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Thursday, September 10, 2026

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Potencial de terras raras pode colocar Amapá no radar internacional | G1

Estado concentra 65 processos minerários ativos. Calçoene e Oiapoque lideram pesquisas associadas também ao ouro.

· 512 words

O Amapá possui atualmente 65 processos minerários ativos relacionados a elementos de terras raras, todos associados a outros minerais, como o ouro. A procura por esses elementos ganhou força a partir de 2022, quando foram registrados 53 protocolos de pesquisa na Agência Nacional de Mineração (ANM).

Os municípios de Calçoene e Oiapoque concentram o maior número de protocolos de pesquisa minerária registrados no período, a maioria deles vinculada também à exploração de ouro. Essa tendência, segundo especialistas, indica que o foco das empresas está voltado principalmente para o ouro, enquanto as terras raras podem aparecer como resultado adicional das pesquisas.

Estudos realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam potencialidades de elementos de terras raras em regiões como Ferreira Gomes e Oiapoque . No entanto, ainda são necessários vultosos investimentos em pesquisa geológica para confirmar esse potencial. A possibilidade de encontrar concentrações que permitam produzir um concentrado comercialmente viável permanece incerta.

Segundo o professor Franciolli Araújo, do Instituto Federal do Amapá (Ifap) e doutor em Ciências Exatas e Tecnológicas pela Universidade Federal de Catalão, o cenário ainda é desafiador:

“Podemos ter elementos de terras raras em qualquer lugar do estado, mas em concentrações que permitam produzir um concentrado comercialmente viável, isso ainda é uma incógnita. Na minha avaliação, as empresas têm pesquisado ouro, e as terras raras poderiam ser um 'bônus' caso identifiquem em suas pesquisas”, explicou.

🔎As chamadas “terras raras” são, na verdade, um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minerais, o que torna sua extração complexa e, muitas vezes, cara- daí a classificação de "raras". O Brasil detém a segunda maior reservas desses minerais, atrás apenas da China.

De acordo com o pesquisador, os investimentos podem ser feitos inicialmente pelo estado, como forma de atrair investidores, ou diretamente pelas empresas, caso existam fortes indícios da existência de depósitos. A determinação do tamanho dos depósitos e a viabilidade técnica de exploração, porém, ainda demandam muitos estudos e recursos.

A Universidade Federal de Catalão, por meio do Centro de Pesquisa em Processamento Mineral (CPMin), e o Grupo de Pesquisa em Materiais, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade (Matis) do Ifap, além de outras instituições, elaboraram propostas em chamadas do CNPq para coletar amostras em regiões potenciais de terras raras, inclusive no Amapá. O objetivo é caracterizar e concentrar esses minerais, etapa fundamental para confirmar a viabilidade de exploração.

Garimpo ilegal em Lourenço, Calçoene — Foto: Rafael Aleixo/Divulgaç

O Senado aprovou em 2 de setembro, o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta estabelece medidas para estimular a exploração e o processamento de minérios considerados estratégicos para o Brasil, incluindo a criação de um fundo garantidor e a concessão de crédito tributário de até R$ 5 bilhões.

O texto autoriza a União a participar como cotista desse fundo, com limite de R$ 2 bilhões. Apesar da participação estatal, o fundo terá natureza privada, funcionando como mecanismo de apoio a projetos e atração de investimentos para o setor mineral.

A proposta agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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