente está falando de capital digital. Um capital político digital. Mas ter milhões de seguidores não significa que você vai ter milhões de votos", diz.

“O que importa é o engajamento, é a circulação. Porque, mesmo quando a pessoa compartilha uma coisa para criticar, você está dando tracionamento algorítmico para aquilo.”

Paulo Faltay, professor de Comunicação no Campus do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Estopim — Laboratório de Tecnopolítica, Comunicação e Subjetividade, afirma que as plataformas mudaram não apenas os canais usados pelos políticos, mas a própria circulação da informação.

“As diferentes arquiteturas das plataformas, as métricas, os valores, o que é valorizado estão ali definindo que tipo de conteúdo vai ter mais visibilidade, que tipo de conteúdo vai ter mais circulação", diz.

Isso faz com que cada plataforma imponha formatos e estratégias próprios e transforme o próprio público em parte da circulação política.

“O grande feito de ter milhões de seguidores é justamente poder contar com essa audiência que não é apenas destinatário da comunicação, mas passa a trabalhar na própria produção de visibilidade do candidato.”

Em vez de pensar apenas em seguidores, Faltay considera mais importante a existência de uma comunidade que acompanha o político e participa de sua presença pública.

“A questão aqui é muito mais a capacidade de mobilização e como essa capacidade de mobilização tá articulada com as infraestruturas das plataformas e as formas de circulação política delas", diz.

O efeito é uma fragmentação maior da experiência política. Ou seja, diferentes grupos podem ser expostos a conteúdos e referências diferentes, e as campanhas passam a adaptar suas mensagens a essas comunidades.

“Plataformas e redes sociais apresentam o mundo visível e o mundo informacional personalizado para cada pessoa.”

Os outros dois candidatos do levantamento também mostram que não existe uma relação automática entre audiência digital, dinheiro investido e votação.

Kim Kataguiri (Missão) recebeu 520.071 votos e declarou R$ 469 mil em despesas. Cerca de R$ 118 mil (25%) foram destinados ao digital, enquanto aproximadamente R$ 116 mil (25%) foram gastos com material gráfico e postagem.

Eduardo Suplicy (PT), de 85 anos, recebeu 654.627 votos e declarou R$ 97,8 mil em despesas. Cerca de R$ 30 mil (31%) foram destinados ao digital.

Para Faltay, a desigualdade entre as campanhas também passa pela capacidade financeira de cada candidato de explorar as plataformas e adaptar sua comunicação ao funcionamento delas.

“Não é simplesmente quem pode se comunicar melhor, mas é quem se adapta melhor às próprias métricas e arquitetura das plataformas e quem tem mais poder econômico para gastar nelas também.”

Os mais votados para a Câmara dos Deputados por SP

Despesas totais de campanha: R$ 2.702.190,92

Gastos com redes sociais: R$ 1,352 milhão (50,0%)

Gastos com material gráfico: R$ 354 mil (13,0%)

Despesas totais de campanha: R$ 1.629.652,72

Gastos com redes sociais: R$ 188 mil (11,5%)

Gastos com material gráfico: R$ 453 mil (27,8%)

Despesas totais de campanha: R$ 1.975.876,85

Gastos com redes sociais: R$ 400 mil (20,2%)

Gastos com material gráfico: R$ 775 mil (39,2%)

Despesas totais de campanha: R$ 469.244,42

Gastos com redes sociais: R$ 118.438,50 (25,2%)

Gastos com material gráfico e postagem: R$ 116 mil (24,7%)

Eduarda Campopiano (PL) – 1.956.238 votos

Despesas totais de campanha: R$ 654.315,52

Gastos com redes sociais: R$ 400 mil (61,1%)

Gastos com material gráfico: R$ 75 mil (11,5%)

Despesas totais de campanha: R$ 97.889,25

Gastos com redes sociais: R$ 30 mil (30,6%)

Gastos com material gráfico: R$ 2 mil (2,0%)

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Thursday, October 8, 2026

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